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Abrem-se as cortinas... Alunos da Faculdade de Comunicação da UFJF transmitem os jogos da Copa do Mundo e se preparam para o futuro do jornalismo esportivo

Ricardo Corrêa
Repórter
junho/2006

Veja como funciona a transmissão da Rádio Universitária na Copa. No estúdio, o clima é de descontração e seriedade de olho na televisão e com a boca no microfone. O show começa antes do jogo, com a "pré-hora".

Veja!

"Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo". Com essa frase, Fiori Giglioti, um dos maiores narradores que o Brasil já teve, e falecido no último mês, começava as suas transmissões de partidas de futebol no rádio. Através do pequeno aparelho, milhões de brasileiros, a cada jogo, transportam-se para dentro dos gramados durante noventa minutos, ou algo mais, para ver, sem ver, o que acontece em uma partida de futebol.

Mas transmitir emoção não é uma coisa fácil. Não significa apenas contar o que acontece. Suprir todos os outros sentidos e fazer com que, mesmo assim, apenas com a audição, uma pessoa consiga viver a emoção do que acontece a quilômetros de distância requer habilidade. Experiência e treinamento fazem toda a diferença.

E é por isso que alunos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) estão desenvolvendo um projeto de transmissão de todas as partidas da Copa do Mundo da Alemanha. É uma oportunidade única para os muitos que sonham em se tornar jornalistas esportivos. E não há uma época melhor para isso do que esta que estamos vivendo.

"É uma oportunidade que não temos na vida acadêmica. Essa parte prática. Aprendemos a improvisar, convivemos com fatos inusitados de uma transmissão e vivemos a realidade de uma partida. E como muitas rádios não estão transmitindo, fica ainda mais importante para nós", explica Maiycon Chagas, aluno do nono período noturno, e que participa apresentando a "pré-hora" do jogo e fazendo reportagens na transmissão.

Felipe Mendes, 20 anos, concorda com ele. Comentarista nas transmissões da Rádio Universitária, ele, assim como Maiycon, sonha em trabalhar no jornalismo esportivo. Ele sabe que Juiz de Fora não tem dado muitas oportunidades para quem quer encarar a área, e por isso mesmo quer se qualificar.

"Comecei a faculdade por causa disso. Interessei-me pelas transmissões pois é uma oportunidade de colocar em prática o que aprendemos. E foi uma iniciativa própria. Fizemos a Liga dos Campeões da Europa, alguns amistosos do Brasil. Primeiro gravado e depois fomos ganhando a confiança do Márcio (Márcio Guerra, professor da disciplina Jornalismo Esportivo) e estamos fazendo a Copa", explica Felipe, que estava animado para comentar Suécia e Paraguai, por ser um jogo que coloca frente a frente adversários de futebol bem diferente.

Na cara do gol

Thiago Werneck, 21 anos, tem atuado como um dos narradores. Na partida da Espanha contra a Ucrânia, teve muitas oportunidades de mostrar seu talento. Afinal, a Espanha fez 4 a 0 em um jogo bastante movimentado. Mas Werneck espera mesmo é o restante da competição.

"Vou narrar alguns jogos das quartas-de-final e das oitavas então e estou animado. O primeiro que narrei foi Aleamanha e Costa Rica, que foi um jogo compliado. A escalação só saiu em cima da hora. As substituições do intervalo nós não ficamos sabendo", explica Werneck, que assim dá algumas mostras da dificuldade que é narrar um jogo pela televisão.

Um narrador, um repórter cobrindo o ataque de cada um dos times, um comentarista e um chamado "plantão esportivo". Normalmente é assim que funciona uma equipe de transmissões. Se no cargo de narrador ainda é raro ouvir mulheres em ação, nas outras funções o preconceito já está virando coisa do passado. E isso estimula ainda mais Juliana Zoet, 21 anos, que também participa da equipe de transmissões da Rádio Universitária.

Juliana sempre gostou de televisão, mas, até por gostar de praticar esportes, viu o jornalismo esportivo se tornar uma paixão. Como sabe que o rádio é a maior escola para a televisão, quis participar das transmissões. Antes, ela, como todos os outros, realizaram um treinamento, com o professor Márcio Guerra. Agora, é mostrar o que sabe.

"Eu adoro esporte. Acho que é uma área que envolve muito as relações humanas. Nas transmissões aqui eu estou fazendo pré-jogo, reportagem e plantão", explica a estudante.

Sai Juliana Zoet, que acompanhou o jogo da Espanha contra a Ucrânia, e entra Tatiane Hilgember, 21, para uma tarefa ainda mais difícil. Ser repórter na partida entre Arábia Saudita e Tunísia. Ela é responsável pelo time da Arábia Saudita e, exatamente por isso, já quebrava a língua antes da partida começar, tentando decorar as pronúncias dos nomes dos jogadores árabes.

Se os nomes ainda não são familiares, as tarefas na transmissão já são. "O treinamento que fizemos antes foi muito importante. Conhecemos melhor cada posição da transmissão. O que faz o repórter, o narrador, o comentarista", explica a estudante, que gostou da oportunidade de conhecer pessoas que ainda não conhecia bem na faculdade, e agora formam a equipe.

O comentarista Giliard Tenório, 23, resume a oportunidade que os alunos estão tendo: "É uma experiência de vida".

Quem quiser acompanhar o trabalho da Rádio Universitária na Copa do Mundo, pode fazê-lo pela internet. O endereço é http://www.radio.ufjf.br. É clicar, ouvir, decorar os nomes e começar a se acostumar com as novas vozes que poderão ser os transmissores da emoção no futuro.


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