Adelino dos Santos é destaque nas cavalgadas Com 89 anos, Adelino participa de cavalgadas e já ganhou nove troféus
*Colaboração
24/11/2008
O corpo franzino, os cabelos brancos e a pele marcada por quase nove décadas de histórias escondem a garra e a vitalidade de Adelino dos Santos. Aos 89 anos ele participa de cavalgadas, está lúcido e com pique para mais de 20 quilômetros no lombo de um cavalo.
Isso mesmo. Esse foi o percurso de Adelino em sua última cavalgada da qual ele saiu dizendo que era pouco. Filho de tropeiros, o cavaleiro está acostumado ao clima eqüestre e ama o seu ofício.
Nascido em Piau, em fevereiro de 1919, Adelino sempre demonstrou paixão pelos animais e interesse por trabalhar com eles. Criança, apanhava por matar aula para ajudar o pai e aos poucos foi assumindo o legado paterno.
E como tropeiro casou-se e educou quatro filhos. Nenhum deles se interessou
pelas cavalgadas, mas o legado não vai ser ser deixado para trás. Três gerações
depois é possível observar a marca do tropeiros no bisneto de Adelino.
Aos quatro anos de idade, para orgulho do bisavô, o garoto o acompanhou nas comemorações da Festa da Banana e ganhou seu primeiro troféu.
Adelino e sua tropa prestaram serviços para quase todos os fazendeiros da região, carregando e puxando café, milho, bambu e tudo mais que aparecia. Essa disponibilidade e a larga experiência de décadas e décadas no lombo do cavalo o fizeram o homem mais conhecedor dessas paragens.
Quando aposentou do ofício de tropeiro, não quis abandonar os cavalos e se aventurou
nas tradicionais cavalgadas da região. Já participou de mais de dez cavalgadas. "Não
me recordo muito bem, mas acho que são umas 15"
, arrisca.
Conhecido e muito querido no meio rural e eqüestre, Adelino se orgulha dos nove troféus que já recebeu. O último deles foi um reconhecimento por sua relevância nesse cenário. Com uma postura invejável e um sorriso singelo ele revela que os cavalos são mesmo parte da sua vida.
"Minha vida toda sempre foi com animal. Quando era mais jovem, domava cavalo
bravo"
, orgulha-se. Adelino é o cavaleiro mais idoso da região e sua terra
natal retribui o carinho e o respeito do seu cidadão mais ilustre. A festa mais
tradicional da cidade não começa enquanto ele não chega.
Sobre as cavalgadas, o cavaleiro comenta. "O que eu mais gosto são os companheiros,
os amigos e a oportunidade de voltar aos locais por onde passei quando trabalhava
como tropeiro"
, diz.
Entre tantas viagens em cima de sua égua Surpresa, que há 14 anos lhe acompanha,
o antigo tropeiro não consegue escolher uma. "Todas elas me deixam emocionado
e me marcam de alguma forma"
, declara.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF
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