Desde 1994 Paulo Henrique Assis (foto) se dedica "oficialmente" ao bem do próximo.
Foi nessa época que ele passou a participar de diversas atividades como voluntário na
Fundação Espírita Allan Kardec (FEAK). "Desde então não parei mais. É algo contagiante"
, fala, com
jeito de quem tem muita história para contar.
E tem mesmo. Nesses mais de 10 anos de ações para o bem, Paulo já ajudou muitas pessoas nos inúmeros projetos que participou e participa. Atualmente, está a frente de três, todos contabilizando bons resultados e muita transformação para quem precisa de ajuda.
Paulo é o coordenador do projeto Ronda Noturna, que leva alimentos, evangelização e uma palavra amiga para moradores de rua de Juiz de Fora. Toda primeira sexta-feira do mês, um grupo composto por aproximadamente 18 jovens e adultos sai a procura de moradores de rua, de 22h até meia noite, para entregar um lanche para essas pessoas.
São três rotas, que abrangem a região do centro, São Mateus, imediações da rodoviária, avenida Brasil e rua Santo Antônio. Durante as andanças, as pessoas distribuem o lanche - geralmente um leite com chocolate e um sanduíche - e aproveitam para conversar e escutar as histórias de quem tem muita necessidade de ser ouvido.
Até o ano passado, além da coordenação, Paulo também saía às ruas
da cidade para ajudar durante as rondas. E essa experiência, que foi interrompida durante um tempo
para que ele pudesse cuidar mais da filha que ainda está pequena, parece ocupar
um pedaço importante do coração do voluntário.
"A gente acha que resolve os problemas deles, mas eles é que nos ajudam. O contato com
essas pessoas nos faz melhores. É fantástico o trabalho. A grande maioria das
pessoas confia plenamente nos jovens que participam das rondas"
, comenta Paulo.
A diferença do Ronda Noturna para outras distribuições de alimentos, está no fato dos atendidos irem até onde está o necessitado. Uma ação destacada pelo voluntário como algo que potencializa o bem na medida que evita que quem tenha vergonha, por exemplo, deixe de comer por falta de coragem de ir até uma instituição filantrópica.
"A gente vai e leva a comida. Tem gente que não quer conversa, que chega a fingir que
está dormindo. Mas aí a gente deixa o lanche lá mesmo, e é só olhar para trás para ver que eles estão
mantando a fome"
, comenta Paulo.
Outra vantagem levantada pelo coordenador do projeto, está no fato de
as visitas criarem um vínculo com quem é atendido. "Depois, muitas dessas pessoas vão
até a instituição
para participar da distribuição de sopa que acontece aos sábados"
.
Segundo Paulo Henrique, o vínculo passa a existir de uma maneira tão real
que há moradores de rua que conhecem quem participa da ronda e vice-versa.
"Tem uma senhora que sempre falava com a gente que nós éramos os filhos de coração dela, e alguns que
a gente não sabe o nome, mas já apelidou. É uma recepção
muito bonita."
, afirma.
Paulo também é um dos coordenadores do Grupo de Valorização da Vida da FEAK. Esse grupo, que se reúne sempre às terças-feiras, na segunda e quarta semana do mês, funciona como um auto-suporte para pessoas que estão precisando aprender a valorizar a vida.
Os freqüentadores dessas reuniões são geralmente pessoas que mantém ou em algum momento tiveram um pensamento destrutivo em relação à própria vida. Durante o encontro, os participantes ouvem, falam e repartem suas histórias através de depoimentos.
Paulo também é ativo no projeto de Evangelização de crianças e jovens em situação de risco social. Os atendidos, geralmente vindos dos bairros Dom Bosco e Bela Aurora participam de atividades aos sábados na FEAK.
Tempo para tudo isso? Sempre há. Mesmo porque para Paulo, há uma certeza para sua cronologia do tempo. Como ele mesmo fez questão de destacar: todo ser humano não pode ficar em uma "mono-idéia". Para o voluntário, as pessoas precisam fazer algo mais que trabalhar e voltar para casa para serem realmente felizes.
"O Paulo que entrou na Feak não existe mais. O contato com aqueles que tem dores maiores que a nossa
nos transforma. Hoje eu sou melhor que ontem e o que mais quero é amanhã, ser muito melhor que hoje. Eu tenho
plena convicção que é o trabalho
voluntário que vai fazer com que eu consiga isso"
, resume em tom de alguém digno do título de
gente do bem.