Ainda menino, Armando Falconi Filho (foto ao lado) teve seu primeiro contato com a sensação de ajudar o próximo. Sua avó, uma parteira de origem italiana, não tinha hora para atender as parturientes de Astolfo Dutra.
O garoto cresceu ajudando-a nesses serviços e, já maior de idade, conheceu a doutrina
espírita que veio ao encontro de suas crenças e valores."A doutrina espírita nos
ensina que, sem caridade não há salvação, assim, comecei a ajudar um orfanato na
minha cidade"
, conta.
Buscando formação em acupuntura chinesa, Falconi foi estudar em São Paulo e, mais
uma vez, o destino o aproximou da caridade. "Em São Paulo, meus orientadores eram
médicos e monges budistas. Os budistas também têm trabalho solidário e isso serviu
como um reforço para meus laços de solidariedade"
.
Falconi relembra que, quando veio para Juiz de Fora, trabalhou como voluntário em três centros espíritas até criar a Fundação Espírita Alan Kardec (Feak), na qual trabalha até hoje cuidando de centenas de familias carentes.
O objetivo da fundação era mudar o foco do trabalho social na cidade. Falconi revela
que ele e sua primeira esposa queriam sair do assistencialismo puro e simples e
fazer um trabalho de promoção da família.
"As famílias assistidas pela Fundação recebem um acompanhamento médico, dentário,
psicológico, fonoaudiológico, escolar. E além disso, também recebem reforço nutricional.
O assistencialismo não foi deixado de lado, apenas incrementamos o que era oferecido"
,
explica.
Segundo Falconi, o que o motiva a continuar trabalhando em benefício do próximo é
o resultado que se obtém quando as pessoas são tratadas com amor. "Não tem preço
que pague estar andando na rua, de terno e gravata e ser parado por uma pessoa de
pé no chão que te reconhece e respeita. É muito bom"
.
O acupunturista explica que quando uma pessoa recebe amor de verdade, ela tende a
mudar positivamente. "Um simples sorriso, um gesto de carinho é capaz de melhorar
o estado de saúde física e emocional de uma pessoa"
.
Segundo Falconi, o diferencial do seu trabalho é dar aos assistidos um tratamento
individualizado, humanizado. "O que nós queremos é fazer com que a pessoa tome
consciência de que é gente, fazer com que ela deixe de ser um bichinho acuado na
sociedade"
, diz.
A grande recompensa desse trabalho é "a sensação de estar sendo útil e ensinar
os outros a serem úteis também"
. Falconi realiza um trabalho de conscientização
da importância do trabalho voluntário.
"Eu não estou engajado no trabalho voluntário para ganhar o reino do céu, o trabalho
voluntário é um compromisso pessoal. É isso que passamos para a nossa equipe"
,
comenta.
O acupunturista garante que não tem pretensões de salvar o mundo. Seu objetivo é
fazer o bem hoje para ficar bem com a consciência. "Não posso fazer tudo, mas
faço o que posso"
, esse é o seu lema.
"Meus filhos cresceram visitando leprosários, hospitais, casas mais humildes, eles iam no colo e, hoje, me ajudam a tocar a Fundação. Estamos todos juntos nesse projeto", orgulha-se.
Para ele não importa cor, condição social, estado de saúde ou orientação sexual: se
a pessoa quer ser ajudada, ela terá ajuda. "Não quero consertar ninguém porque
ninguém vem com defeito, quero apenas melhorar a pessoa que quer ser melhorada"
.
Adulto, maduro e consciente de seu papel na sociedade, Falconi ainda lembra dos
conselhos de sua avó, que sempre lhe dizia "quem fala o que sabe e dá o que tem, não
deve nada a ninguém."
Segundo Falconi, o que falta hoje é comprometimento. "As pessoas alegam falta
de tempo para fazer um trabalho voluntário, mas tempo é uma questão de preferência.
Você não precisa pensar para ajudar, basta fazer. Faça o que estiver ao seu alcance,
sempre tem algo que você pode fazer!"
, ensina.
Com os olhos sempre brilhando e com enorme senso de humor, Armando Falconi fala sorrindo e cita um ditado antigo para justificar suas ações: "o mal que me faz mal não é o mal que me fazem, é o mal que eu faço. O bem que me faz bem não é o bem que me fazem, é o bem que eu faço."
É pensando nisso que o acupunturista continua praticando o bem e estimulando as
pessoas a praticarem o bem para ajudarem a si próprios. A Fundação que encabeça
atende hoje a 150 famílias diretas e 450 indiretas e seu maior sonho é aumentar
esse número.
"O que eu mais quero é vencer a mim mesmo e ajudar mais o próximo. Quero fazer o
que estiver ao meu alcance e lutar para que esse alcance seja cada vez maior"
.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF