Mostra em braile pretende promover inclusão
A III Mostra Braille apresenta livros em braile, CDs e está aberta
ao público
para reduzir o preconceito
*Colaboração
15/09/2008
Em parceria com a Associação dos Cegos, o Instituto Benjamin Constant e a Fundação Dorina Nowill, a Biblioteca Municipal Murilo Mendes promove a III Mostra Braille. Além de livros em braile, estão expostos materiais usados na escrita braile, artesanato produzido por pessoas com deficiência visual, além das medalhas que eles ganharam em competições.
O diretor da Biblioteca, João Batista Rodrigues, explica que nem
todos os livros expostos são escritos exclusivamente em braile. "Os livros
infantis, em especial, são escritos em braile e em escrita comum para que todos
tenham acesso ao mesmo material"
.
Para Rodrigues, o mais importante é suscitar a alteridade nas pessoas que forem
visitar o espaço. "Nossa intenção é despertar as pessoas para ampliar a sua noção
do outro, em especial, o outro que tem alguma limitação visual"
.
Ele conta que quando as crianças fazem visitas guiadas pela Biblioteca, ficam
curiosas quando passam pelo setor braile porque, para elas, a leitura é uma
questão visual e "quando tem essa noção de que existe alguém diferente, passa
a respeitar mais a pessoa com deficiência"
.
O objetivo da Mostra Braille é, nas palavras de Rodrigues, "divulgar o trabalho
das instituições que oferecem apoio aos deficientes visuais"
. Segundo ele,
a Biblioteca Municipal Murilo Mendes é uma das maiores do Estado e não poderia deixar
de dar uma atenção especial para as pessoas com deficiência.
Além de ser uma das poucas bibliotecas mineiras que possuem um setor específico para pessoas com algum tipo de deficiência visual - que oferece não só os livros em braile, mas dá acesso a jornais e revistas gravados, faz transcrição de braile para tinta e vice-versa, grava livros em áudio para permitir maior acesso - a Biblioteca Municipal de Juiz de Fora conta com rampas de acesso ao espaço e disponibiliza a internet para quem não pode ter acesso de outra maneira.
Ao todo, o setor braile conta com 70 usuários, mas o diretor explica que nem todos
são freqüentes. "Alguns já estão na faculdade, em outro nível de estudo, outros
não vêm aqui, mas os familiares vêm, pegam o material e levam para eles. Mas tem
muita gente também que não conhece o espaço, não sabe os serviços que oferecemos"
,
lamenta.
O setor braile funciona há 15 anos, mas apenas há três anos que o material oferecido por ele é divulgado. Para Batista essa é uma maneira de aproximar esse universo de todas as pessoas, numa tentativa de reduzir o preconceito, promover o respeito e o auxílio a essas pessoas, que cada vez precisam mais de ajuda.
A III Mostra Braille fica na Biblioteca até o dia 23 de setembro e está aberta a quem quiser ir conhecer, tocar, sentir os livros, os materiais. Nesse dia, que não por acaso é o dia da pessoa com algum tipo de deficiência, a advogada do Centro de Atenção ao Cidadão, Cristiane Mara Teixeira Silva, vai dar uma palestra sobre Deficiência e cidadania: a legislação e os direitos do deficiente, às 15h, no mesmo local. A Biblioteca Municipal fica na Praça Antônio Carlos, s/nº.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF
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