Qualidade de vida a pessoas surdocegas com múltiplas deficiências pela
paralisia cerebral. Inserção na família, na escola e na
sociedade como um todo. Proporcionar independência, comunicação, capacitação
profissional e relacionamento com o mundo. Estes são alguns dos objetivos do
Instituto Bruno Vianna, criado em 3 de janeiro de 2000, em Juiz de Fora.
Quem conta como funciona a instituição é a psicopedagoga, que aprofundou seus estudos sobre pessoas especiais, e também coordenadora geral do Instituto, Maria do Carmo Vianna.
Capacitação de profissionais
Tudo começou com o nascimento do sobrinho-neto de Maria do Carmo, em 1997, que teve meningite e precisou ficar internado por dois meses no CTI. As seqüelas primeiras percebidas pelos familiares foram a motora e a visual. Somente depois de um ano é que viram que Bruno tinha deficiência auditiva. Em busca de ajuda em Juiz de Fora para pedir orientação, Maria do Carmo se deparou com pessoas sem conhecimento de como ajudá-los.
"Fui buscar orientação em outras cidades, com outras pessoas"
. E encontraram em São
Paulo uma instituição que trabalha com a surdocegueira. "Levamos o Bruno e
fiz um curso de especialização no Mackenzie sobre pessoas especiais"
, conta.
Passados três anos, em 2000, resolveram trabalhar com pessoas surdocegas e
também com múltiplas deficências. A fisioterapia, fonoaudiologia e a
orientação familiar foram os primeiros serviços prestados pela entidade
filantrópica, sem fins lucrativos, que surgia na cidade. Primeiro,
em casa, depois na escola que trabalhava e iam também na residência de alguns
assistidos. "Logo no início, começamos com cerca de dez atendimentos. Antes de
completarmos um ano, já eram 20"
, conta a coordenadora. Atualmente, seis
anos depois, em média 62 pessoas são atendidas, 38 assistidos e diversas pessoas cadastradas
esperando atendimento.
E a evolução não pára por aí. Se, em 2000, eram sete voluntários trabalhando em prol da entidade, agora sãos mais de 40 pessoas, entre funcionários, voluntários atuantes e prestadores de serviços.
O atendimento aberto a toda comunidade veio em 2002, quando o Instituto
conseguiu a autorização municipal de utilidade municipal. "Hoje, nós já temos
a utilidade estadual, federal e o certificado de Assistência Social em
processo. Somos cadastrados no Conselho de Pessoas com deficiência, da
criança, da Assistência Social e da Saúde"
, conta.
Em 2003, receberam um prêmio do Conselho Municipal de Assistência Social de Juiz de Fora pelos serviços prestados em âmbito municipal. No dia 15 de setembro de 2006, o Instituto será homenageado pela Embrapa que reconhece a dedicação da instituição a seus assistidos.
São diversos trabalhos desenvolvidos na entidade. Na Saúde, existe a área de reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia, integração sensorial e comunicação alternativa. O Instituto faz encaminhamento para clínica médica e algumas vezes é possível que especialistas como neurologistas, ortopedistas, pediatras, psicólogos atendam no Instituto Bruno Vianna.
Libras
Aulas na comunidade
Vivência duranteNa Educação, há projetos de apoio escolar; aulas de braile e libras adaptadas; orientação mobilidade; aula de dança e música; oficina pedagógica, com atividades como Artes e Papelaria.
Na área de Assistência Social, de acordo com a ficha sócio-econômica da pessoa e depois de ter sido encaminhada a órgãos públicos, a instituição oferece cesta básica, cadeira de rodas, remédios e tutor (espécie de tala acrílica que impede o encurtamento dos nervos). A família também recebe apoio através de palestras, cursos, atendimento psicológico, participa de cursos na Escola de Pais (como os de costura, velas, tricô, cabelos...).



Para que a comunicação com a comunidade aconteça são realizados eventos que promovem a integração como nas atividades do Recrear, elaboradas por alunos de Educação Física. "A comunidade é convidada a participar das brincadeiras como voluntários", explica Maria do Carmo. Este ano, por exemplo, no Dia das Crianças, sete vizinhos da instituição e cinco doadores foram convidados a participar da festa, assim como acontece nas festas de fim de ano. Existem cursos elaborados especialmente para capacitação de profissionais internos e externos.
Maria do Carmo agradece o apoio da comunidade, porque são as doações que ajudam a manter a entidade. Mas ainda buscam parceria com o poder público.
Para cadastrar a pessoa que você conhece com paralisia cerebral, surdocegueira e múltipla deficiência e para colaborar com a instituição, você pode ligar para (32) 2102-4334, que a instituição busca a doação em sua casa ou pela Caixa Econômica Federal, Ag. 1471, Conta poupança 1025-0. Para conhecer o Instituto Bruno Vianna, o endereço é na Rua Paula Lima, 243, no Jardim Glória.