Lei da portabilidade começa a valer em Juiz de Fora As mudanças vão acontecer com o objetivo de diminuir as reclamações nos órgãos de defesa do consumidor. Em JF, setor é o campeão em reclamações
Repórter
01/11/08 *
O empreiteiro de pintura há 12 anos, Robson Santiago, usa o mesmo número de celular há oito anos e há três
decidiu que queria mudar de operadora. "Estou achando a minha muito cara e
quero optar por uma que cobre mais barato"
, diz. Porém, para mudar de operadora
ele não poderia usar mais o mesmo número, o que não seria bom, pois o telefone
é usado para trabalhar.
"Se o número do meu celular mudar, vou perder cerca de 70% dos clientes que tenho"
,
diz Robson. O caso de Robson é o mesmo de muitos brasileiros.
Por isso, a Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu examinar a proposta
que possibilita a mudança de operadora, conservando o mesmo número do celular, chamada portabilidade.
Em algumas cidades, o projeto-piloto já está sendo implementado desde agosto de 2008. E, em Juiz de Fora já começa a valer a partir dessa segunda-feira, dia 03 de novembro. A exigência da lei em todo o país deve entrar em vigor até março de 2009.
A advogada do Procon de Juiz de Fora, Cláudia Maria Lazzarini, diz que
a forma como a tarifação vai acontecer ainda está sendo estudada para este caso.
Segundo ela, a cobrança é feita a partir da identificação das operadoras e, para isso,
é usado o prefixo, como 88, 99, 84 etc. "A partir do momento em que mudar de operadora sem mudar
o número, como a ligação vai ser tarifada?"
, questiona.
A portabilidade parece ser positiva para os clientes, mas uma vendedora de uma loja de
telefone celular, no centro de Juiz de Fora, e que não quis se identificar, aponta um problema.
"A tendência é que as promoções que oferecem bônus para os clientes em ligações para
telefones da mesma operadora acabem. Isso deve acontecer, porque não vai haver como identificar
as operadoras"
.
As mudanças imediatas
Além da portabilidade, outras mudanças pretendem facilitar a vida dos consumidores.
Entre elas estão a fidelização. A fidelidade vai acabar, pois as pessoas não
vão precisar esperar o período de carência para mudar de plano ou de operadora.
"Se o plano que ela comprou não atendê-la, será possível mudar. Isso é bom, porque a
maioria das pessoas alega que foi mal informada na hora de adquirir o plano"
,
comenta a advogada.
Para este caso, a vendedora diz que quando o celular for pré-pago, não vai haver problema.
No entanto, para o caso dos pós-pagos, o cliente pagou um valor mais baixo no aparelho por conta
dos benefícios do plano. "Então, o cliente ainda vai ter que permanecer com o
mesmo plano, já que pagou mais barato pelo aparelho devido às condições"
.
Cancelar a linha é uma tarefa difícil para a maioria dos clientes de celulares pós-pagos.
Dessa forma, as operadoras vão ter um prazo de 24 horas para cancelar, após o pedido do usuário,
que pode ser feito em qualquer loja autorizada. "Neste prazo, as empresas devem enviar
o número do protocolo para o cliente e cancelar o serviço. E não é somente para este
pedido. Elas ficam obrigadas a cumprir este prazo na solicitação de qualquer serviço
por parte dos consumidores"
, esclarece a advogada.
Também são muito comuns as reclamações por cobranças indevidas. Neste caso, as
operadoras devem devolver, em dobro,
o valor cobrado. "Esta é uma determinação que já existe no Código de Defesa do Consumidor
(CDC)"
, completa ela. Da mesma maneira, as ligações realizadas há mais de três meses
só podem ser cobradas após negociação com os clientes. "Isso é importante, pois
os consumidores contestam a conta. Nessa semana, consegui reduzir em quase R$ 200
uma conta"
.
Como há uma grande variedade de planos, fica decidido que os clientes de celulares
pós-pagos podem fazer, gratuitamente, e a cada três meses, uma simulação, comparando
o seu plano e os outros existentes. "Assim, ele vai saber, realmente, qual vai
atendê-lo melhor"
, explica Cláudia.
Para os pré-pagos, a novidade é a validade dos créditos. Atualmente, os créditos são válidos
de acordo com o valor da recarga. Segundo Cláudia, isso não vai acontecer mais e,
agora, eles vão valer até 180 dias. "Este é um benefício para quem fala pouco, que
estava sendo penalizado por usar menos o celular"
. Os consumidores ainda possuíam
crédito e faziam a recarga apenas porque eles haviam expirado. Algumas operadoras não devolviam estes
créditos, mas agora isto também é obrigatório.
No caso da inadimplência, as empresas são obrigadas a esperar 15 dias para cortar o serviço.
"Hoje, com seis dias já tem operadora cortando a linha. A mudança é benéfica, porque algumas pessoas
só têm o celular e acabam ficando incomunicáveis. Às vezes, eles não pagaram a conta
por ainda não terem recebido o pagamento"
.
Entre as ligações que poderão ser feitas de graça, estão os serviços de emergência.
Isso acontece mesmo que a pessoa não tenha créditos ou que eles tenham se expirado.
"Essa regra vale para os serviços de polícia, bombeiros e até para o 102, da informação,
que atualmente é pago"
, completa.
* A matéria acima foi escrita em 12 de fevereiro de 2008 e atualizada no dia 01 de novembro de 2008
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