Especial 100 anos de Imigração Japonesa
Método japonês ensina a estudar
Sem limite de idade, método ensina o aluno a dominar disciplinas,
ser autodidata e a aprender com os erros
Repórter
14/07/2008
A professora Beatriz Maria Tasca (no vídeo) saiu das salas de aula e há 15 anos utiliza um método japonês para orientar alunos de todas as idades.
Ela dava
aula de ciências e matemática e percebia as dificuldades dos estudantes,
principalmente em disciplinas que exigiam cálculo.
"Eu via que eles acertavam o raciocínio e erravam a conta. Ficava pensando se não havia uma maneira de fazê-los aprender"
.
Ela enfatiza que, atualmente, não é professora.
"Meu papel é orientar"
. Através do método, ela ajuda os alunos a dominar
matérias, como matemática, português e inglês, e não somente a decorar. O
objetivo é que o aluno vá além de sua série escolar, se tornando adiantado.
"Ser adiantado não significa que o aluno vai tirar nota 100 em tudo. É dominar conteúdo e ter disciplina"
, explica.
O fato de existirem orientadores, e não professores, deixa evidente um dos
objetivos do método: fazer com que o estudante seja autodidata. Esse ponto é
trabalhado através do próprio material.
"Ele ajuda a aprender, pois é todo exemplificado"
. Beatriz explica que
quando o aluno não sabe resolver determinado exercício, ela só mostra como se
faz em último caso. Primeiro, ele tenta descobrir sozinho, utilizando os
exemplos do próprio material.
"Isso o estimula a encontrar as respostas"
.
Etapas
O curso acontece de forma progressiva e a orientadora
garante que o aluno vai aprendendo sem se dar conta. O curso de matemática
vai do estágio "7A" até a letra "O". O de Português começa no "4A" e
segue até o "J", quando o aluno se forma.
Cada estágio é formado por blocos, que são os assuntos estudados.
Para estudar com o método, o primeiro passo é fazer uma prova de nivelamento, chamada teste de diagnóstico. Para os alunos que estão cursando o ensino médio ou a faculdade e para aqueles que já têm um nível de aprendizado mais avançado, o teste aplicado é o que corresponde à 4ª série. Os estudantes de 5ª a 8ª fazem o teste que corresponde à 3ª série. A partir desse resultado, ele começa a freqüentar as aulas.
O método trabalha com metas. Elas são definidas levando em consideração o
teste de diagnóstico.
"Temos uma tabela que indica, a partir do ponto de partida, o estágio que o aluno
deve atingir e em quanto tempo isso deve acontecer"
.
Os exercícios dos blocos servem de teste. Através deles, a orientadora sabe se
o aluno pode passar para o próximo ou se precisa estudar mais.
Concluídos os blocos de um estágio, o aluno passa por uma outra prova,
chamada teste de assimilação. Nesta prova, Beatriz vê se ele domina o conteúdo.
Dominar o conteúdo não significa somente saber o que o exercício pede. É
necessário que o aluno resolva as questões em um tempo máximo já determinado.
"Levamos em consideração o número de questões corretas e o tempo que ele gastou para solucioná-las"
.
Apesar de parecer um processo de aprendizagem longo, por causa do grande
número de estágios, a orientadora diz que os alunos completam, todos eles,
entre um e dois anos. A cada 20 dias, eles costumam passar um estágio. Apesar
de citar tempo, ela diz que tudo depende de cada um, levando em consideração a
capacidade e o nível de concentração.
"É um método para aprender a estudar, não adianta querer correr"
.
Quanto mais cedo a pessoa começa as aulas, melhor. Crianças a partir de
dois anos podem praticar e não há limite de idade.
"As crianças têm mais capacidade de assimilar coisas, mas todos são capazes, é só exercitar
o cérebro. Tenho alunos idosos"
.
Por isso, o método também é aconselhado para quem quer um emprego público.
"Não ensinamos matemática financeira, mas com o domínio da matemática, a pessoa estuda o que quiser"
.
Além de se tornar um aluno avançado, dominar disciplinas e ser autodidata,
o estudante ainda aprende a autocorreção.
"Eles aprendem com os próprios erros e isso é muito importante"
. Beatriz
cita outros benefícios do método, como aprender a ter responsabilidade, já que
eles mesmos são responsáveis por passar as notas para o boletim e ter uma
capacidade maior de concentração e compreensão.
"Há também os ensinamentos para a vida, pois ele aprende a ser um bom cidadão. A educação é o alicerce"
.