Pais que cuidam dos filhos sem a presença da mãe passam por dificuldades, mas têm contato e conhecimento maior com os filhos
Sílvia Zoche
09/07/04
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Separação dos pais ou perda da
mãe. É uma fase nova da vida do(s) filho(s) e do pai. Difícil, mas
superável. O processo de
adaptação só é mais complicado quando
o pai não tem facilidade de dialogar com os filhos. A psicoterapeuta, Ana
Stuart (foto ao lado), diz que os filhos ficam muito carentes e o pai perdido.
Segundo a psicoterapeuta, é uma situação completamente diferente para esse homem que terá que colocar sua porção mulher para funcionar. No caso de viuvez, Ana Stuart indica a busca de orientação profissional de um médico, psicólogo, assistente social ou homeopata. "Não é para o homem se assustar, porque os filhos crescem e assumem as próprias perspectivas", diz Ana.
Obrigatoriamente, haverá uma mudança de hábitos total, tanto na alimentação, no acompanhamento escolar, nos conflitos característicos da idade, quanto na parte sexual.
A equipe do Portal ACESSA.com entrou em contato com duas famílias que passaram pela situação e, hoje, o pai tem orgulho de dizer que seguiu em frente e que valeu a pena! Confira:
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Amor acima de tudo
A compreensão e a paciência são essenciais para que o relacionamento seja
saudável, principalmente quando o pai tem que orientar uma filha.
Ana Stuart diz que pai com filho é mais tranqüilo, mas a criação de uma filha fica mais difícil, se o pai não teve uma aproximação muito forte com a própria mãe, quando criança.
"O homem que teve contato com o mundo feminino quando criança, consegue ter uma conversa melhor com a filha", diz.
A busca de carinho e atenção do pai é algo natural de um filho. Mas Ana lembra que o filho deve ter uma boa dose de compreensão com o pai. "O jovem deve buscar seus próprios caminhos através do estudo, de atividades diversificadas e amigos saudáveis. É mais fácil a criança e o adolescente se acostumarem com a nova situação do que o adulto sofrido", diz.
Guarda compartilhada
Para os casais que decidem não viver mais juntos, a guarda
compartilhada, apesar de não estar ainda no Código Civil, é uma
alternativa.
Mas o que é isso? Tanto o pai quanto a mãe têm a
responsabilidade de cuidar do filho, em dias da semana determinados.
O juiz de Direito da 6ª Vara Civil de Juiz de Fora, Francisco José da Silva, diz que a questão ainda gera polêmica entre os juristas. "Alguns são a favor e outros contra", diz.
A favor, porque o filho tem convivência constante com o pai e com a mãe e por terem acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que orienta o casal. "É obrigação dos dois cuidar do filho ou dos filhos que geraram", afirma o juiz. Os que são contra dizem que é inviável para um casal pobre pagar uma equipe de profissionais que os oriente, além da criança não ter um local fixo de moradia.
Mas, para o juiz é possível que o estado ajude no pagamento destes procedimentos profissionais. "É importante para o Estado formar bons valores, além de ter a preocupação com as crianças que serão melhores no futuro", explica.
Como diz a psicoterapeuta Ana Stuart, o importante é não ter discussões e gritos, tanto entre o casal quanto entre pai e filho.
A psicoteraupeuta Ana Stuart fala sobre
a importância do diálogo entre pai e filho nesta fase nova da vida
Esta é uma das frases que o juiz de Direito da 6ª Vara Civil de Juiz de
Fora, Francisco
José da Silva (foto ao lado), cita na entrevista.
A história de Henrique Rocha de Melo é diferente. Com a primeira esposa teve oito
filhos. Como sua mulher morreu cedo, Melo cuidou dos
meninos com dificuldade, porque trabalhava como operário na grande São
Paulo e viajava muito.