Terça-feira, 16 de dezembro de 2008, atualizada às 14h23
O Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tomou posse nesta segunda-feira, 15 de dezembro. O grupo, formado por 15 membros, tem a função de produzir pesquisas e cursos de atividade acadêmica que visem melhorar a qualidade de vida dos negros na cidade.
De acordo com o pró-reitor de graduação da UFJF e coordenador do NEAB, professor
Eduardo Magrone, a idéia é centralizar as iniciativas multidisciplinares
que pretendem tratar dos problemas enfrentados pela população afro-descendente como objeto de estudo
ou intervenção. "O interesse de alunos e professores da Universidade pela temática ainda é incipiente,
mas cresce a cada dia"
, analisa.
O núcleo é criado no ano em que as cotas no vestibular da UFJF completam o objetivo inicial de destinar 50% das vagas para alunos egressos de escola pública - sendo que 25% das cotas são para os que se autodeclaram negros.
O pró-reitor explica que o Núcleo não é o órgão oficial para a avaliação do sistema de cotas,
que já começou a ser avaliado pela administração superior da UFJF, mas as cotas podem
ser estudadas pelo grupo. "Os principais objetos de estudo sobre o tema passam pela dificuldade de acesso dos
negros ao sistema educacional brasileiro"
.
Magrone garante que o sistema de cotas na UFJF é uma medida provisória por natureza.
"A política de cotas tem limites muito visíveis. Por mais que ela dê certo, não consegue reverter uma
tendência da sociedade brasileira. O NEAB tem o papel de dar conseqüência à política de cotas,
produzindo saberes que possam esclarecer mais a sociedade sobre os seus próprios mecanismos de exclusão
e preconceitos"
.
O NEAB não está ligado diretamente a qualquer unidade específica da Universidade e é composto por pró-reitores e professores da UFJF, além de representantes da Secretaria Municipal de Educação e Conselho Municipal de Valorização da Pessoa Negra.