Esporte

Exclusão no pedal Cicilistas femininas lamentam não poderem participar da Copa da República

Renato Costa
Colaboração*
25/01/2007

Em ano de Jogos Panamericanos, toda oportunidade de treinamento vale ouro, por isso os atletas se dedicam ao máximo para as provas de alto nível.

No caso das atletas femininas, uma grande oportunidade não poderá ser aproveitada. A quinta edição da Copa da República de Ciclismo que acontecerá no próximo domingo, 28 de janeiro, não terá a participação da categoria feminina. Apenas as equipes das categorias Elite Masculina e Sub-23 participarão da prova.

Foto da ERIKA GRAMISCELLI A decisão gerou insatisfação entre as ciclistas brasileiras. Érika Gramiscelli (foto ao lado), campeã no circuito Estrada em 2006, diz que a medida é um descaso com os profissionais. "Não houve qualquer tipo de comunicação da parte da empresa organizadora, nem esclarecimento de porque não poderíamos participar. É uma falta de respeito com as atletas", desabafa.

Para a biker juizforana Roberta Stopa, a prova é uma importante etapa na preparação para o Pan. "Essa é uma prova de alto nível, em que atletas de todo o Brasil e até algumas que moram no exterior vêm participar. É realmente lamentável", diz.

Explicação

Foto de ciclista A equipe da ACESSA.com entrou em contato com a assessoria da empresa responsável pela realização da prova, e de acordo com o assessor Marcelo Braga, a decisão aconteceu pelo fato de a forma de disputa ter sido alterada. "Até o ano passado, a prova era individual. Neste ano, será por equipes, e não existem equipes femininas suficientes para poderem competir", explica.

O fato foi refutado por Érika e Roberta, que disseram haver equipes no Brasil para competir. "Se tivéssemos sido avisadas com antecedência, poderíamos ter nos preparado", reclama Roberta. "Na Copa América quase aconteceu o mesmo, tivemos que correr atrás para garantir a nossa participação", diz Erika.

Érika diz que o fato não atinge somente as atletas, mas uma série de pessoas. "Toda corrida é uma vitrine, existem patrocinadores em potencial que podem vir a investir no atleta. Sem a corrida, até o nosso próprio patrocinador fica desmotivado em investir", diz.

Roberta comenta que a situação é um retrocesso. "Antes lutávamos pelo direito de ter premiação igual a categoria masculina, depois que conseguimos, será que teremos que lutar para participar das provas?"

As atletas de Brasília e região pretendem realizar um protesto durante a corrida, pedalando algumas voltas ao lado dos homens.


A equipe da ACESSA.com tentou falar com a Confederação Brasileira do Ciclismo, mas até o fechamento desta matéria não havia conseguido contato.

*Renato Costa é estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora