Há 29 anos, Maria José da Conceição Silva faz trabalhos em comunidades carentes de Juiz de Fora e outras cidades de Minas Gerais. Durante todos estes anos, ela aprendeu que as pessoas carentes não querem somente alimentos, roupas ou ajuda financeira, mas também carinho e atenção.
"São pessoas carentes de afeto e acolhida"
, comenta. E completa contando uma
história. "Fui visitar uma creche em Bambuí e todas as crianças queriam colo,
pegar na mão"
.
Hoje, Maria José é Governadora do Lions Clube,
Distrito LC-12, que abrange 62 cidades em Minas.
O objetivo é levar atenção e amizade. Em troca, ela recebe um prêmio. "Ganho carinho"
, diz.
A atual Governadora entrou para o Lions quando conseguiu uma situação financeira razoável e, junto com isso,
sentiu necessidade de ajudar os outros. "Ninguém se realiza se não ajudar alguém"
.
No Clube, ela encontrou o companheirismo de outras pessoas, característica considerada fundamental para
unir os associados.
Maria José governa o Distrito até junho de 2009. Até lá, vai trabalhar para conseguir
alcançar duas metas: a inclusão social e a preservação do meio ambiente em Juiz de Fora
e nas outras 61 cidades do LC 12. Para incluir crianças e idosos, atividades são desenvolvidas
para que eles se sintam necessários à sociedade. "Os idosos deixam de adoecer
com freqüência e precisam de menos remédios"
, comenta.
A inclusão também acontece em torno das pessoas com deficiência física, visual e auditiva.
Neste caso, as atividades promovidas desenvolvem a capacidade ao esporte e estudo.
Palestras também são desenvolvidas para orientar crianças a receber colegas com deficiência
em sala de aula.
Para a proteção do meio ambiente, o Clube orienta a comunidade sobre a coleta seletiva,
preservação de nascentes, poluição pelo lixo e economia de água.
Maria José diz que uma grande atenção está sendo voltada para os bairros de Juiz de Fora,
onde a ajuda nem sempre chega. "Por exemplo, a gente só vê a coleta seletiva
no Centro. Na periferia ela ainda não chegou"
, explica. Entretanto, ela lembra que
estes são os objetivos do Distrito para este ano leonístico, enquanto ela é a Governadora, e
não se esquece a meta principal do Lions: a prevenção a cegueira evitável.
Esta é a causa abraçada pelo Lions desde que foi criado, em 1917. "A cegueira ocorre por falta de atendimento
médico, saneamento básico e problemas de catarata, onde a maior parte dos recursos são aplicados"
, diz.
De certa forma, as metas traçadas pela Governadora estão de acordo com a causa do Lions.
"Com ações para a proteção do meio ambiente também estamos trabalhando a inclusão.
As pessoas vão ter água encanada, filtro, fazer a coleta seletiva. Tudo isso contribui para
hábitos de higiene e prevenção de doenças"
.
O trabalho é realizado através de palestras, materiais educativos, feiras de saúde e
visitas aos locais mais carentes. A verba utilizada nessas campanhas são arrecadadas
pelos associados em bailes, rifas, festivais, almoço. Eles são organizados pelos
próprios clubes e administrados para atender as necessidades da região.
Para necessidades maiores, o Distrito envia um projeto ao Lions Internacional.
"A verba máxima que os Distritos recebem é de 75 mil dólares em cada projeto"
,
explica ela. A região da Zona da Mata já foi atendida com essa verba. "Ubá recebeu para
a construção de uma UTI Neonatal e centro obstétrico. Em Juiz de Fora, o dinheiro possibilitou que a
Associação dos Cegos comprasse um equipamento. Agora, estamos mandando um projeto para que a Ascomcer
também seja atendida"
, completa.
Maria José confessa que o trabalho é muito cansativo, principalmente por causa das
viagens para conhecer as deficiências das cidades que fazem parte do Distrito.
Entretanto, diz que é gratificante. "Sou realizada por ajudar as pessoas. É uma satisfação íntima
muito grande"
.
Maria José explica que os associados do Lions precisam ser convidados a participar. Entretanto,
diz que se alguém quiser fazer parte do clube é só entrar em contato com algum dos
seis clubes da cidade. "Ela vai ser convidada a participar como voluntária para ver
se tem aptidão. Se concluir que é isso o que quer, vai ser bem-vinda"
.
Ela diz que não é necessário ter muito dinheiro para participar, mas uma condição
razoável, já que é preciso pagar, semestralmente, uma quantia ao Lions Internacional.
Além disso, o associado precisa ter disponibilidade de tempo. "A maioria das pessoas
que participa é quem já aposentou e tem tempo para se dedicar, pois não é fácil"
.