Faltando seis dias para as eleições, acirram-se as disputas. Para conquistar o voto do eleitor, candidatos intensificam suas campanhas, e nessa corrida eleitoral vale utilizar diversos artifícios, como colocar bandeiras nas ruas da cidade, cartaz em muros e fachadas, apostar em carro de som e no corpo-a-corpo.
Em Juiz de Fora, há eleitores que ainda não sabem em quem votar para vereador e vão
decidir em cima da hora de digitar os números na urna eletrônica. Segundo o professor
de ciências políticas e sociologia, Raul Magalhães, a dificuldade
existe pelo grande número de candidatos que não possuem visibilidade social. "O eleitor
não conhece o trabalho de muitas pessoas que estão se lançando na política"
.
Os 391 candidatos que disputam o voto dos juizforanos almejam ser um dos 19 que vão
exercer um cargo no Executivo. "Um político
pode desfrutar de algumas vantagens, como a boa remuneração e status, além
de ser uma forma de poder realizar seus projetos sociais"
, afirma Magalhães.
Para o professor, é importante que o eleitor se preocupe em conhecer a história do candidato e em verificar se as suas realizações o habilita para ser um representante da população. Entretanto, poucos são os eleitores que fazem essa análise e poucos são aqueles que quatro anos depois se lembra em quem votou.
O cientista político Paulo Roberto Figueira Leal recomenda não
votar naqueles que fazem promessas irrealizáveis por um vereador. "Para conseguir cumprir
a promessa, os candidatos podem ficar reféns da simpatia do Executivo e negligenciar o papel de
fiscalizá-lo"
.
Leal afirma que o sistema político brasileiro não conseguiu consolidar a longo prazo
uma identificação partidária, como em outros países. "Em muitos lugares, há a adesão
partidária dos eleitores, que não ficam à reboque de construções personalizadas. Um conjunto
de idéias é melhor do que uma só pessoa. Os partidos políticos deveriam ter mais
significados para a população"
.
Na cidade, 147 candidatos a vereador possuem ensino superior
completo; 125, ensino médio completo; 46, ensino fundamental completo;
e 30, ensino fundamental incompleto.
Para Leal, a questão do grau de instrução como requisito é questionável. Ele acredita que o eleitor deva considerar o fato do candidato ter ou não compromisso sério com a sociedade e se ele vai se cercar de uma assessoria técnica para ajudá-lo a tratar de questões específicas.
Em relação à profissão, a maior parte dos candidatos são comerciantes - são 50 disputando uma cadeira no Legislativo. Depois vêm os advogados e policiais militares, com 21 e 14, respectivamente. Há ainda dona de casa, professor do ensino médio, servidor público municipal, empresário, aposentado, músico, esteticista, estudante, jornalista, dentre outras. O portal ACESSA.com contabilizou candidatos de 95 profissões diferentes.
Tentando a reeleição, considerando os eleitos em 2000 ou 2004, são 23. Um dado em relação à idade dos candidatos chama a atenção: a maior parte deles nasceu entre as décadas de 1950 e 1970, sendo que a geração, entre 1960 e 1969, é a que mais lança candidatos, são 145. Dos 391, apenas 91 são mulheres.
A eleitora Angela dos Santos Silveira diz que acompanha pelo rádio as propostas dos
candidatos. Mesmo assim, ela ainda não conseguiu escolher ainda um representante.
A vendedora Alessandra Nascimento também
não se decidiu e diz que a dificuldade se deve ao grande número de candidatos.
Para o aposentado Marcos Cardoso de Paula, a escolha está complicada, mas diz que
já cogita um nome. "Têm candidatos que pretendem apenas se beneficiar, por isso,
está com este índice de corrupção tão alto"
. A aposentada Nilda Barbosa de Almeida
revela que, por morar a pouco tempo na cidade, vai procurar referência dos candidatos
com os amigos.
O artesão Otoni Toledo revela que vai votar em um candidato que esteja envolvido com
a arte. A autônoma Priana Alves da Silva diz que está em dúvida entre dois candidatos
que moram no mesmo bairro que ela. "Um é conhecido da família e o outro já foi
presidente da Associação do Bairro e ajudou muita gente"
.
Já a contadora Beatriz Americano e a cabeleireira Angela
Cristina de Souza Silva contam que vão votar em candidatos que estiveram
no cargo de vereador. "Acredito que ele tenha exercido bem a sua função
e, por isso, vale
estar novamente no cargo"
, declara Beatriz.
A psicóloga Ana Lúcia Werneck diz que já escolheu o seu vereador.
"Eu o conheço e acompanho sua trajetória"
. Assim como Ana Lúcia,
também vai confiar em um conhecido,
o supervisor de compras Paulo José. "É uma pessoa íntegra e
que tem o perfil de quem pode contribuir para o desenvolvimento da cidade"
.