Arrumando a casa para a série C
Em maio, o Tupi completa 95 anos e o presidente, Luiz Carlos Monteiro,
comenta sobre os últimos acontecimentos no futebol do Clube
Colaboração*
04/05/2007
No dia 26 de maio, o Tupi completa 95 anos de existência. Porém, na próxima segunda-feira, dia 7 de maio, uma reunião com empresários vai definir o rumo que o alvinegro deve tomar em 2007. Uma data tão importante como a marca quase centenária.
Após a boa campanha no Campeonato Mineiro, mudança no comando de futebol e a expectativa de disputar a série C do Campeonato Brasileiro, o presidente do clube, Luiz Carlos Monteiro. Em entrevista exclusiva ao Portal ACESSA.com fala sobre o que tem achado dos últimos acontecimentos no futebol do clube e aproveita para deixar um recado: "o Tupi é eterno, que os empresários dêem esse presente para a cidade nos 95 anos do Tupi".
ACESSA.com: Como o senhor avaliou a campanha do Tupi no campeonato Mineiro?
Luiz Carlos Monteiro: Foi até agora uma das melhores campanhas realizadas pelo Tupi. Há 20 anos que o Tupi não chegava entre os quatro primeiros colocados. Voltamos para a primeira divisão e estamos garantidos em 2008. Eu considero uma vitória.
ACESSA.com: Como o senhor vê a situação de todos os jogadores terem sido demitidos após o jogo contra o Cruzeiro?
Luiz Carlos Monteiro: Eu vejo o seguinte: cada um faz o que faz
e paga por aquilo que está fazendo. Eu jamais faria isso, não desse modo. Acho que
eles (os jogadores) foram errados. Eu já passei por isso em 2005 e sei o que é isso.
Foi quando eles tentaram boicotar, porque eu tinha atrasado o salário duas horas. Os
jogadores entregaram o jogo para o Olimpic de Barbacena. A gente ia passar para a
segunda fase, eles não queriam viajar se o salário não estivesse na
mão. Quer dizer, atrasei o salário duas horas, eles viajaram de madrugada, perderam
feio o jogo, mas eu passei por isso.
Na verdade, como dirigente, me senti humilhado. Então, eu não vou tirar a razão do Omar Peres em relação a isso. Mas, hoje, no meu bom senso, eu não faria. Não dessa maneira. Até porque, imagina, se aquele fato do jogador Guilherme do Cruzeiro fosse verdade, dele estar irregular, (referindo-se à possível condição irregular de jogo do atacante cruzeirense na competição, mas depois foi comprovado normalidade), hoje, nós não teríamos time para disputar a final do Campeonato. Então, para quem é dirigente tem que parar e pensar um pouquinho. A atitude de dispensar não tem nem jeito, principalmente, de quem fez o boicote. Isso foi uma falta de profissionalismo tremenda, primeiro que não era o salário, nem bicho, era um prêmio extra. Independente de qualquer coisa são salários em torno de R$ 5 ou R$ 6 mil. Então não é salário de R$ 1 mil. São salários altos.
Luiz Carlos Monteiro: Vão se reunir vários empresários de Juiz de Fora e dali vai se formar um grupo, uma empresa. Esse grupo vai fazer uma comissão e nomear um gerente geral que vai dar satisfação a todo esse grupo. A função maior desse grupo é, simplesmente, erguer o futebol de Juiz de Fora. Não é financeiro, não é venda de jogador é, simplesmente, levar a marca de Juiz de Fora para fora. Porque levando a marca para fora todo mundo sai ganhando, as empresas também. Então quanto é o custo? É de R$ 300 mil por mês, então vai ser rateado esse valor. Venda de jogador, por exemplo, não vai ser mais 80% para um, 20% para o clube, não vai se jogar muito com empresários. Podemos buscar jogador em qualquer lugar, não importa se seja no Botafogo, no Fluminense. Porque o importante não vai ser a venda do jogador, vai ser o futebol. Fazer um time para ganhar a série C.
ACESSA.com: O senhor teve uma reunião com alguns jogadores que disputaram o Campeonato Mineiro. Já tem em mente como vai formar esse novo grupo?
Luiz Carlos Monteiro: A primeira ordem é a seguinte, dia 7 de maio tem o pagamento da Panshow, eles vão mandar todo mundo embora como foi o prometido. Limpou a casa. Então, o nosso grupo vai reunir e pegar os melhores, tanto outros profissionais como cozinheiro, faxineiro e jogador. A reunião que eu tive com os jogadores, primeiro, foi questão de agradecimento, porque queira ou não queira, mesmo eles terem feito aquilo, (não viajarem se não recebessem) nós ficamos em quarto lugar, estamos na série C e ainda temos a chance de entrar na Copa do Brasil, se o Atlético vencer o campeonato eles vão para a Libertadores e nós estamos dentro da Copa do Brasil. Então, tudo no Tupi é possível, até isso é possível.
ACESSA.com: Semana passada foi à leilão parte da área do Estádio Salles de Oliveira, como o senhor avalia a situação financeira do clube? (leia a matéria)
Eu não pago porque acho que é uma injustiça, quem quiser que pague, eu se puder evitar de pagar e fizer tudo na justiça para poder não pagar, não vou fazer mesmo. Então, o que acontece, essas dívidas estão aí, existem penhoras do INSS, fundo de garantia que não era pago, Cesama que não era paga e por aí vai, uma carreira de despesas que não foram pagas e acarretou em cima da presidência atual.
ACESSA.com: Contra o Cruzeiro, no primeiro jogo da semifinal, parte da renda foi penhorada. Isso não preocupa?
