Esporte
A hora da virada Com um time de estrelas, Argentina quer recuperar a credibilidade na Copa
Repórter
abril/2006
O mais europeu dos países sulamericanos. Assim a Argentina costuma ser considerada por muitos, inclusive no Brasil. Mas as crises, o calote da dívida e os recentes traumas políticos e econômicos fizeram com que a a Argentina se empobrecesse. Ainda assim, continua guardando o charme de suas cidades como Bueno Aires, a capital. Córdoba, Rosario, Mendoza, La Plata, Mar del Plata e San Miguel de Tucumán também são municípios importantes do país de 38,7 milhões de habitantes. O PIB per capta da Argentina é de 10.200 dólares. A moeda local é o peso argentino, que perdeu força nos últimos anos, apesar das tentativas forçadas do governo de equipará-lo ao dólar. Os argentinos falam espanhol e hoje possuem, em média, 29 anos. Ainda não chegaram na metade da vida segundo as estimativas, que dão conta de que podem viver, em média, 75,48 anos.
A Argentina é um país de grandes dimensões mas, com uma população mais ou menos um quinto da brasileira, tem uma densidade populacional baixa: de 14 habitantes por quilômetro quadrado. Também são poucos os internautas. Cerca de quatro milhões, ou mais ou menos 10% da população estimada para hoje. Eles acessam pelos domínios ".ar" e o site de sua federação de futebol é o: http://www.afa.org.ar/
Em campo:
Os maiores rivais do futebol brasileiro em todos os tempos. A Argentina não topou com o Brasil em finais, mas pode ser assim considerada por causa da rivalidade criada pelas disputas sulamericanas, pelos confrontos de opiniões quando se fala de Pelé e Maradona ou até mesmo pela disputa pela hegemonia econômica que as duas maiores potências da América do Sul sempre travaram.
Em Copas do Mundo, a Argentina já marcou presença em 13. Venceu duas, em 1978 e 1986, mas se gaba de ser a seleção que mais títulos conquistou da Copa América. São 14 no total, a maioria absoluta entre as décas de 20 e 50. Desde 1993, no entanto, isso não acontece. Além disso, a Argentina já conquistou seis títulos Pan-americanos em sua história, o último em 2003.
A federação argentina foi fundada em 1893, mas só filiada à Fifa em 1912. O grande momento da história do futebol dos "hermanos" foi em 1978, quando jogando em casa eles faturaram o primeiro título mundial. Na ocasião, o herói foi Mario Kempes autor dos dois gols na final contra a Holanda.
Outro título só em 1986, agora comandados por Diego Armando Maradona, considerado por muitos como o segundo maior jogador da história do futebol mundial. Para os argentinos, o primeiro, indiscutivelmente. O próprio Maradona tentou levar a Argentina a mais um título na competição seguinte, em 1990, mas Brehme, de pênalti decretou a vitória alemã e acabou com o sonho do tricampeonato. Antes disso, a Argentina já tinha chegado á final e perdido uma Copa. Foi na primeira delas, em 1930, quando a seleção perdeu para os rivais uruguaios por 4 a 2.
Depois de mais um "quase" em 1990, copa em que eliminaram os brasileiros com um gol de Claudio Cannigia após passe de Maradona, os argentinos chegaram em 1994 como um dos favoritos. Mas quando Maradona foi eliminado do campeonato por não ter passado no exame antidoping, o sonho começou a desmoronar, com o time sendo eliminado logo na segunda fase.
Em 1998 os argentinos passaram da primeira fase. Encararam a Inglaterra em um confronto carregado de sentimentos que começaram ainda na Guerra das Malvinas e, pelo menos dentro de campo, os argentinos deram o troco. Venceram e ficaram ainda mais confiantes de que era hora do tricampeonato. Mas a Holanda de Dennis Bergkamp estava no caminho, e com um gol já no finalzinho da partida, eliminou os argentinos de mais uma Copa do Mundo.
Em 2002 era o ano da volta por cima. A classificação com sobras nas eliminatórias para a Copa do Mundo, em primeiro e deixando o Brasil para trás poderia ser um prenúncio de que as coisas seriam bem diferentes para a Argentina. E foram, mas para pior. O time caiu no chamado grupo da morte, e foi eliminado ainda na primeira fase cedendo as vagas para Inglaterra e Suécia. Pior foi ver os rivais brasileiros campeões mais uma vez.
Depois daquela Copa os argentinos ficaram traumatizados. Mas ainda assim quiseram mostrar serviço nas eliminatórias e em todas as competições que fossem disputar nos últimos anos. A Copa América foi tranqüila até a final, encarou o time reserva do Brasil, jogou melhor mas acabou derrotada nos pênaltis, após estar vencendo até o último minuto. Adriano foi o carrasco.
Se na Copa América ninguém acreditou no desastre no finzinho, nas Eliminatórias as coisas iam muito bem. No duelo contra o Brasil, os argentinos devolveram, em Buenos Aires, a derrota que sofreram em São Paulo, no Morumbi, na primeira fase. Três a um, sobre o badalado quarteto mágico e os argentinos se encheram de moral.
Mas a Copa das Confederações deu motivos para que eles voltassem a se preocupar. Mais um duelo contra o Brasil, na final da competição e dessa vez eles receberam o troco com juros e correção monetária. A derrota por 4 a 1 acabou diminuindo os ânimos dos argentinos, que acabaram deixando escapar também a primeira posição nas Eliminatórias 2006. Como sabem muito bem que, vencer as Eliminatórias não significa nada, eles esperam que agora as coisas sejam bem diferentes na Copa da Alemanha.
E talento para isso não vai faltar. O time agora comandado por José Pekerman possui no elenco alguns dos maiores jogadores do mundo, caso de Juan Roman Riquelme, Javier Mascherano e Javier Saviola. Roberto Ayala, Juan Pablo Sorin e Hernan Crespo também são destaques na equipe. Na frente, o reserva Carlitos Tévez, que vem dando show em gramados brasileiros pode fazer a diferença. E a grande esperança é mesmo Lionel Messi, jovem promessa, revelada no último Campeonato Mundial Sub-20 e hoje já titular no Barcelona, e um dos jogadores mais habilidosos da atualidade. Já se diz que pode ser o novo Maradona, mas até lá ainda há um longo caminho.
Os adversários desta equipe, na 1ª fase da Copa 2006
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