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    Gosto se Discute  

    Victor Bitarello Victor Bitarello 14/11/2017

    Existe uma expressão que se usa quando se fala sobre um determinado tipo de filme, ou melhor, quando se conversa sobre filmes com características que se encaixam nela. Tal expressão, normalmente com tom pejorativo, facilita a compreensão do que se está querendo dizer. Eu usarei aqui também. No entanto, deixo claro que o faço somente para facilitar o entendimento de quem vier a ler este texto. Para mim, não vejo problema nenhum nos filmes a que ela se refere, qual seja: filmes “sessão da tarde”. Em minha infância, vários deles me acompanharam. Hoje não o faço mais, mas não gostar deles é um gosto. Nada mais.

    Ao que me parece, o Brasil vive um momento de produção cinematográfica bastante voltado para filmes que, se eu falar que são do tipo “sessão da tarde”, muita gente entenderá (por exemplo, como no caso, uma história muito simples, uma competição banal, um romance óbvio que aconteceria com um final manjado e desejado pelo público, e o clássico bem vencendo o mal). Ao menos, é o que tem chegado nas salas daqui. Para acesso às produções mais bem elaboradas, só em festivais, internet ou busca em locadoras especializadas.

    “Gosto de Discute” conta a história de um restaurante elegante e badalado que, após a abertura de um “Food Truck” logo em frente, cai em decadência. O banco, que é seu sócio, decide intervir. O dono físico do restaurante, o chef de cozinha Augusto (Cássio Gabus Mendes), recebe críticas quanto à qualidade da decoração do lugar, atualidade do cardápio, sobre se a alimentação proposta no lugar é saudável. O banco, através de uma representante, Cristina (Kéfera Buchmann), decide iniciar mudanças no lugar, a fim de que os prejuízos sejam diminuídos e os lucros reatados. Uma “batalha” se inicia entre ambos, e a história prossegue.

    A questão é que descrever o filme, e dizê-lo “sessão da tarde”, basicamente resolve o “problema” desta coluna. Ele é aborrecido, quase entediante. Talvez seja interessante para quem gosta do mundo gastronômico, no sentido de interior da cozinha. Não é de todo insuportável, mas se houver alguma outra opção para quem estiver afim de ir ao cinema, acredito que é melhor arriscar a outra.

    Como eu disse acima, é um filme “sessão da tarde” e, no caso, com tom pejorativo.

    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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