Pastoral do Povo de Rua Voluntários ajudam moradores de rua e dão lição de humanidade
Repórter
02/02/2005
A Pastoral do Povo de Rua, que trabalha junto à população de rua e pertence à arquidiocese de Juiz de
Fora, acaba de adquirir uma sede, onde poderão ser realizados outros
serviços de ajuda, além dos que já vêm sendo feitos até o
momento. Segundo os coordenadores do projeto, Aline Elisa de Souza e
Bruno César Britto, a sede atenderá às segundas,
quartas e sextas, de 13h às 18h, e às terças e quintas, de 8h às 12h.
"Esta casa tem o objetivo de ser um espaço de convivência para os moradores
de rua, oferecendo ajuda nas dificuldades, buscando soluções para os
problemas do dia-a-dia, promovendo palestras educativas e informativas.
Queremos também oferecer um grupo de apoio para quem tem dependência
química, com reuniões mensais; além de um espaço cultural para exibição de
filmes, biblioteca..."
, diz Aline.
Também está nos planos do grupo as tardes de lazer, com jogos, confraternizações e ser um espaço de acolhida para os que necessitarem, como no caso de migrantes - pessoas que passam pela cidade em direção a outros lugares - que não sabem onde encontrar os serviços que precisa, como médicos, dentistas e orientações para tirar documentos.
A Pastoral sempre teve um trabalho diretamente ligado à rua e, segundo Aline
e Bruno, vai continuar sendo assim. "O trabalho não vai mudar, só melhorar"
,
explica Aline. A casa surgiu de uma necessidade que os próprios moradores de
rua apontaram. "Às vezes, a gente chegava e eles perguntavam onde poderiam
nos encontrar, caso precisassem. E a gente não tinha uma sede"
, lembra.
"Acreditamos que será um espaço só deles. Nós vamos coordenar a casa, mas
são eles que vão colaborar na organização e funcionamento... vamos colher
sugestões do que eles esperam deste local para que a gente possa adaptar a
casa ao que eles realmente necessitam"
, completa Aline.
A sede não pretende ser um albergue, pelo contrário. "O espaço não é
suficiente e este também não é nosso objetivo. Não queremos fazer um
trabalho paralelo ao que já existe aqui na cidade. A Pastoral busca
encaminhar para a entidade certa, que poderá resolver o problema da pessoa,
e não repetir o mesmo atendimento"
, avisa. "Somente em casos especiais,
quando a entidade não conseguir solucionar o problema, a Pastoral pretende
ajudar na solução"
.
Trabalho Contínuo
A Pastoral do Povo de Rua existe desde 1999 e integra as paróquias
Catedral,
São Sebastião,
Glória,
Rosário,
São Mateus,
Bom Pastor e
São Pedro. O grupo
tem 12 voluntários fixos e chega, às vezes, a contar com cerca de 30 pessoas
envolvidas nos projetos.
Dentre as atividades realizadas junto à população de rua estão as Rondas, que acontecem geralmente aos domingos. Os voluntários levam lanche para quem está nas ruas e, durante esses momentos, tentam se aproximar, conversar, conhecer suas necessidades e realidade.
"Gostamos de fazer aos domingos porque este é um dia ruim para a população
de rua, sem movimentação, comércio fechado, muitas instituições também não
funcionam e eles têm dificuldade de conseguir se alimentar neste dia"
, diz
Aline.
O grupo também comemora os aniversários do mês, com bolo, sempre em
uma praça pública diferente. O evento acontece todo quarto domingo do mês e
tem o objetivo de resgatar a auto-estima e levar um pouco de alegria aos
moradores de rua. No encontro também acontece uma celebração ecumênica, não
católica, respeitando, assim, a fé de cada um.
"Outro objetivo nosso, com esse evento, é mostrar para a sociedade que o
morador de rua é capaz de se organizar, de se enturmar, tentando
desmistificar que eles estão sempre alcoolizados, sujos. Queremos mostrar o
outro lado também"
, enfatiza.
Os voluntários contam que a tarde de lazer era uma das atividades onde eles se encontravam
para assistir a filmes, jogar dama, baralho, e lanchar. Agora, na nova
sede, o dia para o evento ainda está para ser definido, mas vai acontecer.
"Aquelas duas ou três horinhas em que eles passam longe das ruas já
significa muito, pois são horas em que eles estão fora das ruas, lugar
propício ao alcoolismo, à violência. A realidade da rua é muito difícil,
também devido à discriminação e preconceito"
, acrescentam.
Além da Rua
Engana-se quem pensa que população de rua é só quem mora na rua. Muitas
pessoas que você vê ali, possuem família. Alguns, até casa. "Temos vários
casos de pessoas que possuem família, mas que estão desempregadas e ficam a
maior parte do tempo na rua. Alguns até vão para um albergue devido a um
desentendimento familiar, vergonha ou alcoolismo"
, conta.
Segundo os coordenadores, o trabalho da Pastoral é ir além da rua. "Tentamos
manter o contato com quem atendemos, ir até onde o morador de rua está,
mesmo que esteja em albergue, hospitalizado ou encarcerado"
. Eles também
fazem o acompanhamento de ocupações, levando apoio e assistência.
"Visitamos regularmente prédios e casas ocupadas pelos
moradores de rua, para ver como eles estão vivendo, observar suas
necessidades e ajudar"
, informam.
O trabalho da Pastoral, além de bonito e humano, é emocionante,
ainda mais para quem o recebe. Que o diga a dona de casa Efigênia. Ela
morava com mais 4 pessoas, em um local onde não havia a mínima condição de viver com
dignidade. Graças à Pastoral, sua casinha foi reformada. "Era uma
emergência. A casa era feita de madeira e latas, e estava para cair.
Conseguimos doações e isto nos permitiu melhorar um pouquinho a vida desta
senhora"
, declaram.
Como Ajudar
A sede da Pastoral está situada na rua Rei Alberto, 264. Quem quiser ajudar ou ser voluntário nesta Pastoral, basta entrar em contato com a Catedral Metropolitana, pelo telefone 3215-8141 ou 3216-3729. Uma ajudinha nunca é demais.
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