A obra do cineasta juizforano João Gonçalves Carriço (27/07/1886 – 20/06/1959) e a diversidade cultural da feira livre da avenida Brasil serão retratados nos filmes de curta-metragem do projeto Cidades Invisíveis. As filmagens começaram no último domingo, dia 25 de janeiro, e continuam durante esta segunda-feira, dia 26.
Os recursos para a produção foram obtidos através do Pontão de Cultura Digital do Ministério da Cultura (MinC). Em Minas Gerais, o projeto é coordenado pela Rede Minas de Televisão e pelas ONGs Contato (Belo Horizonte) e Fábrica do Futuro (Cataguases).
De acordo com o coordenador de produção do projeto Cidades Invisíveis, Fernando Libânio, o principal objetivo do MinC é promover a interação e a aproximação dos pontos de cultura de todo o país, através do incentivo do Pontão de Cultura Digital. O projeto mineiro abrange nove cidades (Ouro Preto, Divinópolis, Januária, Juiz de Fora, Pirapora, Uberlândia, Viçosa, Pouso Alegre e Araçuaí). Em cada uma delas, serão produzidos dois curtas para veiculação nas afiliadas da Rede Minas de Televisão.
Fernando explica que o diferencial do Cidades Invisíveis é a participação da TV Pública.
"Ao levar a produção dos pontos de cultura para a televisão, vamos fortalecer a
cultura local e dar mais visibilidade aos pontos"
, garante.
Com isso, a expectativa é de que cada localidade mantenha a produção audiovisual através da interface com a TV pública mesmo depois do fim do projeto.
Na feira livre da avenida Brasil, a equipe de produção itinerante fez cerca de 1 h e meia de filmagens. A ideia é mostrar a diversidade cultural encontrada na feira através do depoimento de personagens conhecidos, entre vendedores e entusiastas. A escolha do tema foi feita pela afiliada da Rede Minas em Juiz de Fora.
A abordagem da obra de João Carriço foi uma opção da equipe de produção,
em função da impossibilidade do Ponto G de Cultura do Movimento Gay de Minas de participar.
A ONG está sem receber verba desde 2006 e, por isso, suspendeu as atividades externas.
"Depois de fazer uma pesquisa, decidimos mostrar um pouco mais da produção desse
cineasta, que é um dos mais importantes do estado", justifica o coordenador de produção.
Além dos depoimentos, o curta vai mostrar imagens de algumas obras de João Carriço.
Para Libânio, o uso do material de arquivo é importante para mostrar a contribuição
do cineasta para o cinema brasileiro.
"Como o acervo foi restaurado, acreditamos que vai ser uma boa maneira de levar a obra
do cineasta ao conhecimento da população."
O maior desafio do projeto, segundo o coordenador de produção, foi trabalhar a
formação das pessoas dos pontos de cultura para lidar com o audiovisual. "Como o tempo era curto e
apenas dois dos nove pontos já trabalhavam com audiovisual, nosso maior desafio foi a preparação dessas
pessoas, do ponto de vista conceitual e técnico do trabalho."
Os filmes, de um minuto de duração, vão ser exibidos na grade de programação da TVE Juiz de Fora, no espaço destinado aos interprogramas. A expectativa é de que os 18 filmes de todos os municípios estejam prontos para a veiculação a partir do mês de abril.
Juiz de Fora é a segunda cidade visitada nessa terceira e última etapa do projeto, que teve início em agosto de 2008 com a preparação conceitual dos participantes. A próxima parada da equipe técnica itinerante, composta por seis pessoas, é Viçosa.
A previsão é de que as filmagens sejam concluídas na segunda quinzena de fevereiro. A partir daí, os filmes serão editados - processo que deve levar cerca de 40 dias.
*Patrícia Rossini é estudante de Comunicação na UFJF