Em face às profundas discriminações que os soropositivos sofreram nos anos 80 e
início dos 90, o Grupo Espírita de Assistência aos Enfermos (Gedae) resolveu
fundar, em 1989, um centro de recuperação dedicado, principalmente, a
portadores do vírus HIV. Apesar disso, a casa recebe também pessoas com outras enfermidades, como
câncer, por exemplo. Os
doentes vêm não só de Juiz de Fora, mas também de cidades da região, como Muriaé,
Leopoldina, Ponte Nova, Viçosa...
"O centro de recuperação tem o objetivo de dar assistência aos enfermos,
tentando levantar o astral do doente, além de fornecer a eles amor fraterno,
amparo psicológico, espiritual e melhores condições de vida"
, informa o
diretor-presidente do Gedae, Laércio Rocha.
A instituição mantém, desde 1996, uma sede própria, chamada de Casa de
Apoio Lar de Jesus, localizada no Bairro de Lourdes. O Lar possui,
atualmente, 40 leitos, mas, infelizmente, não tem capacidade para abrigar
tantos enfermos. "Atendemos de 15 a 18 doentes, pois ainda não temos condições
para mais"
, conta Laércio. Segundo ele, a alimentação, roupa de cama e parte
da medicação fica por conta da instituição. "O governo estadual só repassa
os medicamentos básicos (do coquetel). Mas existem também as doenças
oportunistas, consequência da baixa da imunidade, provocada pelo vírus HIV.
Os soropositivos têm muitas destas doenças e somos nós quem temos que comprar os
remédios"
, explica.
O espaço ocupado pelo Gedae é grande e conta com quatro amplos quartos, dois
para os homens e dois para mulheres; banheiros; salas de convivência, com
TV; copa; cozinha; quartos para as crianças; berçário; lavanderia
industrial; sala para orações; salas para futuras oficinas de trabalho; varanda; e até um projeto de uma pequena UTI,
que não foi desenvolvida ainda devido à necessidade de médicos e enfermeiras durante 24
horas, além de gastos que estão fora do
alcance da instituição, no momento.
De acordo com Laércio, no final de 2003, o Gedae foi uma das instituições
agraciadas, dentre outras 51 no Brasil, com recursos da Fundação Bill &
Melinda Gates. "O dinheiro veio em ótima hora, porque nos deu oportunidade
para reformar a casa, azulejar, colocar piso, aumentar alguns cômodos...
hoje a casa está muito mais agradável para se viver"
, diz.
Além destas reformas, a comunidade voluntária do Gedae está feliz também por
outro motivo. Para 2005, foram aprovados três projetos que irão melhorar
ainda mais o atendimento da instituição. "A Secretaria de Estado da Saúde
aprovou nossos projetos no Programa Nacional DST-AIDS e, agora,
teremos recursos para usar os 40 leitos da instituição"
, avisa Laércio. Além
disso, a instituição também conseguiu recursos para aumentar a equipe que
trabalha no Lar e ainda dar continuidade a um projeto interessante, que vai trazer sustentabilidade à
casa.
"Estamos nos reestruturando este ano para, com os novos recursos,
conseguirmos angariar mais voluntários, e talvez até contratarmos alguns.
Também precisamos dar sustentabilidade à casa"
, avisa Laércio. Para
conseguir isso, o grupo tenta de tudo: bazares, jantares, contribuições de
sócios, doações, parceria com a Cemig... Mas o que está animando mesmo a
instituição é um broa gostosa que o Grupo está fazendo, e que está sendo
vendida a uma média de 150 por semana. "Mas, para 2005, vamos tentar
aumentar para 500"
, conta o diretor, confiante.
O Grupo Espírita pretende também, este ano, aprovar outro projeto para
atender às crianças de 0 a 2 anos e adolescentes, filhos de
soropositos. "Foi realizado um levantamento junto ao Programa
DST-AIDS, onde já foram cadastradas mais de cinquenta crianças"
, avisa
Laércio. Os recursos do governo estadual para este projeto ainda não foram
repassados, mas, assim que o forem, o diretor avisa que o próximo passo será
contactar as famílias, observar suas necessidades reais e escolher as
crianças.
"Serão atendidas dez crianças internas e 15 crianças externas"
, explica. As
internas ficam na instituição; já as externas são apanhadas em suas casas
pela manhã e devolvidas à noite, como numa creche.
De acordo com Laércio, hoje, os portadores do vírus HIV têm condição de
possuírem qualidade de vida bem melhor do que antes, se tomada a medicação
correta. "E é isso que a gente tenta fazer aqui no Gedae: tratamos dos pacientes, damos
assistência, oferecendo uma estrutura de recuperação, para que ele se
reintegre à sua família"
, informa.
A equipe do Gedae, atualmente, é formada por quatro enfermeiras, uma
psicóloga, um médico coordenador e voluntários. Então, pode-se perceber que
não é só de doações que o Grupo precisa. Se você quiser ser voluntário,
basta entrar em contato com a instituição. O mesmo ocorre para as doações. O
Gedae está localizado na Rua Maria Gonçalves Torres, nº 150, no Bairro de
Lourdes. O telefone para contato é 3235-1039.