Direitos Humanos

Cerca de 70% dos idosos vítimas de violência são mulheres Cento e sessenta e três denúncias foram feitas de janeiro a maio. Em Juiz de Fora, 11% da população é formada por pessoas idosas

Daniele Gruppi
Repórter
16/06/2008

De janeiro a maio, o Centro de Proteção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Ceddi) recebeu 163 denúncias de violência contra os idosos em Juiz de Fora. Cerca de 70% das vítimas são mulheres, sendo 36,84% com idade entre 60 e 70 anos.

O relatório do Ceddi apontou ainda que 40,07% dos agressores também são do sexo feminino. Aproximadamente 50% dos abusos são feitos por filhos. Destes 59,50% são caracterizados como violência psicológica e 30,67% como financeiro-econômico.

Segundo a coordenadora executiva de atendimento à terceira idade da AMAC, Maria José Sinhoroto, a prevenção e a educação são as melhores formas para se combater a violência contra pessoas da terceira idade.

Ela afirma que o Ceddi, inaugurado em 2006, e mais 40 entidades governamentais e não-governamentais formam uma rede municipal de proteção e defesa do direito da pessoa idosa. "O trabalho é direcionado para o enfrentamento e prevenção à violência".

A coordenadora explica que o Ceddi acolhe as denúncias, que são feitas através do telefone 156. Após identificar qual é o caso, encaminha para os parceiros tomarem as providências. "Cada entidade tem a sua competência. A rede oferece atendimentos na área de saúde, assistência social, educação, jurídico e segurança".

Idosos jogando baralho Foto de duas idosas foto de três idosos

Maria José diz ainda que a violência contra idosos é intra-familiar e velada. Ela acredita que o serviço de denúncias ajuda a romper o pacto de silêncio. "As pessoas precisam se sensibilizar para a gravidade do assunto. As pessoas estão se encorajando mais".

Para ela, prevenir a violência contra os idosos é fazer campanhas, trabalhar a conscientização e o respeito e falar sobre as denúncias. Ela conta que são realizadas palestras nas escola, onde o assunto é abordado. "A educação é a base. É preciso que as crianças e os jovens, assim como o próprio idoso, conheçam o processo de envelhecimento. Focamos na imagem positiva da velhice".

Violência contra a terceira idade não é só o ato físico, mas também o abandono, negligência, preconceito e discriminação, abuso sexual e psicológico, apropriação indevidamente dos bens do idoso, falta ou excesso de medicamentos, dentre outros.

Idosos jogando baralho Foto de um senhor jogando sinuca foto de três idosos

Envelhecimento da população

Segundo Maria José, em Juiz de Fora, 11% da população é formada por idosos, o que representa aproximadamente 51 mil pessoas. "O envelhecimento é mundial e está associado à qualidade de vida e à redução da natalidade. A consciência da importância do exercício físico, da alimentação, do saneamento básico e das vacinas eleva a expectativa de vida".

Ela relata que estudiosos apontam que em 2025 o Brasil vai ser o sexto país com mais números de idosos e que em 2050 vai ter mais pessoas acima de 60 anos do que crianças abaixo de 15.

"A pirâmide etária vai virar, por isso a importância de se resgatar a cidadania dos idosos. Deles se tornarem os protagonistas da própria ação. Os idosos tem que ter autonomia. Nos trabalhos nos centros de convivência estimulamos o empoderamento, ou seja, que eles tenham o poder da decisão".


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