O projeto Incluir faz parte do programa de mesmo nome do Ministério da Educação (MEC) e visa a inclusão da pessoa com deficiência no ensino superior. Segundo o coordenador do projeto, Marcos de Paiva Nunes (foto abaixo), esta é a segunda vez que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participa do programa.
Em 2005,
a verba liberada pelo MEC foi utilizada em ações arquitetônicas que facilitassem
a vida da pessoa com deficiência. "Construímos rampas, banheiros adaptados,
criamos vagas especiais nos estacionamentos, adquirimos computadores e gravadores
digitais, tudo com o objetivo de promover a inclusão dessas pessoas na universidade"
,
contabiliza.
A proposta aprovada em 2007 pretende trabalhar as questões atitudinais que são a principal barreira à inclusão dessas pessoas na comunidade acadêmica e na sociedade como um todo. Nunes explica que a acessibilidade tem que romper com três barreiras específicas para ser realmente inclusiva.
Trata-se das questões arquitetônicas,
de comunicação e atitudinal. "Se não se rompem essas barreiras juntas, não se
pode dizer que temos acessibilidade. Não adianta ter vaga no estacionamento, se
as pessoas não respeitam isso"
, justifica.
As questões arquitetônicas são as adaptações que facilitam o acesso aos locais como
rampas e corrimões; as de comunicação são os equipamentos específicos que permitem que
pessoas com deficiências visuais e auditivas tenham acesso a informação e as atitudinais são
relativas ao fim do preconceito. "As pessoas ainda têm muito preconceito em
relação às pessoas com deficiência e nós queremos informar, conscientizar e esclarecer
sobre essas questões"
, diz.
As ações do projeto Incluir começaram em março de 2008 e vão continuar até junho. Trata-se de uma campanha de conscientização na qual se discute os direitos das pessoas com deficiência, acessibilidade e inclusão social. A equipe faz visitas às faculdades e instituições da UFJF realizando palestras com temas e palestrantes variados. Além disso, há a distribuição de panfletos explicativos, adesivos e camisas do projeto.
Nunes conta que a idéia da campanha surgiu da percepção da carência desse tipo de
discussão na UFJF. "Percebemos que mesmo com os acessos arquitetônicos, não
conseguimos romper essa barreira. As pessoas aqui não respeitam as pessoas com
deficiência, os banheiros ficam trancados, as vagas para pessoas com deficiência não são
respeitadas, isso não é ter acessibilidade. Temos que mudar a mentalidade das pessoas.
As adaptações feitas são preferenciais para pessoas com deficiência, mas não são
exclusivas deles. Os banheiros adaptados, por exemplo, favorecem obesos e gestantes,
portanto, devem estar sempre abertos"
, analisa.
O coordenador sabe que esse é um trabalho a longo prazo, mas se orgulha do sucesso
das palestras. "O público das palestras ainda é pouco representativo, mas as
pessoas que vão, participam bastante, interagem, se interessam pelos temas trabalhados
e isso é muito importante para nós"
. Nunes acredita que o baixo público é um
reflexo da sociedade, visto que inclusão social de pessoas com deficiência é um
tema de pouco interesse na arena social. Ele garante que isso não prejudica o projeto
porque é um público mais qualitativo do que quantitativo.
"Sabemos que isso não resolverá o problema da UFJF, a instituição não se tornará
acessível de uma hora para outra, mas o projeto tem importância significativa:
distribuição de informação gerando expectativa para que essa temática possa ser
evidenciada em outros momentos, sensibilizando as pessoas para que, de fato, se
efetive uma UFJF mais inclusiva no futuro"
.
"Somos todos diferentes!"
Marcos Nunes garante que o objetivo do projeto não é fazer com que as pessoas
encarem a pessoa com alguma deficiência física como igual. "Nós somos todos diferentes, temos
características diferentes e isso tem que ficar bem claro. Não quero que todos
sejamos iguais, quero que as diferenças sejam respeitadas. Só isso!"
.
O coordenador ressalta a importância da mídia nesse processo de respeito às
diferenças. "O projeto acontece na UFJF, mas é aberto ao público e se preocupa
com a sociedade como um todo, então, é importante que a imprensa nos ajude
a divulgar essas questões e romper com preconceitos"
, enfatiza.
Nunes destaca, ainda, que, muitas vezes, as pessoas são preconceituosas sem saber.
"A própria maneira como as pessoas se referem àqueles com deficiência é preconceituosa.
O termo 'portadores de deficiência', por exemplo, está equivocado porque a pessoa
não porta a deficiência, ela a tem. O verbo 'portar' pressupõe que, em algum momento,
a pessoa vai deixar de portar e isso não é verdade. Dizer que ela tem 'necessidades
especiais ou que é uma pessoa especial' é outro engano freqüente, porque somos todos
especiais e possuímos necessidades especiais. Nós temos que entender que as diferenças
existem só precisam ser respeitadas"
.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF