Ailton Alves
25/08/2008
Acabou a Olimpíada de Pequim, os jogos da China, de César Cielo, de
Maurren Maggi e das meninas do vôlei. Terminou aquele período em que atletas, e
por extensão os torcedores, buscam gananciosamente o ouro (como se o Eldorado -
não o de Howard Haws ou de Chaplin, mas um mais imediato - estivesse na
esquina, ao alcance das câmaras de TV). E se desculpam pela prata (como se
fosse um prêmio de consolação). E apresentam uma euforia desmedida pelo bronze.
E até comemoram posições que não dão direito ao pódio.
Mas os jogos chegaram ao fim e o Brasil esportivo continua exatamente do mesmo tamanho. Nunca seremos uma potência olímpica (por razões complexas demais para caber nessas mal traçadas) e viveremos para todo o sempre de espasmos individuais ou de um coletivo bem diminuto.
Foi uma Olimpíada de recordes, de super-homens (como o norte-americano Michael Phelps e o jamaicano Usain Bolt), mas sobretudo de imagens. Nos casos que nos interessam, à estranha estética de Cielo se contrapôs a beleza plástica do vôo de Maurren: sete metros e quatro centímetros no ar, com a silhueta grega, uma Vênus entregue aos flashes é "A" cena. A alegria coletiva das jogadoras de vôlei talvez nem conte muito, tão acostumados que estamos com elas mandando beijos, "alô, papai", "te amo, mamãe" via satélite. São jovens, belas e felizes essas meninas. O ouro para elas me parece apenas um adorno a mais.
Não sendo um país olímpico (já que podemos, a cada quatro anos, apenas contar nos dedos de uma só mão as medalhas de ouro conquistadas) comentamos com o mesmo vigor os fracassos: que pena que Diego Hypólito errou aquele último salto. Era um gol feito, aquela bola que está em cima da linha, sem goleiro e chutamos para fora - situação de quem foi traído pelos nervos. Que falta fez o levantador Ricardinho, cortado da seleção masculina de vôlei por motivos ainda nebulosos - coisa de ovelha negra numa família quase certinha.
Começou a Taça Minas, e o Tupi arrancou um bom empate em Uberlândia - ou quase bom. Particularmente, se tem que empatar, prefiro que aconteça em casa. Fora é lugar de ganhar. Só uma vitória em terreno inimigo compensa a distância, a viagem e a aflição de acompanhar o jogo apenas pelas ondas do rádio.
Está no meio o campeonato brasileiro e desde já sabemos que não teremos um campeão absoluto, como foi o São Paulo nos dois últimos anos. O líder Grêmio e o vice-líder Palmeiras não são times de encher os olhos. O Botafogo, a grande novidade na virada de turno, estancou no triste Vasco e o Cruzeiro, que tem o melhor elenco, iniciou o returno com derrotas.
Pode ser que ainda aconteça algo de extraordinário. Por certo muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte, mas não tenho esperanças de ver águas cristalinas. Acredito que seja algo turvo, como o futebol de gremistas e palmeirenses.
Ailton Alves é jornalista e cronista esportivo
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