Centro de Acolhimento a Criança e Adolescência Oficinas terapêuticas e a arte como transformação são as ferramentas do Caia na construção da cidadania de mais de 200 crianças
Repórter
06/03/2007
Histórias de sucesso é que não faltam ao Centro de Acolhimento a Infância e a Adolescência (Caia). Com trabalhos voltados para crianças e adolescentes em situação de risco ou que apresentem desvio de comportamento, o Centro se orgulha em dizer que a palavra "transformação" faz parte sim do dicionário cotidiano de quem acredita nesse sonho.
Isso porque atenção, amor, cidadania e arte nunca são palavras que sobram, que passam por alguém sem causar impactos positivos. No Caia, as crianças são entendidas em seus problemas, sem contudo, perderem nenhum brilho.
"Não propomos o modelo ideal de criança aqui. Trabalhamos com quem tem desvios, sofrimentos,
e nosso objetivo, portanto, é dar a chance para que essas crianças e adolescentes vejam
que existe
um futuro promissor para elas - basta querer"
, explica
Hermínia Bailes, coordenadora do
atendimento fonoaudiológico no Caia.
A Organização Não-Governamental existe desde 2001 e trabalha na formação da cidadania e na reformulação de comportamentos de aproximadamente 200 crianças e adolescentes. Os atendidos são encaminhados por escolas que possuem algum tipo de problema com esse público, Conselhos Tutelares e outras instituições.
Ao chegar no Caia, as crianças passam por uma acolhida, que procura conhecer o histórico de vida dessa criança e entender o comportamento que o levou até ali, assim como os que elas possam ter ao longo da estadia no projeto. Um grupo de profissionais realiza a avaliação social e investigação das "demandas" daquele jovem.
Com a informação na mão, essas crianças e adolescentes são encaminhados para as oficinas terapêuticas, aulas de artes ou atendimentos psicológicos e fonoaudiológicos do projeto. A lista de atividades é extensa e há subdivisões, mesmo dentro das dezenas de oficinas.
Oficinas de dança, artes, musicoterapia, moda, bijuterias... Existe de tudo um pouco e de acordo com a necessidade e o interesse da criança. Nessas oficinas, mais do que ocupar o tempo e desenvolver alguma atividade, esses jovens aprendem um ofício, ganham auto-estima, confiança e melhoram a socialização.
"Aqui elas não aprendem só a técnica. A idéia dessas oficinas é oferecer uma forma de
expressão para essas crianças, que tanto têm o que falar. Todas chegam com algum tipo de
sofrimento, chegam agressivas, agitadas e, muitas vezes, não se percebe que isso é
conseqüência de um sofrimento. A Arte funciona para elas como uma via para
conhecer o mundo"
, explica a professora de Artes, Raqueline Bastos.
O Caia procura trabalhar também com as famílias das crianças, por entender
que essas pessoas são a base para o sucesso do atendimento que, como
gostam de frisar várias das responsáveis, "acontece respeitando o tempo da
criança ou adolescente"
.
Na ONG também são desenvolvidos outros dois projetos paralelos: o de DST/Aids, que procura esclarecer, por meios de palestras, oficinas e abordagem dos pais na sala de espera, os riscos e prevenções dessas doenças; e o Projeto Ambulatorial que presta atendimento psicológico e fonoaudiológico para adultos ou pais de crianças que participam das oficinas do Caia.
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