A Copa vai começar e os jogos serão transmitidos na televisão durante boa
parte do dia. Na internet, milhões de informações vão circular. Notícias em
textos, vídeos, áudios. Para quem gosta de Copa do Mundo e de futebol não
vai faltar distração nos próximos dias. Mas se você é tão fanático que quer
usar o tempo livre entre as partidas para conhecer mais sobre o futebol, os
livros são uma grande oportunidade. Biografias, livros de história, de
humor, contos, curiosidades e economia relacionam e apresentam o esporte. As
prateleiras das lojas especializadas estão cheias de opções para quem quer
imergir no mundo do futebol.
Um dos mais procurados nessa época é o denso livro de Luis Fernando Baggio, chamado "Copas do Mundo - História e estatísticas". Em suas páginas, todos os detalhes de cada uma das competições organizadas pela Fifa. Cada capítulo conta a história de uma edição, dando detalhes sobre o andamento fase a fase e a participação das seleções.
Ainda sobre Copa do Mundo, uma boa opção é o livro "Os 50 maiores jogos
das Copas do Mundo", de Paulo Vinícius Coelho. O comentarista da
ESPN Brasil e colunista do jornal Lance! conta, em um livro pequeno, os
detalhes dos jogos marcantes que aconteceram no decorrer das disputas entre
países. E não é um livro caro. Custa em média R$ 25.
Mas as opções no quesito "história do futebol" são muitas. O apaixonado pode comprar a "Enciclopédia do Futebol", de Amir Mattos. O livro de capa dura traz histórias, clubes, jogadores, seleções, técnicos, táticas, campeonatos, estádios, dirigentes, federações, árbitros, regras, o mundo do futebol feminino e do futsal e até os jornalistas ligados ao tema. É considerado uma das mais completas obras já publicadas sobre futebol em todos os tempos.
Outro livro que possui bastante informação histórica sobre futebol é "O livro das Datas do Futebol", de Rodolfo M. Rodrigues. Em suas páginas são apresentados os fatos marcantes ocorridos no esporte em cada um dos dias do ano, no decorrer de várias épocas. São informações sobre o nascimento de jogadores, surgimento de clubes, conquista de títulos.
No livro, "A magia da camisa 10", André Ribeiro e Valdir
Lemos contam a história do fascínio que existe em torno deste número
estampado nas costas de craques de todos os tempos. Pelé, Rivelino, Maradona
e Zico, por exemplo, usaram a camisa que é imortalizada. Para saber se
existe ou não uma áurea em torno da camisa que Pelé usou por acaso na Copa
de 58, o leitor por comprar o livro custa cerca de R$ 35.
A história do surgimento e da evolução do futebol brasileiro ainda está presentes em dois outros livros. Em "Corações na ponta da chuteira", Fábio Franzini dá detalhes sobre a evolução do futebol no país desde 1919 até 1938, quando o esporte se profissionalizou. O outro é um clássico. De Mário Filho, escritor e jornalista que dá o nome ao Maracanã e é lembrado por ter trazido a Copa de 50 para o Brasil. Em seu livro "O negro no futebol brasileiro", o irmão de Nelson Rodrigues versa sobre a ligação dos negros com o esporte que consagrou muitos deles.
São inúmeros os títulos que falam de times de futebol. Flamengo, Fluminense,
Botafogo, Vasco, os times paulistas, por exemplo, foram temas de livros
especiais, muitos escritos por torcedores desses clubes. Mas para quem quer
viajar um pouco mais, existe uma opção escrita por John Carlin. Por
cerca de R$ 45 o leitor viaja pelos momentos de um dos maiores times de
futebol do mundo, ou quem sabe o maior deles. Em "Anjos brancos à beira
do inferno. Os bastidores do Real Madrid", Carlin conta os detalhes da
formação de um supertime, mas que não emplaca.
Se o leitor optar por ficar no Brasil, uma opção é o "Grandes Clubes Brasileiros", de Marcelo Migueres e Celso Unzelte. Os autores contam fatos, curiosidades, histórias, vitórias e conquistas dos clubes do país ao longo dos tempos.
De acordo com a vendedora de uma livraria de Juiz de Fora, o livro que tem
sido mais procurado nas vésperas dessa Copa do Mundo é a biografia do
atacante Ronaldo. No livro "Ronaldo - A Jornada de um gênio",
James Mosley conta a trajetória do garoto que começou a jogar bola no
São Cristóvão e foi o maior responsável pela conquista do pentacampeonato
pelo Brasil. A trajetória, composta por emoções e dramas, como nas contusões
que quase o tiraram da Copa do Mundo, e a recuperação impressionante até
brilhar na final do maior campeonato de futebol do mundo são de emocionar
qualquer um. O livro custa cerca de R$ 35 e está em quase todas as
livrarias.
