Um filme sem cenas de violência, sexo, traição, corrupção e pobreza. Uma produção que mostra o amor ao próximo, incentivando a consciência ética e moral. Assim é Bezerra de Menezes - o Diário de Um Espírito, que conta a história do humanista desde o seu nascimento, em 1831, até sua morte, em 1900.
O filme foi idealizado e realizado pela Associação Estação da Luz, uma ONG que difunde a cultura de paz e realiza projetos sociais em Eusébio, no Ceará. Ele foi dirigido por Glauber Rocha Filho e Joel Pimentel, estreantes na produção de longa-metragem, assim como os diretores e voluntários da ONG. Os atores Carlos Vereza, Lúcio Mauro, Caio Blat e Ana Rosa dão vida aos personagens, nas gravações que se passaram no Ceará, Pernanbuco e Rio de Janeiro.
Pelo estilo transcendental, o filme foge dos padrões do cinema e, talvez por isso, tenha surpreendido alguns críticos quanto à bilheteria alcançada em quase três semanas de exibição. O longa entrou em cartaz no dia 29 de agosto, quando Bezerra de Menezes completaria 177 anos. De lá para cá cerca de 250 mil pessoas já devem ter assistido ao filme, segundo um dos diretores da ONG, Marcos Morais.
Apesar da surpresa de alguns, ele garante que não se sente surpreso. "Trabalhamos
para isso. Primeiro, muitos fizeram de conta que não estávamos ali, pois não
havia ninguém conhecido na produção. Agora, estão nos dando atenção"
.
O objetivo do filme é mostrar ao público que vale a pena dar mais atenção ao próximo,
reacendendo a consciência ética e moral na sociedade, que,
segundo Morais, estavam se apagando. "Hoje há mais importância para o ter do que para o ser.
Queremos inverter isso"
, ressalta.
Para ele, Bezerra de Menezes é o melhor exemplo, já que foi um dos maiores humanistas da história do Brasil.
"Ele foi político, médico, abolicionista, espírita e ecologista. No século XIX já deixou
a mensagem e o alerta sobre a preservação do meio ambiente e a importância da sustentabilidade"
,
completa ele.
Além disso, Bezerra era conhecido como o "Médico dos Pobres", título que obteve
da população com poder aquisitivo mais baixo, graças à sua devoção pelas causas sociais.
"Ele nunca deixou de atender quem batesse à sua porta"
, diz Morais. E a
voluntária da ONG Célia Diniz exemplifica com um treho do filme.
"Enquanto seu próprio filho estava doente, com febre, ele saui de casa para atender ao chamado de
uma senhora desesperada cuja filha estava muito doente"
, conta. E completa.
"Ele saiu de casa dizendo que Deus cuidaria de sua família, mas que ele não poderia deixar de atender
quem precisava"
.
Apesar de fugir dos padrões, o objetivo traçado para o longa é o que tem levado
tantas pessoas aos cinemas, segundo Célia.
Os brasileiros não querem conviver com a violência
urbana em seus momentos de lazer. "As pessoas estão cansadas. O que elas procuram é
a espiritualidade, elas querem encontrar Deus dentro delas mesmas"
. Para ela,
Apesar de retratar a vida de um espírita, Morais garante que ele não tem intenção doutrinária.
E Célia completa, dizendo que esta é uma tendência no cinema. "A grande mídia está
trazendo a questão da espiritualidade sem compromisso
com a crença religiosa. O filme traz a mensagem de paz, sem ferir os princípios religiosos de
ninguém"
.
Foram dois anos de trabalho até que a estréia acontecesse no final de agosto. A
roteirização, figurino, escolha do elenco e cenário tomaram cerca de 80% deste tempo.
Sobre a escolhe de Vereza para o papel principal, Célia diz que foi uma decisão muito acertada
pelo fato de o ator ter o tipo fisico, a voz meiga, o temperamento e a postura muito
parecidos com o que dizem de Bezerra de Menezes.
"A experiência dele também nos ajudou com o restante do elenco, pois ele convidou os outros a participar"
.
Entre as dificuldades, a financeira está em primeiro lugar. Todo o filme foi produzido com
aa verba da própria ONG. "Foi tudo na raça para que a gente transformasse sonho em
realidade"
.
Antes que a versão final ficasse pronta, uma primeira foi exibida no Congresso Internacional Espírita,
na Colômbia.
Ele aliava o drama com documentário e não foi muito bem recebido pelo público.
Então, as alterações foram feitas. Os depoimentos foram retirados e somente o drama
se manteve. "Isso gerou mais custos e gastamos mais tempo"
.
Entretanto, as dificuldades não desmotivaram a equipe. "A repercussão está
tão favorável e, msmo se não tivermos retorno financeiro, queremos investir em
mais produções como esta"
, afirma Morais.
Bezerra de Menezes - o Diário de Um Espírito chega a Juiz de Fora nesta sexta-feira, 19 de setembro.
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