"Nem mãe, nem tia... eu sou é avó!"
Jovens mulheres se deparam com o desafio de ser vovó

Chico Brinati
Repórter
25/07/05

Cabelos brancos, óculos, olhar singelo, bordado, tricô... Quando lembramos de nossas vovós, principalmente no Dia da Avó, comemorado em 26 de julho, geralmente é essa a imagem que temos delas. As características as tornam quase angelicais, parecem ser uma regra na personificação de todo o carinho que a mãe de nossos pais representa.

Mas se nossas avós fogem a essa regra? Quando, ao invés de contar uma história para os netos numa cadeira de balanço, elas estão na rua, paquerando, curtindo a noitada? Pois esses casos existem. São as chamadas "vovós modernas", mulheres jovens que já são avós e que mantêm uma vida social ativa.

Vovó que mais parece a mãe
É o caso da dona de casa, Maria Aparecida Gomes Sales (Cida), 46 anos, avó de Eduardo Gomes Sales, o Edu, de quatro anos. Essa vovó moderna, "casada" três vezes e hoje separada, gosta de sair freqüentemente, aproveitar a noite em boas conversas de bar, dançar. "Não me considero uma vovó, estou mais para tia", revela.


Quando soube da gravidez da filha, ficou assustada: "Nossa, vou ser avó!". Segundo Cida, ela cuida de Edu como se fosse seu filho caçula (além da mãe de Edu, Juliana, ela tem mais dois filhos, sendo que o mais novo, Bernardo, tem sete anos). "As pessoas acham que sou irmã da minha filha, que sou mãe do meu neto", completa.


Quando questionada se tem alguma diferença entre sua relação avó-neto com as vovós mais "tradicionais", ela responde com uma certa vaidade: "Tem muita diferença no nosso relacionamento em relação às avós que vemos aí... Vou proibí-lo de me chamar de avó", brinca. Essa atitude, porém, não impede que ela tenha grande carinho pelo neto. A primeira palavra que Edu lembra ao pensar na vovó Cida é "sono", pois é ela que o coloca para dormir.

Cida costuma desfrutar da noitada em companhia de pessoas mais novas e acredita que não sofre nenhum tipo de preconceito por ser uma espécie de "vovó moderna". Segundo ela, quase sempre que sai pela noite, recebe cantada de homens mais jovens. "No dia do meu aniversário, um rapaz de 29 anos, flertou comigo e demos uns beijinhos... O Edu morreu de ciúmes e foi sentar no meu colo me chamando de vó. O rapaz achou engraçado" E completa: "Estou bem, inteira! Estou viva! Não me sinto velha, tenho que aproveitar".

Mas o neto nem sempre disputa a atenção com as paqueras e costuma avisar quando a avó está sendo cantada na rua. Na hora do ciúme, a vovó dá uma bronca cheia de gírias: "Pelo amor de Deus, cara, me dá uma trégua". Se a vovó Cida tem alguma característica das avós tradicionais? "Até faço tricô, mas faço o tricô moderno, roupas que estão na moda, para eu mesma usar", diz.

Vovó, sim, com muito orgulho
Outro exemplo de vovó moderna é o da professora, Lilian de Fátima Martins (na foto à direita), 38 anos, mãe de Natália Martins, 19 anos, e avó de Arthur, três anos e Ana Beatriz, dois anos. Vovó Lili, como é conhecida, também ficou surpresa com a gravidez de Natália. "O início foi difícil, tinha 34 anos, mas consegui retomar a minha vida social com o tempo". Agora, ela se sente envaidecida.

"Faço questão que me chamem de vovó". Lili, que atualmente mantém um namoro de quatro meses, gosta de sair freqüentemente e de viajar. Numa dessas viagens, recebeu uma cantada de um menino de 18 anos, num carnaval em São João Nepomuceno. "Quando ele me disse o seu nome, eu respondi, nossa, seu nome é bonito, é o nome do meu neto", relembra a vovó, que, até hoje, cai na gargalhada com o episódio.

Lili mantinha com suas avós um relacionamento de muito respeito, uma distância maior, carinho, relacionamento que ela não mantém com os netos: "gosto de, ao invés de dar doces, dar informação a eles, revistas, livros didáticos. Não faço bolos, nem crochê. Acho que sou mais liberal". Para ela, a avó moderna tem que manter um diálogo muito aberto com os netos, com muita compreensão, cuidado, atenção.

Moderna ou tradicional, a vovó sempre vai ser aquela pessoa mágica que educa, que nos ensina e de uma forma especial, ajuda-nos a conhecer, na prática, o sentimento mais importante da vida: o amor.