
Futebol de madrugada era coisa que brasileiro só via raramente, no máximo uma vez por ano, quando algum time do país ia para a final do Mundial Interclubes, no Japão. Mas na Copa de 2002 isso se tornou freqüente. E muita, muita gente acordava para ver as partidas. Fosse para ver as vitórias do Brasil, ou as derrotas que tiraram França e Argentina da disputa ainda na primeira fase, os juizforanos acordaram mais cedo, ou nem dormiram para grudar na frente da televisão e ver a Copa da Coréia e do Japão. Valeu à pena!
Dia 3 de junho, entre 6h e 8h, os bares que costumavam estar vazios dessa vez estavam cheios. Na Praça da Estação, um dos pontos mais movimentados. O complexo de bares e cafés reuniu muita gente para ver a primeira vitória do Brasil na Copa, no suado jogo contra a Turquia. Ali, meio dormindo, meio acordados, alguns juizforanos viram o juiz dar uma mãozinha à Seleção e garantir uma estréia com vitória para o time de Luís Felipe Scolari. A maioria daqueles homens que acordaram cedo para ver o jogo nos bares eram operários de construções próximas. Eles trocaram o café da manhã pela cerveja. Afinal, nada combina melhor com o futebol.
Para os alunos da rede municipal de ensino, acordar cedo ou dormir tarde não era problema nenhum. Com os professores em greve, ninguém nas escolas geridas pelo município tinha aula, o que ajudou muita gente a "dedicar-se mais à Copa".
Nos bairros, a mesma animação dos anos ateriores. Na Zona Norte a vibração foi intensa. Nas outras regiões também. No bairro JK, por exemplo, os moradores fecharam a rua principal do bairro para fazer um churrasco no meio da via.
Nas escolas, quem teve aula na verdade viu o jogo. No Cantinho Feliz, escola infantil, as crianças entraram no clima da Copa. Os adultos tinham outra programação. Iam para a balada à noite e não voltavam. Ficavam pela rua para ver os jogos, ou nas próprias boates, ou em bares espalhados por todos os cantos. As concentrações na casa de amigos, que começavam no início da noite e só terminavam depois do almoço, também foram comuns na Copa de 2002.
Mas aquele ano foi mesmo o ano do Alto dos Passos. A Copa que se viu ao som de Ivete Sangalo e seu "vai rolar a festa" tinha um lugar delimitado nas ruas em frente ao shopping Alameda ou próximo ao antigo trevo do Bom Pastor. Trios elétricos garantiam a animação de quem ia para lá antes, durante ou depois do jogo. Após a final, milhares de pessoas começaram uma festa que iniciada cedo, só terminou no final da tarde. Juiz de Fora parou mais uma vez para comemorar um título mundial, após a vitória tranqüila contra a Alemanha, com dois gols de Ronaldo. E espera parar, novamente, em 2006, para mostrar que o futebol brasileiro consegue ser mais do que cinco estrelas. De preferência, seis.
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