Educação
Terça-feira, 8 de junho de 2010, atualizada às 19h20

Diante da crescente violência em ambiente escolar, profissionais iniciam debate para criação de código de conduta

Aline Furtado
Repórter

Para criar um código de conduta contra a violência, que irá nortear o trabalho dos profissionais da educação pública municipal de Juiz de Fora, foi criada, na tarde desta terça-feira, 8 de junho, uma comissão, composta por diretores, vice-diretores e professores. A intenção é que o documento seja utilizado como diretriz às medidas a serem adotadas diante da crescente violência no ambiente escolar.

"Vamos definir tudo aquilo que precisamos, queremos e pretendemos com relação ao nosso trabalho, isto fará parte de um documento inicial. Em seguida, discutiremos com órgãos, como o departamento jurídico da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e do Sindicato dos Professores (Sinpro), Ministério Público, Conselho Tutelar e Vara da Infância e da Juventude", explica a secretária de Educação, Eleuza Maria Barboza.

De acordo com a secretária, o problema da violência envolve não só os alunos, mas também os pais. "A discussão sobre esta problemática deve englobar alunos, pais, professores e comunidade. Não existe mais limite, por isso, a necessidade de termos respaldo no documento." Para debater sobre o tema, foi realizado, em Juiz de Fora, nesta terça-feira, 8 de junho, o seminário A Violência na Sociedade Contemporânea e seus Reflexos na Escola.

"A sociedade mudou, a questão dos direitos humanos avançou, mas a escola não acompanhou este processo. Com isso, o que vemos nas escolas, atualmente, é uma explosão de desrespeito, indisciplina, brigas, ameaças, uso de drogas, entre outros problemas", pondera Eleuza.

Exemplo deste quadro de violência é citado pela vice-diretora da Escola Municipal Antonino Lessa, do bairro Santa Efigênia, Carla Silva Martins Ribeiro. "Nossa escola é muito aberta, isso gera insegurança. Convivemos com alunos drogados, ameaças, brigas, o que nos causa medo e tensão constantes." Segundo Carla, o diálogo ainda tem resolvido. "Tentamos resolver problemas conversando. Às vezes, contamos com a ajuda de ex-alunos para intermediar em casos complicados, já que eles costumam ser conhecidos por fazerem parte da comunidade", relata.

Já o professor da Escola Municipal Dom Justino, localizada em Torreões, Célio Santiago, diz que a violência na zona rural é menor que na urbana. "Creio que a situação ainda está mais controlada porque trabalhamos em período integral, o que faz com que seja estabelecido um vínculo entre os profissionais da escola, os alunos e os pais. Este vínculo acaba fazendo com que nos tornemos referência." Entretanto, ele afirma que a facilidade de ir e vir já tem provocado aumento no número de casos de violência. "Há dez anos a situação era bem diferente da que vivenciamos hoje em dia", revela.

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