Direitos Humanos

Terça-feira, 02 de outubro de 2007, atualizada às 18h15

Presos recebem oportunidade de emprego em Penitenciária de JF


Thiago Werneck
Repórter

Os detentos da Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, no bairro Linhares em Juiz de Fora, têm uma oportunidade de reduzir suas penas e ganhar dinheiro. Três empresas instalaram unidades de produção dentro do complexo penitenciário e oferecem emprego para 92 detentos. Parte do salário recebido vai para uma poupança do preso, outra para família e uma terceira fica com estado.

Já funcionavam na Penitenciária a produção de uma Lavanderia Industrial onde eles fazem acabamento em peças de jeans; uma padaria com produção diária de 2300 pães para consumo dos próprios detentos e em setembro uma empresa de malhas também aderiu ao projeto dando emprego a 20 detentos.

Nesse serviço eles agrupam meias em pares, passam, envelopam, etiqueta e embalam as meias. Para a gerente de Recursos Humanos da empresa, Simone Salles , essa é a oportunidade de promover ressocialização e dar uma nova oportunidade aos detentos. "Nosso interesse é reinserção social. Estamos preparando eles para o trabalho", conta.

A idéia partiu da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata. Segundo o analista em Comércio Exterior da entidade, José Lopes Corrêa Netto, tudo começou com a vontade de se fazer um projeto para ajudar os detentos. "Conversamos com o diretor da penitenciária e ele se mostrou receptivo à proposta. Depois apresentamos o projeto a empresas da cidade mostrando os benefícios", recorda.

Os presidiários não são amparados pela leis trabalhistas e por isso não têm férias, décimo terceiro e nem custam outros encargos. "É bom para empresa que tem esses benefícios e para o preso que tem pena reduzida e ainda ganha dinheiro ", destaca José Lopes. A cada três dias trabalhados, um é reduzido da pena. "Quanto menos tempo eles ficam dentro da penitenciária, mais a sociedade ganha tendo gastos do dinheiro público", ressalta.

Os detentos passam por período de treinamento e na saída da penitenciária ganham certificado de referência da empresa. "Não posso prometor emprego para eles, mas pode ser que eles conquistem uma vaga na nossa empresa, só não posso garantir", afirma Simone. José Lopes reforça que esse tipo de trabalho dentro da Penitenciária não gera desemprego. "As indústrias de Juiz de Fora estão carentes de mão de obra qualificada e por isso eles não estão tomando vaga de ninguém", conclui.

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