Os livros sobre Pelé são vários. Em "Pelé. Os 10 corações do Rei", José Castelo conta o perfil do maior ídolo da história do futebol. A obra faz parte de uma série que conta a vida de personalidades da história do Brasil e rende-se ao talento daquele que foi chamado de "Rei do Futebol".
Quase tão badalado e idolatrado como Pelé em outras épocas, Garrincha também tem seu espaço nas bancas de livrarias. O eterno ídolo do Botafogo e da Seleção Brasileira, gênio de pernas tortas e futebol atrevido foi contado e recontado na obra de Ruy Castro, que levou o nome de "Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha.
Injustiçado por não ter havido televisão na época em que, dizem, brilhava nos estádios, Domingos da Guia também pode ser revisitado em uma obra de Adams Hamilton. Em "Domingos da Guia, o divino mestre", o escritor conta os tempos em que o futebol ainda não era profissional, e narra os passos do de um dos maiores craques do Flamengo em todos os tempos.
O guarda-metas, ou goleiro como ficou conhecido é uma das figuras mais
lembradas do futebol. Em bons momentos, quando salva uma equipe, ou nos
piores, quando um falha ou um gol na hora errada coloca tudo a perder.
Muitos goleiros ficaram marcados na história do futebol. E alguns tiveram
seus momentos lembrados em livros.
O escritor Marcello Mello reuniu em "Tributo a Gylmar", depoimentos sobre Gylmar dos Santos Nery, considerado por muitos o maior goleiro que o Brasil já possuiu.
Outros livros falam da profissão de goleiro. É o caso de "O último homem da defesa", de Antônio Carlos Teixeira Rosa, e "A arte excêntrica dos goleiros", de Lourenço Cazarré. Mas um dos mais lembrados e elogiados de todos chama-se "Goleiros - Heróis e anti-heróis da Camisa 1". O livro escrito por Paulo Guilherme custa R$ 48 e traz uma pesquisa impressionante. No meio dela, descobriu-se, por exemplo, que João Paulo II, papa falecido no último ano, e Ernesto Che Guevara, líder revolucionário épico, já atuaram na função em algum momento da vida.
O futebol e paixão do torcedor às vezes provoca momentos e situações de
drama e profunda tensão. Mas é certo que o futebol, bem brasileiro, sempre
teve relações próximas com o humor, a diversão e alegria. Alguns livros
apostaram nesse lado engraçado e pitoresco do futebol. Como o pequeno "As
melhores frases do futebol", que traz uma coletânea das frases mais
engraçadas ou fortes já ditas por jogadores do esporte. Como as de Dadá
Maravilha, goleador para quem "o gol é o orgasmo do futebol" ou "não
existe gol feio. Feio é não fazer gol".
Já chegando em sua segunda edição, o livro de Renato Maurício Prado também é uma boa opção. "Deixa que eu chuto 2 - a missão", como o próprio subtítulo ja diz, trata do "lado folclórico e divertido do esporte". E custa: R$ 30.
Rubem Alves também escreveu sobre futebol. O escritor, mesmo sem assistir jogos, lançou "O Futebol Levado a Riso: Lições do Bobo da Corte", no qual diz que, se não existisse o esporte, a vida de milhões de pessoas estaria condenada ao tédio.
Os contos de futebol normalmente são bem humorados. É assim em "Futebol é
bom para cachorro", de José Roberto Torero e Marcus Aurelius
Pimenta. No livro, a história e os casos do futebol são contados por
quem mais sofre com eles: o torcedor comum. Victor Kingma também
conta histórias em seu "Causos da Bola", que também é uma boa
opção.
Outro livro que traz casos sobre o esporte é o "11 histórias de futebol". O livro, que tem prefácio de Juca Kfouri, custa R$ 29, e conta histórias escritas por onze autores. Estão presentes no livro nomes como João Antônio, Wladimir Catanzaro, Daniel Piza, Antônio Carlos Olivieri, Domingos Pellegrini, José Roberto Torero, Luiz Galdino, Lourenço Cazarré, Miguel Sanches Neto, Ricardo Soares e Wladyr Nader.
O futebol gira bilhões de dólares todos os anos no mundo inteiro. É uma máquina de fazer e gastar dinheiro. Na paixão de milhares de pessoas que vão a um estádio e nos outros milhões que vêem pela televisão, compra produtos e materializam seu amor por um clube circulam-se fortunas. E por isso existem também livros que tratam da economia e administração dos clubes de futebol no Brasil. Piraci U. Oliveira lançou, pela editora Mauad, o seu "Clubes Brasileiros de Futebol - Reflexos Fiscais". Suas 109 páginas custam cerca de R$ 30.
O livro "Modernização da Gestão do Futebol Brasileiro - Perspectivas para
a qualificação do rendimento competitivo", de Elio Carravetta é
outra opção para quem quer aprender mais sobre os bastidores da
adminsitração do futebol.
