Amaury Mendes (na foto à direita) é coordenador geral da ONG Médicos do Barulho que presta serviço para a sociedade e para o bem público. Conhecido como palhaço Fuzil, ele organiza visitas aos leitos dos hospitais de Juiz de Fora, do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte.
Mendes começou sua história de voluntariado na vontade e na iniciativa de modificar
um pouco seu jeito tímido e introvertido. "Entrei para o teatro sem pensar em
seguir a profissão, mas apenas com o interesse em me tornar mais desinibido. Fiz
as aulas e no final do curso tinha a apresentação da peça, meu professor pediu
um voluntário para divulgar o espetáculo nas escolas e eu me ofereci"
, recorda.
Para ele tudo começou naquele instante, quando se vestiu de palhaço pela primeira
vez para fazer a propaganda da peça em cartaz. "Depois da apresentação final
meu professor pediu que alguém o ajudasse em um clube com recreação infantil e
lá fui eu. Depois desta oportunidade recebi o convite do clube para fazer outra
apresentação e foi um verdadeiro fracasso. Seria o dia para desistir de vez, mas
aceitei meus erros e aprendi com eles, isso faz quase 23 anos"
, afirma.
Aprendendo com os erros, Mendes se tornou um verdadeiro palhaço e o pioneiro em
animação de festas infantis na cidade. "Fui o primeiro a trabalhar com isso.
Eu era funcionário público e palhaço ao mesmo tempo, perdi minha vida social, mas
estava fazendo algo de bom para mim. Trabalhei dez anos com as duas atividades"
,
lembra.
Depois de dez anos dividindo o coração e o tempo com as duas profissões, Mendes ficou
sabendo do trabalho dos Doutores da Alegria em São Paulo e foi até lá conhecer
um pouco melhor sobre as atividades que eles realizavam. "O Wellington Nogueira,
que é o pioneiro desse tipo de voluntariado no Brasil, me disse que era fácil
começar, mas o difícil era continuar e hoje já tem 12 anos que fazemos as visitas
aos internados em hospitais"
, conta.
Sem muita consciência de voluntário, do que é fazer
voluntariado, Mendes desenvolveu o projeto e lançou no mercado os Médicos do Barulho.
Há 12 anos existindo, a associação contou com patrocínio em apenas metade de sua
duração. "É um patrocínio pequeno que ajuda nas compras de materiais, mas não
é suficiente, todos nós fazemos outras coisas por fora para sobreviver"
,
comenta.
Há quase um ano, o grupo de atores palhaços se transformou em uma ONG. Há seis
edições, eles recebe o apoio da Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes.
"Segurei o prazo para nos transformarmos em ONG, era preciso amadurecimento e
certeza do nosso trabalho e da nossa virtude. Sobre o patrocínio, inscrevemos
nosso projeto e nem sempre somos contemplados pela lei, mas não desistimos porque
é prazeroso demais fazer o que fazemos"
, descreve.
O palhaço Fuzil conta que precisou reler muitas vezes o estatuto da ONG e demorou
muito tempo para conseguir perceber o quão grandioso eram os Médicos do Barulho.
"Ser voluntário é especial demais. Nós temos planos de transformar a ONG em uma
OSCIP, ou seja, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Também
é não-governamental e sem visar lucro, mas a diferença principal é que os membros
da diretoria recebem pelo trabalho. Acho que devem receber porque nos doamos
inteiramente para isso, acordo e durmo pensando no meu trabalho voluntário e acho
que não vai deixar de ser se eu receber alguma contribuição por isso, porque dôo
amor, felicidade, carinho, atenção, tempo"
, afirma.
Mendes encara seu projeto como uma profissão e diz que vive por ele. "Existe
uma preparação inteira para chegar no final que é a nossa apresentação nos hospitais,
mas antes disso há nossas reuniões, nossos ensaios, nossa maquiagem, nossa roupa.
Há muita coisa envolvida no trabalho que exerço"
, defende.
O palhaço Fuzil comenta que seu trabalho é recompensado pelo sorriso de cada
criança e de cada adulto que visita nos leitos. "Não há como explicar, nosso
trabalho serve como um tratamento paralelo ao médico, pois o sorriso faz bem à
saúde"
, afirma.
*Renata Solano é estudante de Comunicação Social da UFJF