Para quem pensa que álbum de figurinhas é coisa de criança, está muito
enganado. A febre do álbum da Copa já contaminou até os marmanjos. O
colecionador Vinícius Moura (foto ao lado), 21, sabe bem o que é isso. Em um total de 596
figurinhas, ele precisa de apenas três para completar o álbum. Exagero? Ele
acredita que não. "Uni o útil ao agradável. Como gosto muito de futebol,
resolvi aprender mais sobre as seleções e os jogadores através do álbum",
afirma.
Se Vinícius justifica a coleção através do argumento "sabedoria futebolística", o colecionador Guilherme Oliveira (foto ao lado), 24, reforça: "Figurinha não é coisa só de criança. Consegui fazer amigos trocando algumas repetidas", garante. O outro colecionador João Luiz (foto ao lado), 20, também tem uma razão para o passatempo: "O que realmente me motivou foi que quando eu era criança não tinha dinheiro para completar os álbuns e hoje posso arcar com as despesas", diz.
A paixão é tão grande entre os adultos que um veterano do esporte em Juiz de
Fora não poderia ficar de fora. O professor da Faculdade de Comunicação,
Márcio Guerra (foto ao lado com o álbum), está fazendo o álbum e negocia algumas
figurinhas com seus alunos. "Aprendi a gostar de álbuns com uma tia, em
Guaratinguetá, SP. Ela sempre completava o álbum e ganhava prêmios, como uma
panela de pressão", recorda.
Para Márcio, que faz álbuns desde a infância e tem todos do Campeonato Brasileiro desde 1975, a nova tendência dos adultos loucos por figurinhas é conseqüência do favoritismo da Seleção Brasileira. "O álbum do Campeonato Brasileiro ainda não foi lançado devido a esse sucesso".
O dono de banca de revistas, Guilio Caruso (foto), conta que com o lançamento do
álbum, ele já conseguiu vender mais de 1000 pacotes de figurinhas em apenas
um dia. "Acredito que as vendas foram altas devido o grande número de
propagandas e notícias em relação à Copa", diz. Para um colecionador, o investimento é alto. Só o livro custa R$ 3,90 e cada pacotinho R$ 0,60, incluindo cinco. Fazendo as contas, o colecionador gasta no mínimo R$ 80 para completar o álbum, sem contar os adesivos repetidos.
Só o professor Márcio compra dez pacotinhos todos os dias quando passa na padaria. "Para mim, faltam 38, mas a taça do mundo é a mais esperada", diz.
Guilherme revela um segredinho dos organizadores do álbum. "As figurinhas que saem menos são as de times favoritos, como a Itália e o Brasil", diz. Segundo ele, isso também acontece com os melhores jogadores, como Ronaldinho Gaúcho, Cacá, David Beckham, entre outros.
Quem coleciona de verdade, não perde a chance de conseguir o seu jogador
preferido. É nesse espírito que estão acontecendo os encontros pela cidade
para a troca de figurinhas. Segundo Caruso, em uma dessas marcações, na
Ladeira Alexandre Leonel, no bairro Cascatinha, comparecem cerca de 200
pessoas.Se você também quer fazer parte dessa turma apaixonada por futebol e figurinhas, anote aí o horário dos encontros:
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