O corretor de imóveis Márcio Luiz da Costa descobriu, aos 49
anos, que estava com mielofibrose, um distúrbio no qual o tecido fibroso pode substituir
as células precursoras que produzem células sangüíneas normais na medula
óssea, ou seja, "a medula começa a fibrosar e inibindo a produção de glóbulos
vermelhos"
, explica o corretor, de uma forma mais simples.
"Estava na rua e desmaiei. Pensei logo que era alguma coisa no coração. Fiz vários
exames e não houve nenhuma evidência de problema cardiológico. Realizei outra bateria
de exames que acusaram alto grau de anemia"
.
O índice de glóbulos vermelhos de Márcio eram 3.8, sendo que o normal é entre 13.0 e 18.0.
"Não sentia nada. Fui internado para que os médicos pudessem fazer o diagnóstico
da doença. Depois de 15 dias detectaram a mielofibrose"
.
Ele começou a fazer transfusão de sangue de 20 em 20 dias. Depois passou a ser toda semana.
Até que o agente de imóveis precisou de um transplante de medula. "Vários parentes
passaram por teste para verificar a compatibilidade. No primeiro momento ninguém era,
nem meu filho. Já estava desesperado. Até que meu irmão o último a fazer, teve 100%
de compatibilidade"
.
Para fazer a cirurgia, ele passou uma semana tomando 206 comprimidos por dia, preparando
o organismo. "Jogava na boca igual confete"
. O transplante aconteceu no dia 22
de junho - seis meses depois de detectada a doença - no Rio de Janeiro. Ele precisou
ficar 30 dias no hospital.
"Tinha que esperar a manifestação da doença do enxerto, que são os efeitos colaterais
do transplante. A patologia indica o desenvolvimento da medula do doador no organismo
do receptor"
. Ao sair do hospital, Márcio se hospedou numa casa no Rio de Janeiro.
Ele precisava ainda tomar soro, fazer constantes exames de sangue, dentre outras medidas
de avaliação do resultado da cirurgia.
Neste período, ele desenvolveu várias doenças. "Meu sistema imunológico estava
muito baixo. Andava só de máscaras. Tive pneumonia, tuberculose e vários problemas
de pele, como herpes e micose. Foi uma aventura"
, afirma com bom-humor.
Depois de passar por estes percalços, Márcio considera-se curado. "Já estou voltando
ao normal. A minha hemoglobina já está dentro do quadro aceitável"
, comemora.
Ele continua indo à capital carioca todo mês para checar a sua recuperação.
Em Juiz de Fora, ele vai ao médico toda semana também para fazer o acompanhamento.
Após de um ano em casa, ele se prepara para voltar à rotina de trabalho. "Estou tendo
uma nova oportunidade de vida. Renasci! Uma vida com uma qualidade de vida melhor!"
.
O corretor ainda precisa ter alguns cuidados. "Preciso me poupar. Todas as vacinas que tomei
na infância foi zerada, Posso pegar doenças, como catapora, sarampo, dentre outras. Vou
me imunizar novamente, mas ainda não posso"
.
Ele conta que quando ficou sabendo da doença, foi como se tivesse levado uma paulada.
"O ser humano acha que é invunerável, que tudo só acontece com os outros. Quando
é com você, o chão desaparece. Você começa a colocar em xeque alguns valores"
.
Para Márcio, o apoio da família e dos amigos foi essencial. "Se não fosse a união
dos parentes e a presença de amigos, não agüentaria a barra, mas não se pode perder
a esperança"
.