Mais de três mil aves já foram retratadas por Eduardo Brettas, um pintor naturalista que se destaca pela perfeição com que ilustra as aves da América do Sul e Central. Há 16 anos, atuando na área, seu trabalho é reconhecido no território brasileiro e internacional.
Natural de Ponte Nova, o ilustrador vive em Juiz de Fora há 15 anos. Para ele, é uma cidade privilegiada devido à sua localização e por ter uma fauna e flora ainda preservada. Quando criança, descobriu o gosto pelo desenho e recebeu o incentivo dos pais.
"Desde de pequeno já gostava de desenhar animais, como elefantes, leões, dentre
outros mamíferos. Depois passei a admirar e ilustrar algumas espécies de aves, como
as águias e gaviões"
.
Na caminhada como pintor naturalista, recebeu ajuda de dois grandes ornitólogos do Brasil, Helmut Sick e Geraldo T. Mattos. Foi através desses profissionais que Brettas realizou o seu primeiro trabalho Aves em Santa Catarina, para a ornitóloga Lenir Alda do Rosário.
No currículo, acumula ilustrações em muitas revistas, artigos especiais,
teses, diversos encartes e coleção de aquarelas. Brettas afirma que no Brasil existem
poucos ilustradores de aves, o que torna a arte pouco divulgada. "A escassez destes
profissionais deve-se a inexistência de materiais para sua formação como ilustradores
naturalistas"
.
Com o seu trabalho, o pintor também tem o intuito de alertar as pessoas para a preservação
da natureza. Para ele, as aves são as mais belas criaturas que habitam a Terra. "Sua plumagem
rica em cores e a leveza de seu vôo nos mostram o nível de perfeição que esses animais
atingiram. Espero conseguir através do meu trabalho mostrar um pouco da beleza que sempre
podemos observar quando olharmos para o céu"
.
Atualmente, o seu principal projeto é terminar o livro Aves do
Brasil para a Universidade
de Princeton, no Texas. "O livro fica pronto em 2010"
.
Para realização de cada trabalho, Brettas pesquisa em livros, realiza visitas a museus e faz, principalmente, observações e esboços de aves no campo. O objetivo é uma ilustração que retrate a realidade da espécie e seu ambiente.
Trata-se de um trabalho artístico e também científico. Artístico porque as espécies são colocadas de forma harmoniosa na prancha, e científico pois há um estudo realizado sobre cada espécie, como suas cores, alimentação, forma e habitat.
Segundo o artista, um trabalho leva, em média, dez dias para ser concluído. Ele utiliza o guache e o acrílico. Todo o material é importado. Os papéis são franceses e alemães, as tintas holandesas e os finíssimos pincéis, ingleses.
"Todo artista que deseja iniciar na pintura ornitológica, deverá em princípio começar
a observar as aves no seu habitat. Deve estar atento ao seu comportamento em geral,
como voam, se alimentam e suas outras atividades, além de conhecer um pouco de seu
ambiente. Cada família possui hábitos diferentes. Não se deve ilustrar um gavião na
posição de um garrincha ou de um jacu, por exemplo"
.
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