Direitos Humanos
matéria em audio matéria em audio

Doações de sangue acima da média nacional Cerca de 2,8% dos juizforanos doam sangue. A expectativa é atingir os 5% estabelecidos pelo Ministério da Saúde


Renata Cristina
Réporter
22/11/2006

Uma festa regada à música, alegria e, principalmente, muitas homenagens. Foi este o clima da cerimônia realizada pelo Hemominas de Juiz de Fora, na noite de ontem, 22 de novembro. A solenidade homenageou empresas socialmente responsáveis e doadores de sangue recordistas em número de doações no Hemocentro.

O Portal ACESSA.com foi um dos agraciados com o prêmio e a editora geral Ludmila Gusman ficou encarregada de receber o diploma de Honra ao Mérito, pelo apoio recebido na divulgação dos trabalhos realizados nos programas de doação de sangue. Além do Portal ACESSA.com, mais quinze empresas locais também foram contempladas com a homenagem.

A coordenadora do Hemominas, médica hematologista, Andréa de Magalhães, conta que a cidade está acima da média nacional em número de doações (2,8%), sendo que a média nacional é 1,7%. Tudo isso, segundo a médica, devido ao constante apoio da imprensa e parceiros durante as campanhas. "Em Juiz de Fora, não temos banco de sangue particular, fato que nos leva constantemente a elaborar estratégias de divulgação", observa. Mesmo acima da média, a cidade ainda tem o desafio de chegar ao índice de 5% da população total do município, estabelecido pelo Ministério da Saúde.

Os recordistas

As grandes estrelas da festa foram os recordistas em doações. Em um cenário onde são necessárias 150 doações diárias para abastecer os 56 hospitais na região, os amigos fiéis do Hemominas são peças fundamentais. A premiação contemplou as categorias bronze (15 doações), prata (25 doações), ouro (35 doações) e diamante (50 doações). Mas não se assustem! Estes números são registrados ao longo da vida e não somente este ano, como alguns questionavam no evento.

Um dos maiores doadores do Hemominas é o medalha de diamante Luiz Carlos de Almeida (foto acima), 48 anos. Ele possui em seu ranking nada mais, nada menos que 67 doações de sangue. Luiz Carlos recorda que a sua primeira doação foi para um hemofílico da cidade de Matias Barbosa. "Depois disso, nunca mais parei de doar", conta com um sorriso estampado no rosto.

Ao longo dos 17 anos como doador, Almeida observou que as mulheres estão cada vez mais solidárias e se envolvendo em campanhas para a captação de doadores. "Há anos, não se via mulher doando. Hoje, vemos muitas aqui sendo premiadas, mas o que quero ver mesmo é uma delas conquistando o diamante", lança o desafio. Embora Luiz Carlos comemore a participação "delas" na homenagem, as estatísticas do Hemominas revelam que o sexo feminino representa apenas 32% do efetivo doado. Algumas barreiras como a desinformação e o medo são alguns dos problemas vistos pelos especialistas no assunto.

Mesmo sendo minoria, as mulheres não deixam de ser representadas com mérito durante os 14 anos de premiação. A dona de casa Regina Margarida Ambrósio de Oliveira, 54 anos, é medalha de prata nessa disputa. Em 1995, ela realizou sua primeira doação de sangue para ajudar a filha com uma doença grave. "Houve uma época em que tive de fazer campanha e arrumar 50 doadores. Infelizmente, minha filha partiu, mas o hábito de doar permaneceu em todo o meu círculo de amizades", afirma. Só na cerimônia, Regina levou amigas e parentes que também receberam prêmios.

Um dos representantes masculinos da medalha de prata é Antônio Carlos Leite Nascimento que tem no currículo mais de 35 doações. Ao contrário de Regina, ele nunca teve alguém na família que precisasse de transfusão, no entanto, pretende doar até o final de sua vida. "Vi uma propaganda na televisão e resolvi participar da campanha", revela.

O motorista Carlos Roberto da Silva, 34 anos, é doador há 14 anos e começou sua jornada quando servia o Exército. Hoje, ele é medalha de ouro no ranking, com chances de chegar ao diamante nos próximos anos. "Se depender de mim, vou conseguir. Me preparo de coração, pois são menos de cinco minutos para ajudar alguém", diz. A lição de solidariedade contaminou a esposa e os filhos de Carlos, que também compareceram à cerimônia de premiação.

Nessa disputa acirradíssima para ver quem doa mais, a dona de casa Maria José Tavares, também foi incentivada por um caso de doença na família. "Na época, minha sogra estava doente. Depois disso, sempre me lembro que alguém pode estar precisando". Para as mulheres medrosas, Maria José dá um conselho: "não dói nada. É muito tranqüilo". Hoje, ela é medalha de bronze.

Já o casal Camila e Marcelo Ferreira disputam entre si o número de doações. "Agora estou em desvantagem, pois estou grávida e não poderei doar durante os nove meses", lamenta Camila.

Para chegar ao recorde do maridão, ela terá que correr contra o tempo, já que Marcelo é medalha de bronze. "É muito digno e humanitário o ato de doar sangue", salienta o premiado.


A homenagem do Hemominas foi realizada aos 158 doadores cativos. Estes são apenas alguns casos que ilustram a reportagem.

Saiba como doar

Se você também quer ajudar e fazer a sua doação de sangue, plaquetas ou medula óssea, é só se dirigir ao Hemominas (Avenida Andradas, ao lado do Palácio da Saúde). Veja o que é necessário para doar:

  • Ter e estar em boa saúde
  • Peso superior a 50Kg
  • Idade entre 18 e 65 anos
  • Não ter tido hepatite após os dez anos