Luiz Carlos Monteiro: Hoje, está penhorado recebimentos de associados familiar que pagam a taxa de R$ 30, os aluguéis das lojas. Está restrito qualquer dinheiro que bata na conta do Tupi é penhorado. A sede social sobrevive não sei como, eu acho que estou fazendo milagre. Milagre acontece pelo fato da administração também que hoje tem quatro empregados só. Então, eu consigo pelo menos arrumar um dinheiro para pagar, com um aluguel de quadra, de sauna, escolinha, assim eu consigo suprir necessidade. Preocupante é, porque isso não pára, é uma seqüência, hoje o Tupi deve uma média de R$ 2 milhões. Menos que o Sport, menos que o Baeta. Mas, só quem está em evidência é o Tupi. Esse que é o problema maior.
Todo mundo acha que está sendo feito futebol, o Tupi tem dinheiro. Vamos fazer uma assembléia para discutir essa situação. O que leva o Tupi a isso? Além disso tudo, hoje, o Tupi tem 2800 sócios que não pagam nada, como você vai gerenciar alguma coisa com tantos sócios que não pagam nada, que são sócios grandes patronos e os sócios proprietários. Então, isso torna inviável, tem que mudar o estatuto para que essas pessoas também paguem uma taxa. A partir daí, imagina 500 pessoas pagando R$ 30 mensais? Com esse dinheiro, na sede social a gente sobrevive sem problema nenhum, tanto no verão, como no inverno, sem problema nenhum.
Luiz Carlos Monteiro: Foi ótimo! Até o momento, vamos ver as prestações de conta, mas no aparente normal reativou a torcida do Tupi, deu uma certa alegria para a cidade, um comentário diferente, só a saída que foi brusca. Foi uma entrada heróica e uma saída brusca. Eles fizeram muito e deixaram, tipo assim "eu fiz, agora se viram". Poderia ter sido uma saída elegante. Terminou o Campeonato, as contas estão aí. Não falo mal nem de A nem de B, a administração foi boa, deram do bom e do melhor. Reconstruíram o campo, em parte, ainda faltam algumas obras. Fez uma estrutura todinha bonitinha.
ACESSA.com: O contrato dessa empresa acabaria com o Tupi após o Campeonato Mineiro, se eles não anunciassem que estavam saindo, o clube tinha interesse que eles continuassem?
Luiz Carlos Monteiro: Com certeza. Porque seria um trabalho. Vamos ser práticos, o filé é o Campeonato Brasileiro. Eu não entendo, fizeram o arroz, o feijão a batata frita e ovo e, agora, na hora de comer o filé mignon saiu. Não dá para entender. Eu fiquei até um pouco abismado com a situação. Agora que era a hora de retorno financeiro para eles, com a venda de jogador, com a repercussão maior, o júnior que foi feito um bom trabalho...
ACESSA.com: Após o módulo II, essa mesma empresa que geriu o futebol do clube também tinha anunciado que já havia feito o seu papel e se retirou, mas depois voltou atrás. O senhor acredita que agora aconteceria o mesmo?
Foi o que eu senti como administrador em 2005, eu fui sacaneado. Eu levo na minha casa, almoço com eles, pago bem, porque eu falhei uma vez, eu sou crucifixado, foi o que fizeram. Então, eu acredito que foi mais emotivo que qualquer outra coisa. Se quiserem voltar, as portas para eles estão sempre abertas, enquanto eu estiver aqui. Não tem esse negócio, de "a porque houve um ressentimento do Monteiro", "o Monteiro não pediu". O último a saber foi eu que eles iam sair. Enquanto o primeiro que tinha que saber era eu. Se eles falassem primeiro comigo, "O Monteiro nós vamos sair", teria até como conversar. A partir do momento, que eu sou o último a saber eu não tenho que falar mais nada. Não é que eu me senti orgulhoso e queria que ele saísse, eu jamais ia querer que saísse, até porque foi uma deu certo.
ACESSA.com: Por que Juiz de Fora ainda não tem um time que se firmou no cenário nacional?
Luiz Carlos Monteiro: O Tupi a "trancos e barrancos" vem mantendo
o futebol. O Clube vem de gestões suspeitas, prestação de contas suspeitas, brigas
judiciais. Limpei a casa, estou fazendo uma gestão limpa, criamos credibilidade.
Criou-se um ponto de credibilidade. Com investimento tudo vai mudar. Hoje, o público
de Juiz de Fora não está precisando de fantasia, "ah, porque o Tupi vai fechar as portas",
entendeu que hoje está precisando da verdade. A soluções estão aí. O que esses
empresários podem fazer e também todo mundo ganhar e resolver o problema do Tupi.
Criou-se credibilidade e isso que é importante. Em cima disso é que vai funcionar daqui para frente. Agora, com esses investimentos que vão começar a aparecer tudo vai mudar. Nesse grupo fechado não é só um grupo que está mandando a mais, são vários. O gerente geral vai ter que dar satisfação a esse grupo. Esse grupo quer saber onde está o dinheiro. Então a cidade está sabendo o que está acontecendo, onde está o investimento, para onde está indo tudo, quanto se está gastando. Então não é uma pessoa só, já não é o Clube só que está fazendo gerenciamento. Isso é importante.
ACESSA.com: O senhor gostaria de deixar um recado final?
Luiz Carlos Monteiro: O juizforano tem que acreditar, o empresário tem que acreditar que dá certo. Na verdade, quem vai ganhar são eles, se Juiz de Fora estiver na mídia e as marcas deles também vão estar. Todo mundo está ganhando. O Tupi vai fazer 95 anos, eu estou de passagem, o Tupi é eterno, que os empresários dêem esse presente para a cidade nos 95 anos do Tupi.
*Guilherme Oliveira é estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora
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