Esporte

Jovem atleta juizforano é destaque no boxe nacional Com seis meses de treino, Igor Spineli é vice-campeão brasileiro de boxe.
Para o futuro, quer conciliar estudo e treino

Priscila Magalhães
Repórter
02/09/2008

Ele é praticamente um novato no boxe e conquistou a medalha de prata no Campeonato Brasileiro de Boxe, que aconteceu em julho deste ano, em Brasília. Naquele mês, Igor Augusto de Andrade Spineli, de 17 anos, treinava há cerca de quatro meses. "É muito bom ganhar em tão pouco tempo de treino".

A medalha serviu de incentivo para que ele continue treinando e busque mais medalhas. "Foi muito gratificante conquistar a medalha. Depois da primeira, quero a segunda, terceira, quarta...", diz ele, animado.

Igor começou a praticar o boxe por influência de alguns amigos que já treinavam. Chegou na academia para ver e não saiu mais, ao contrário dos amigos, que já abandonaram o esporte. Ele confessa que conhecia o boxe, algumas de suas regras e costumava assistir a algumas lutas pela televisão. "Nos primeiros dias foi muito emocionante. Eu não tinha idéia de que treinar era totalmente diferente de assistir", conta.

No começo, as dificuldades não foram muitas. Uma delas foi convencer sua mãe a respeito das lutas. Ela não queria que o filho lutasse. Apenas aceitou que ele praticasse o boxe como uma atividade física. "Antes da medalha, convenci minha mãe a aceitar. Hoje é mais tranqüilo".

Nos primeiros dias de treino, há cerca de seis meses, sentia apenas algumas dores no corpo e muito cansaço. Atualmente, treina de segunda a sábado, durante duas horas por dia. O treino é composto de aquecimento, alongamento e escola de boxe, quando os atletas aprendem movimentação e fazem exercícios de sombra. "A sombra é quando a gente fica socando o ar", explica ele.

Foto de Igor no Podium Foto de Igor no campeonato

E não pára por aí. Depois de socar o ar, ele treina no saco, faz exercícios físicos, como abdominal, corrida e pula corda. A escola de combate, quando acontece o enfrentamento no ringue, também faz parte dos treinos. Para garantir energia suficiente para os treinos e competições, Igor controla a alimentação, abusando das verduras e proteínas. "Só assim para agüentar o treino".

Aos que pensam em começar a praticar o boxe, Igor diz que é importante querer, ter vontade, pois não é fácil, principalmente subir no ringue para lutar. "É preciso ter coragem", ressalta ele. Para se proteger, usa capacete, ataduras nas mãos, luva, sapatilha, calção e camiseta nas lutas. Também é importante retirar todos os acessórios, como pulseiras, cordões e brincos.

Futuro no esporte

Igor ainda cursa o 2º ano do 2º grau e tem uma certeza: não quer abandonar o boxe. Para conciliar melhor as duas atividades, ele pensa em fazer a faculdade de fisioterapia. "Assim, também fico próximo ao esporte".

Ele torce para que o esporte seja mais divulgado em Juiz de Fora e para que os patrocinadores queiram investir. "Quando viajamos, a academia cobriu os custos. Seria mais interessante se a gente tivesse patrocínio".

Foto de Igor batendo no saco Foto de ringue de luta

Sobre o fato de o boxe ser associado à agressividade e violência, Igor diz que, realmente, é um esporte violento, mas isso não significa que quem o pratica seja agressivo com os amigos, com a família ou com outras pessoas. "Somos pessoas calmas", enfatiza.

Ele diz que o esporte tem muitas vantagens e conta que sentiu uma série de melhorias para sua vida nos últimos meses. O atleta se alimenta melhor, tem um bom condicionamento físico e sente que seu relacionamento com as pessoas também está melhor. "Todo mundo dizia que eu era distante das pessoas, que eu chegava calado e saía do mesmo jeito. Agora, me relaciono melhor com os outros".



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