A história do Brasil está intimamente ligada ao país de Portugal. Colônia portuguesa por mais de três séculos, o Brasil incorporou costumes, tradições e, principalmente, recebeu os portugueses, que aqui constituíram família e negócios.
Os anos de história entre metrópole e colônia firmaram, como não poderia ser diferente, o grande vínculo de lusitanos em terras brasileiras. Em Juiz de Fora, a história se repete, contando com grande número de patrícios da terrinha.
Em Copas do Mundo esses laços se estenderam ainda mais e a relação
entre os dois países fica ainda mais evidente. Os portugueses estão vibrando
com a boa campanha de sua seleção. Tudo isso se deve, claro, como eles
mesmos dizem, a um brasileiro: o treinador Luis Felipe Scolari.
"Portugal está surpreendendo, porque Felipão colocou uma idéia na cabeça dos jogadores: em qualquer jogo ou lugar, Portugal tem que ganhar. Se perder, perder jogando futebol", diz o português Vitor Manuel Cardoso Fernandes (foto ao lado), 63 anos, desde os nove no Brasil.
Antônio de Macedo Vale, 72, também faz coro em relação ao treinador brasileiro. "Ele é muito bom treinador. Se não fosse ele, o jogo contra a Holanda seria diferente. Eu acho que o jogo nem acabaria por causa de toda aquela pancadaria”. Dono de bar no centro de Juiz de Fora, Macedo demonstra, mesmo longe de sua terra, o amor que sente por Portugal. "Enfeito o bar para lembrar o país e matar as saudades", diz. Basta reparar a bandeira Lusa e as bolas nas cores de seu país penduradas no teto do bar.
O comerciante Nélson Valente, (foto abaixo) 72, é outro português que se rendeu ao estilo do brasileiro de comandar. "O Felipão faz a diferença em qualquer lugar. O problema de Portugal sempre foi comando. Agora eles estão levando a sério, Felipe é muito respeitado, trabalhador e entende do assunto", elogia Valente que está no Brasil desde 1951.
Toda essa euforia tem uma razão, Portugal tem 100% de aproveitamento
na Copa. Na primeira fase derrotou Angola, Irã e México. Nas oitavas venceu
a Holanda com um jogador a menos durante grande parte do jogo, o que faz com
que os portugueses que moram em Juiz de Fora acreditem em uma campanha igual
ou superior à Copa de 1966, na Inglaterra, comandada por Otto Glória, outro
brasileiro. "Aquela seleção tinha mais valores individuais. Hoje temos mais
conjunto e responsabilidade", diz Vitor. Valente também concorda. "Em 66,
tínhamos mais valores, hoje temos melhor comando".
Vitor acredita que o país demorou 40 anos para ter novamente bons resultados devido a falta de mentalidade que, hoje, a seleção tem. "Felipão contratou a mesma psicóloga da seleção brasileira da Copa de 2002 para Portugal. Isso também faz diferença", elogia.
Quando a pergunta é sobre um provável confronto entre lusos e brasileiros na semi-final o coração se divide. "Ficarei feliz por um lado e triste por outro", fala Nélson. Já Vitor Manuel não consegue nem imaginar o confronto. "Não vai dar para ver o jogo. É melhor eu ir dormir", brinca.
É... ledo engano quem acreditou, quando Dom Pedro I gritou às margens plácidas do Ipiranga "Independência ou morte", que a relação entre os dois países iria acabar. E para os portugueses, independente do destino de Portugal na Copa, eles esperam que Felipão continue no comando de sua seleção. E ao voltar às terras portuguesas diga, assim como fez D. Pedro I no Brasil, "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".
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