As crianças possuem uma agenda tão cheia quanto a dos adultos. Além da escola, elas têm compromissos com a aula de informática, balé, futebol, teatro, música, capoeira, natação, dentre outros.
Preencher o dia-dia da molecada com diversas tarefas extracurriculares levanta uma discussão quanto aos benefícios e prejuízos para o desenvolvimento da criança. Segundo a professora doutora em educação brasileira, Tereza Scotton, há cerca de cinco anos condenava-se a atitude dos pais de matricular os filhos em muitas atividades, além do ensino regular.
"Alegava-se que os meninos e meninas precisavam de ser crianças e que muitos afazeres
cansavam-nos, impedido-os de terem os seus momentos"
. Tereza, entretanto, afirma
que os autores acreditam, atualmente, que as multiatividades podem garantir a ampliação
da sensibilidade e o desenvolvimento lingüístico, corporal e intelectual da criança.
Ela diz que o aprendizado de outra língua desperta o interesse da criança pela literatura
e cultura estrangeiras e também a interação com a internet. "Outro idioma não
assusta os baixinhos. A criança vai incorporando novos conhecimentos e isso constitui
um ganho relevante para a vida"
.
Já o esporte traz benefícios para o corpo, além de estimular o auto-controle. A arte
proporciona a libertação, o auto-conhecimento e o conhecimento do outro. "As atividades
enriquecem as relações sociais, acrescentam experiências de vida, seja com as alegrias
ou com as decepções"
.
Para Tereza, as crianças que participam de diversas atividades extracurriculares têm
mais chances de se favorecerem futuramente no mercado de trabalho. "Vão ter mais
capacidade para organização, resolução de problemas e saberão como projetar o futuro"
.
A professora alerta que não se deve sobrecarregar o tempo da crianças e que é preciso
levar em conta a idade, a aptidão e a vontade da criança. "Deve-se respeitar o
desejo da molecada e a sua afinidade com a atividade"
.
É comum os pais inscreverem seus filhos em cursos que eles não tiveram oportunidade de fazer, como se fosse uma forma de compensar as suas próprias frustrações. Esse não é, no entanto, um bom caminho para o desenvolvimento da criança.
"A própria criança vai dizer se está gostando das aulas e vai demonstrar a sua satisfação.
Os pais não devem se preocupar com o que acham que é importante para as crianças mas,
sim, em oferecer opções para que elas possam escolher, e também levando-as para conhecer
as atividades. Eles não devem pensar em qual curso vai dar mais status ou simplesmente
em ocupar os filhos para que eles tenham o que fazer"
.
Muitas escolas oferecem atividades complementares fora do horário de aula. Isso facilita o trabalho dos pais, evitando que eles tenham que buscar e levar as crianças de um local para outro. O deslocamento pode provocar perda de tempo e desmotivar os meninos e meninas em participar de tarefas extras.
A maioria das instituições que disponibilizam essas aulas são particulares. E para que as crianças pratiquem as atividades extracurriculares é necessário desembolsar uma quantia. Os filhos de pais que não são tão favorecidos financeiramente podem ficar prejudicados diante dessa realidade.
No entanto, escolas públicas já estão criando alternativas para oferecer as aulas. Em Juiz de Fora, nos estabelecimentos municipais algumas atividades já fazem parte do currículo.
Para que os estudantes de escolas públicas tenham igualdade de condições no desenvolvimento, igrejas, associações de bairros, dentre outras entidades que assiste crianças carentes propõem alguns cursos, que contam com o trabalho voluntário de professores.
Tereza afirma que é importante a população cobrar dos governantes políticas públicas voltadas para a educação além da escola para garantir o desenvolvimento pleno dos jovens.