Direitos Humanos

Contando histórias, Cecília Taveira ajuda no tratamento de crianças com câncer

Ela revela que, depois de passar mal após a primeira sessão de quimioterapia, nasceu a vontade de ajudar os pequenos pacientes

Thiago Sthepan
Repórter
4/4/2012
a

A história de Cecília Taveira, 35 anos, é um exemplo de como o trabalho voluntário pode fazer diferença na vida das pessoas. No caso dela, também na sua própria vida. Após enfrentar a parte mais difícil de um tratamento contra o câncer de mama, encontrou forças para levar alegria a crianças atendidas pela Fundação Cristiano Varela, de Muriaé, hospital especializado no tratamento oncológico.

Contando histórias, passou a levar mensagens de incentivo aos pequenos pacientes. Ao mesmo tempo, teve contato com verdadeiras lições de vida que têm sido importantes para que ela possa dar continuidade e finalizar o tratamento contra a doença.

Foi logo após a primeira sessão de quimioterapia, quando passou muito mal, que Cecília viu as crianças atendidas pela fundação. Naquele momento, garante ela, algo "brotou" em seu interior. "Quando saí e vi as crianças, nasceu dentro de mim a vontade de fazer alguma coisa para elas. Fiz o tratamento todo e, quando me senti forte o suficiente, procurei a assistente social. Ela me disse que tinha que ser alguma coisa com a qual eu me identificasse e gostasse de fazer", relembra.

Naquela conversa, Cecília contou que era professora por formação e que sempre gostou muito de literatura infantil, chegando a fazer cursos de contação de histórias. Foi quando a assistente social sugeriu que ela levasse as histórias que tinha aprendido para os pacientes da fundação. Durante seu tratamento, Cecília gostava de ter contato com o Grupo A Favor da Vida. Por meio da música, seus integrantes levavam mensagens de fé a quem estava precisando. A partir do segundo semestre de 2011, seria ela também responsável por levar palavras de encorajamento a outras pessoas.

"Quando você recebe uma palavra de estímulo, seja através da música ou de uma história, sente-se mais forte. Procuro contar histórias que tenham mensagens. Até mesmo dentro dos contos de fada, procuro incluir mensagens de incentivo. A família do paciente, principalmente quando ele é criança, também adoece junto. Meu objetivo é levar um estímulo, uma força, uma vontade de viver", disse.

O fato de já ter passado pelo tratamento a que as crianças estão sendo submetidas acabou aproximando ainda mais Cecília do seu "público". "Eu sei o que eles sentem. A dor, a insegurança... Sei também que cada um reage de uma forma. Eu sei o medo que eles têm de morrer. Eu já senti isso. Por ter passado por esse problema, me identifico mais com eles. Um exemplo disso são as adolescentes que perdem o cabelo. Elas costumam ficar tristes. Aí, levo uma foto minha sem cabelo e elas sentem-se melhores. Acabo sendo um estímulo", revela.

Ao desempenhar esse novo papel, a funcionária pública percebeu que a experiência também seria enriquecedora para ela. "Eu tenho a consciência de que levo para eles muitas coisas. Na última terça-feira, 3 de abril, uma mãe me ligou porque seu filho queria conversar comigo. Tenho a consciência que contribuo, mas tenho a certeza que também trago muita coisa. O contato com eles é uma lição de vida", expôs.

Essa via de mão dupla tem sido gratificante para Cecília. Tanto que ela pretende se unir a outros voluntários para ampliar o número de visitas. "A minha prioridade são as crianças, mas, quando sobra tempo, também visito os adultos. Seria muito bom se outras pessoas pudessem participar também."

Os textos são revisados por Mariana Benicá

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.