O físico Renato Lopes tinha como projeto trabalhar com física atômica. Prestes a viajar
para Alemanha a fim de investir na carreira profissional, desistiu do propósito. "Comecei a refletir sobre a vida e percebi
que faltava algo. Havia um vazio dentro de mim."
Para preencher o espaço, ele passou a fazer trabalhos sociais.
Da lá para cá, já são 20 anos dedicados ao trabalho voluntário.
Em 1997, fundou a Associação dos Amigos do Noivo (Aban). A entidade foi criada a partir das reuniões das quais
Lopes participava junto à igreja em bairros carentes da cidade. "A ideia era trabalhar com a educação
da comunidade, discutir temas da realidade dos moradores e levantar as demandas. Era um reclamando que a casa estava caindo,
outro que tinha ficado desempregado, enfim, os problemas eram diversos e era uma ilusão achar que conseguiria dar uma resposta para
eles. Então, tentei provocá-los, mostrando que além de identificar os fatos e pontuá-los, deveriam também se sentir responsáveis pelos
problemas."
Da provocação surgiu a proposta de capacitar a comunidade e, consequentemente, a Aban. Hoje, a Associação conta com 170 voluntários, com cinco filiais em Juiz de Fora e mais de 50 projetos sociais. Há iniciativas para manter atividades educacionais para as crianças, recuperar viciados em drogas, acolher mulheres desempregadas e portadores de câncer, dentre outros. No total, cerca de 900 pessoas são atendidas pela Aban.
O voluntário conta que a entidade inicia um novo projeto,
o Educativo de Violência de Gênero, em parceria com o judiciário e o Governo do Estado. "Vítimas e agressores que são encaminhados
para a entidade como medida protetiva passam quatro meses participando de reuniões, com o objetivo de quebrar o ciclo da violência
e conscientizar o agressor e a vítima"
, explica.
Lopes revela o que o move a realizar trabalhos voluntários. "Primeiro é a consciência de ser cidadão, que leva a
me comprometer com o outro, e a de ser cristão, independente de religião. São duas raízes da motivação de viver o lado social."
Ele concilia o trabalho voluntário com o profissional. É consultor de empresas das 5h às 12h. A partir das 13h, ele se dedica às
responsabilidades sociais. A rotina de voluntário fez com que o presidente da Aban abrisse mão de determinadas ofertas de empregos.
A família, hoje, também está envolvida com a Aban. "A vontade de ajudar o outro vem de berço. A criação desperta para a
sensibilidade social."
Para elaborar propostas sólidas a fim de auxiliar o outro sem se envolver, Lopes se capacitou. Fez um MBA em gestão de pessoas e
pós-graduação em psicologia e outra em filosofia. "Não quero só dar uma ajudinha. Quero poder apresentar propostas concretas
de intervenções sociais."
Seu objetivo é fazer a sua parte na luta por um mundo mais justo. "Estou colocando apenas um tijolo
nesta construção."
O presidente da Aban afirma que não se arrepende de ter feito a opção pelo trabalho voluntário em detrimento da carreira de físico.
"O social cumpre um papel fundamental na minha vida."
Segundo ele, a gratificação pelo que realiza vem da certeza de que
desenvolveu uma boa tarefa e da possibilidade de conhecer e lidar com pessoas boas.
Lopes diz que para ser um voluntário é preciso ter o desejo de ajudar, ter possibilidade para assumir compromissos e estar aberto
para a capacitação. "O trabalho voluntário não é o hobby que a pessoa faz o dia que quer, é compromisso. É também terapêutico,
pois se trata de um momento em que se reserva para distrair e fazer o bem."
Para ser voluntário da Aban, o interessado pode ligar para o telefone (32) 3232-1756 e marcar a entrevista com o departamento de
Recursos Humanos. "A entrevista é para levantar o perfil, o gosto e horário disponível".
O setor vai sugerir os projetos
em que a pessoa se encaixa e dar a opção para ela escolher em qual vai se dedicar. Durante quatro meses a pessoa faz um estágio e se o resultado
for positivo, ela entra oficialmente para a entidade. Caso não seja, vamos buscar remanejá-la para outro projeto."