Treinar uma equipe de estrelas para obter um título mundial de futebol não é tarefa para muitos. E não é fácil. Depois do sucesso alcançado em 1994, Carlos Alberto Parreira foi novamente convidado para fazer seu trabalho à frente da Seleção Brasileira. Mais do que isso, virou referência quando o assunto é liderança de equipes. Assim, ele deu um depoimento a Ricardo Gonzalez, que virou livro. Com cara de livro de auto-ajuda é uma obra para consulta empresarial. Em "Formando equipes vencedoras - Lições de liderança e motivação: do esporte aos negócios", ele conta quais são os principais artifícios que se deve utilizar para ter sucesso em um desafio como esse.
Há quem diga que futebol é fator de alienação. Que foi utilizado pela
ditadura para iludir o povo e fazer com que todos fechassem os olhos para os
graves problemas que aconteciam no país. Há quem não goste de futebol por
causa disso. No livro "Vencer ou Morrer - Futebol, geopolítica e
identidade nacional", Gilberto Agostinho trata dessa temática, e
da relação direta da economia e da política nos regimes de extrema direita
como o nazismo. A idéia é apresentar curiosidades envolvendo partidas de
futebol que eram utilizadas para difundir idéias políticas.
Mas não faltam histórias também, de partidas de futebol que foram capazes de fazer diferença em uma história, mudar uma realidade, construir um caminho ou dar uma lição, mesmo que em alguns minutos apenas. Casos como as guerras que o Santos de Pelé parava para jogar, ou a emocionante visita da Seleção Brasileira para o "Amistoso da Paz", no Haiti, são exemplo claros desse poder que o futebol tem de influenciar na política e história de um país. Mas o contrário também acontece. E em, "Futebol e Guerra", editado por Jorge Zahar, é contada a história, como diz o subtítulo, de "resistência, triunfo e tragédia do Dínamo na Kiev ocupada pelos nazistas". Narra o drama deste time de futebol durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial.
Outros livros também abordam temáticas políticas e históricas. Em "Como o futebol explica o mundo", Franklin Foer conta histórias que reuniu em viagens a países como a Bósnia e o Irã, e outros com autêntica e reconhecida paixão pelo futebol, como Brasil e Itália. Nelas, ele chega à conclusão de que o futebol é mais do que um esporte, mas um modo de vida, que é capaz de destruir regimes políticos e deflagrar movimentos de libertação. Muitas vezes o futebol resume mais devoção do que as religiões.
Além dos livros citados acima, existem inúmeras outras opções quando o assunto é futebol, ou Copa do Mundo. Existem livros mais técnicos, como o de Orlando Duarte, chamado "Futebol - regras e comentários" em que as informações sobre futebol são dadas de maneira objetiva, clara e didática. Existem aqueles que carregam forte carga poética, como a "História da Seleção Brasileira em Cordel". O livro de Claudio Magrão faz parte da coleção "Futebol em Cordel", e trata da trajetória da Seleção Brasileira de uma maneira diferente, através da poesia popular comum principalmente no Nordeste do Brasil. E que tal saber a história de um escândalo da ótica de um vilão? No livro "Cartão Vermelho", o árbitro Edílson Pereira de Carvalho conta suas motivações para ter participado do esquema de compra de resultados em jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol, revelado no ano passado. No livro ele conta porque, mesmo sendo um dos melhores árbitros de futebol do país, ele optou por essa trajetória. Edílson confessa seu drama, o arrependimento e as seqüelas que levará pelo resto da vida, por ter manchado a história de uma das maiores paixões do brasileiro.
Escritores de Juiz de Fora também já falaram sobre futebol e suas relações
com a sociedade. Dois grandes exemplos, mais recentes, sobre isso são os
livros dos jornalistas Márcio Guerra e Aílton Alves. O
secretário de Imagem Institucional da UFJF, e torcedor fanático do Botafogo,
conta um pouco da história e das relações entre o rádio e o futebol. Em
"Você, ouvinte, é a nossa meta. A importância do rádio no imaginário do
torcedor de futebol", Márcio Guerra versa sobre a emoção de se apenas
ouvir o que acontece em uma partida de futebol. Fala das gírias criadas, dos
narradores imortalizados e do drama de quem está do outro lado do radinho,
acompanhando, com angústias ou alegrias, o desempenho de seu time.
O livro de Aílton Alves é ainda mais juizforano. Hoje jornalista político, mas sempre se embrenhando pelos caminhos do jornalismo esportivo, onde já brilhou, o apaixonado torcedor do Tupi resolveu, em seu livro, falar de seu time do coração. Aílton Alves reuniu, nas páginas de "A Saga dos Carijós", as crônicas que publicou quando estava no Diário Regional. Juntas elas contam um história dos anos que o Tupi levou para retornar à Elite do Futebol Mineiro. Exatamente como foi em 2006.
* Os preços dos livros foram pesquisados nas livrarias de Juiz de Fora no dia 06 de junho de 2006.
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