Trazer a público o que ele sabia e proporcionar ao leitor as mesmas emoções que
teve ao escrever. Estes são os motivos que levaram o advogado Vicente de Paulo
Clemente (foto abaixo) a escrever Os alemães e a Borboleta. "Não adianta
nada saber várias coisas e não passar para frente, por isso escrevi o livro. Lendo-o
as pessoas vão poder sentir tudo o que eu senti"
, diz.
A ancestralidade alemã foi fundamental para que Clemente começasse sua investigação que durou 20 anos entre entrevistas, pesquisas históricas, documentação e, por fim, a viagem no caminho inverso ao que foi feito por seu trisavô.
Os alemães e a Borboleta trata da história da imigração alemã em Juiz de Fora, direcionada à antiga colônia D. Pedro II que engloba as ruas Paula Lima, Bernardo Mascarenhas, o Morro da Glória, a região do Mariano Procópio, Borboleta e São Pedro.
Para o autor, a colonização alemã em Juiz de Fora "é um diamante de várias
facetas"
. Uma delas é o livro que, como ele explica, tem muitas coisas que
não foram ditas pelos entrevistados, mas sentidas e percebidas pelo narrador, que
é uma testemunha dos fatos contados nos livro.
"Eu posso dizer que moro no bairro Borboleta há mais de 150 anos porque sinto como
se tivesse presenciado tudo o que eu conto no livro"
. Os alemães e a Borboleta
está divido em quatro partes. Na primeira, Clemente conta a saída dos alemães de
sua terra natal e a chegada ao Brasil, quando misturavam saudade e esperança no
olhar.
A segunda parte trata das dificuldades iniciais ao chegarem na cidade e as estórias dessas pessoas contadas em crônicas. Essas crônicas foram escritas ao longo de 20 anos e divulgadas na mídia local. É nesse momento, também, que Clemente relata a viagem que fez de volta à Alemanha com sua esposa em 2007.
Já na terceira parte, o autor apresenta uma relíquia garimpada no porto de Hamburgo
pelo engenheiro Manfred Lewalter: uma lista de embarque de passageiros de 1858.
"São 1.200 nomes, idades, profissão e sexo dos passageiros de cada um dos cinco
barcos que chegaram ao Rio de Janeiro naquele ano"
.
Entre os tripulantes, estava o trisavô de Clemente, que era cantoneiro, ou seja, trabalhava dando forma à pedra bruta. Atividade fundamental para a construção da Estrada União Indústria, motivo pelo qual esses alemães vieram para Juiz de Fora.
Na quarta parte, Clemente traz uma memória fotográfica e histórias das famílias que
habitavam a colônia D. Pedro II. "Havia um intercâmbio muito grande entre as
pessoas desses bairros. Eram comuns os casamentos entre eles"
, comenta.
De sua viagem à Alemanha, Clemente acrescentou fotos e relatos de cada cidade que passou em um retorno nostálgico aos locais que seus antepassados viram pela última vez antes de chegarem em Juiz de Fora.
O livro foi lançado na última terça-feira, 03 de setembro, mas os moradores do Borboleta
ainda não tiveram acesso a ele e a expectativa, segundo Clemente, é grande. "A gráfica
só me entregou o livro ontem e as pessoas estão me ligando, querendo saber do livro.
Tem gente que já pagou sem ver"
, diverte-se.
Parte da renda do livro vai ser destinada à Associação Cultural Brasil e Alemanha,
pelo apoio dado ao autor e outra parte vai para os vicentinos da Associação São
Vicente de Paulo. "Sei das necessidades que eles passam e tenho certeza de
que o dinheiro que chegar ali vai ser bem utilizado"
, declara.
Segundo o autor, os alemães vieram para cá contratados por Mariano Procópio para
abrir a estrada que existia na localidade. "A produção cafeeira estava aumentando
e era transportada no lombo dos burros, o que demorava muito tempo, por isso a
necessidade da construção de uma estrada.
Como era muito amigo de D. Pedro II, Procópio conseguiu o financiamento para construir
a Companhia União Indústria em 1858. Mas o imperador fez uma exigência: era preciso
contratar colonos germânicos porque eram um "povo sério, trabalhador, honesto e
de muitos ofícios"
, conta. E mais, era preciso que houvesse famílias católicas
e luteranas em igual proporção para respeitar a cultura alemã.
O livro Os alemães e a Borboleta está disponível na Festa Alemã, que acontece até o dia 07 de setembro de 2008, no bairro Borboleta e no estande da Associação Cultural e Recreativa Brasil Alemanha.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF
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