O trauma de 1950 ainda não foi esquecido. Mas o título na Suécia, oito anos depois, e com apresentações brilhantes ajudou parte de uma geração de torcedores brasileiros a se sentir em paz. Em Juiz de Fora, as coisas foram bem diferentes em 1958. A festa de fato ganhou as ruas e, de todos os títulos, esse sem dúvida nenhuma teve uma característica especial.
Naquela época não havia transmissão das partidas pela televisão. As pessoas ouviam mesmo pelo rádio. E a grande concentração de gente na cidade se dava na Rua Halfeld. E não era depois do jogo, para comemorar as vitórias. Era durante. Todas as ruas da cidade ficavam vazias, menos a Halfeld. O motivo: os auto-falantes da Rádio Industrial, que funcionava em um dos prédios ao lado do Cine-Theatro Central. Wilson Cid explica que, ali, uma multidão assistia às partidas do Brasil na competição.
“Era muita gente mesmo. Os auto-falantes ficavam para o lado de fora, altos e uma multidão, do Palace até a Rio Branco ficava ouvindo os jogos ali. O que ajudava a dar mais emoção é que as transmissões não tinham qualidade naquela época. Então o som subia e abaixava. Alternava. Ele vinha em ondas mesmo e então era ainda mais emocionante”.
As pessoas ficavam sentadas na beira do meio-fio, pois a Halfeld na época possuía calçada e asfalto. Foi ali que muitos ouviram o Brasil vencer a Suécia por 5 a 2 e conquistar com merecimento o título de melhor seleção do mundo. Um dos principais pontos de aglomeração era o Salvaterra, café que ficava em frente à Rádio Industrial, em um prédio onde hoje funciona uma agência bancária, também ali, ao lado do Central.
Era ano eleitoral e por isso muita gente aproveitava a Copa do Mundo para fazer campanha. Quase como hoje. Após a vitória, Euclério Pires, comerciante, candidato e filiado ao PSP, mandou publicar no "Diário da Tarde" um anúncio parabenizando o Brasil pela conquista do título. Várias empresas também fizeram isso.
Antes da final, o "Diário da Tarde" se dividia entre as notícias sobre os problemas financeiros vividos na época pela CBD - Confederação Brasileira de Desportos, ou exaltações de esperança. Fica claro pelas páginas do jornal que, de 50 a 58, o interesse pela Seleção Brasileira já havia aumentado muito. As vitórias agora eram de fato comemoradas com muita festa. Anunciada antes do jogo."Se o Brasil ganhar dos ingleses vai ter grandes bebemorações", dizia uma nota de coluna do dia 11 de junho". E ganhou.
Mas a cobertura estava mais focada no que acontecia fora de campo do que o que de fato rolava nos gramados. O juizforano teve acesso a notícias como a provável venda de Pelé para o Benfica, por 6 milhões de cruzeiros, ou a possível ida de Didi e Belini para a Espanha, o que mostra claramente que o assédio por jogadores brasileiros já existia naquela época.
Também o fato de haverem ingressos falsificados e até um concurso de tiro realizado pelos atletas brasileiros na Suécia chegaram até os juizforanos nas páginas do jornal. Pelé, Garrincha e Didi venceram o duelo, mostrando que não eram bons apenas no futebol.
Fim da Copa e a rádio PRB-3 foi ao Rio transmitir ao vivo a chegada dos campeões. Na verdade, a imprensa daquela época preocupava mesmo era com a Copa em si e com as coisas que cercavam nossa Seleção. Não existia essa preocupação de hoje com a retranca local, em buscar a repercussão na cidade. Mas os poucos registros deixam claro que a alegria não tem fronteiras e nem distâncias. Que o que o sorriso que se via na Suécia também se viu na Rua Halfeld naquele dia 29 de junho de 1958.
Av. Barão do Rio Branco, 2390 - Centro - 36.016-310 - Juiz de Fora - MG - Fone: (32)2101-2000 | (32)3691-7000