Segundo o presidente voluntário da ALAE, José Mauro Cupertino,
a instituição teve início em uma criança com Síndrome de Down. "Em 1979, um
casal teve um filho com problemas mentais e resolveu criar o Centro Cultural
Branca de Neve, com o intuito de inserir pessoas com problemas mentais em convívio
com crianças comuns"
, lembra.
O objetivo inicial era tratar esse público com naturalidade, permitindo a ele um acesso às atividades cotidianas e um relacionamento com as pessoas da sociedade. Trata-se de um trabalho participativo e inclusivo, no entanto, em 1985, o casal resolveu voltar atrás na decisão e buscar um auxílio específico para a criança.
A demanda por um atendimento especial às pessoas com algum tipo deficiência fez com que a escola se aprimorasse e voltasse suas atividades exclusivamente para eles. Para isso, através de oficinas, as pessoas com deficiências têm acesso ao atendimento psicológico, terapêutico, fisioterápico.
A partir desse marco, o Centro Cultural tornou-se uma associação entre pais de crianças com deficiência mental ou com Síndrome de Down para oferecer uma oportunidade para que essas pessoas elevassem sua auto-estima e tivessem uma função para a sociedade. Segundo Cupertino, os trabalhos realizados pela ALAE permitem para os assistidos e suas famílias um tratamento psicológico, pedagógico e um acesso inclusivo na sociedade, através de parcerias.
Parcerias com empresas que oferecem vagas no mercado de trabalho, com pessoas jurídicas e físicas que contribuem mensalmente para a manutenção do trabalho realizado pela entidade, além de parceria realizada com espaços que permitem a concretização do projeto extra-muros, que é um momento em que os deficientes participam de atividades fora da sede da ALAE e têm oportunidade de conhecer novas pessoas e conviver com pessoas que não têm problemas mentais.
"Essas parcerias são muito importantes para o nosso funcionamento. As pessoas
ajudam na organização dos nossos eventos beneficentes, fazem doações para a
manutenção da instituição e têm empresas e entidades que nos oferecem a oportunidade
de fazer com que nossos assistidos sejam mais valorizados e participem efetivamente
da construção de uma cidadania e de uma comunidade consciente. Além disso, o contato
com pessoas comuns faz com que eles se sintam melhores e mais especiais, com a
percepção de que têm a capacidade de ingressar no mercado de trabalho, ou mesmo
de desenvolver uma atividade especifica como esporte, teatro, lazer e cultura"
,
afirma o presidente.
Cupertino comenta que é preciso oferecer o apoio não só para as pessoas com deficiências mentais,
mas também para seus familiares. "Eles são todo o apoio sentimental, emocional
e material dessas pessoas com Síndrome de Down, por isso é importante que eles
recebam nossa atenção, em todos os campos, desde o psicológico até mesmo o
material"
, conta.
A ALAE é uma entidade de utilidade pública tanto para o âmbito nacional quanto para o âmbito municipal. Atualmente, a instituição presta atendimento e auxílio para, aproximadamente, 60 pessoas, entre elas, crianças, adolescentes e adultos. Desses, somente cerca de 10% podem arcar com os custos desse atendimento.
Segundo Cupertino, a verba oferecida pela prefeitura, através da Secretaria de
Política Social, é incapaz de manter o trabalho feito. "Pagamos aluguel e ainda
temos gastos para fazer o trabalho eficiente, por isso contamos, mais com o apoio
da comunidade que o do governo municipal em si. A maravilhosa e solidária sociedade
de Juiz de Fora é, hoje, responsável por quase 75% dos recursos da entidade"
,
afirma.
A associação presta apoio também a famílias, oferecendo atendimentos aos aspectos
psicológicos e materiais, dessa forma, segundo o presidente voluntário da entidade,
o número total de pessoas que recebem auxilio é 200. "Ao longo de todo esse
período de atividades, a ALAE desenvolveu e aprimorou, constantemente, um Projeto
Psico-Pedagógico para o atendimento às pessoas com deficiência mental, com base
em uma abnegada equipe de profissionais e voluntários"
, comenta Cupertino.
Para a manutenção da ALAE, os administradores da entidade contam com recursos
financeiros provenientes de um convênio com a prefeitura de Juiz de Fora, mas como
dito anteriormente, essa verba é ineficiente. "Trata-se de um convênio congelado
há cerca de seis anos e totalmente em desacordo com o número de atendimentos
proporcionados pela ALAE e o número de horas gastas nesse atendimento"
,
lamenta o presidente da associação.
A ALAE oferece três projetos: as oficinas (culinária, artesanato, danças, teatro, rádio, leitura), o programa extra-muros (os assistidos vão para fora da instituição em lugares como clubes, academias, parques, cinema, supermercados e teatro) e o centro de convivência.
Nas oficinas, as pessoas com deficiência têm oportunidade de conhecer suas habilidades e de fazer atividades que lhe dêem prazer. Muitos têm o dom da culinária e aprendem a fazer doces, geléias e biscoitos para vender em feiras e oferecer em eventos beneficentes. Outros têm o dom do artesanato e participam de oficinas que ensinam a fazer bijuterias, enfeites para casa e materiais úteis para o uso doméstico como toalhas, por exemplo.
Alguns têm o dom da arte e preferem investir no teatro, na dança e na locução em rádio. Além disso, o estimulo à leitura e ao desenvolvimento cultural é feito através de oficinas em que o assistido conhece histórias e escreve um livro sobre sua vida.
Todas essas atividades são auxiliadas pro profissionais capacitados e por voluntários do projeto, por isso, se tiver interesse em participar, basta entrar em contato com a ALAE, através do telefone: (32) 3215-4628.