Futebol! Uma paixão nacional que transforma desconhecidos em melhores amigos, mas que tornam amigos e pessoas queridas em rivais. O esporte atrai milhões de torcedores e movimenta a economia nacional, principalmente durante os principais campeonatos. E torcer por um time é mais do que vestir a camiseta com o emblema, é assumir a paixão mesmo com a derrota.
O torcedor Mário Lúcio Guerra (foto abaixo) comenta que escolheu seu clube em
1948. "Meu pai era botafoguense, mas meu irmão era vascaíno. A decisão do
campeonato de 48 foi entre os dois times e eu escolhi o vitorioso para ser a equipe
para a qual eu iria torcer. Hoje, independente dos resultados sou alvinegro de coração
e nunca vou largar esse meu time"
, afirma.
Guerra comenta que a equipe do Vasco, na época, era melhor que a do Botafogo.
"Tanto que em 1950 a seleção Brasileira era composta em sua maioria por atletas
do cruzmaltino. Mas eu tinha apenas seis anos de idade e o que me importava era
ver o time campeão"
, lembra.
Atualmente, ele comenta que adora futebol, mas não somente o que passa na televisão,
mas também quando está com a bola nos pés dentro de um gramado. "Participo de
todos os campeonatos do clube que sou associado. Jogo todas as quarta-feiras, os
sábados e os domingos e acompanho o desempenho de diversos times, não somente do
meu fogão"
.
Guerra diz que escolher um time é muito simples de acordo com os critérios que
se leva em conta. A pessoa pode simpatizar com algum jogador ou com o dirigente,
a pessoa pode escolher o time por causa da família, dos amigos ou mesmo do
namorado. "Quando todo mundo da família torce por um mesmo clube fica mais
unida e mantém sempre a harmonia"
, acrescenta.
Talvez seja por isso que sua filha mais nova, Raquel Guerra (foto acima)
tenha escolhido o Botafogo para torcer. "É legal porque assisto aos jogos com
meu pai e quando era mais nova a gente ia no Maracanã juntos. Além disso, por ser
do mesmo time dele, fica mais fácil ganhar camisas e brindes do time"
, comenta.
Mas o motivo não é só esse. Raquel comenta que adora o alvinegro por causa de sua
garra e credibilidade. "Amo torcer pelo Botafogo, não trocaria por nada no
mundo. É um clube com dirigentes honestos, um time que trabalha muito e que sempre se
dedica ao máximo. O Botafogo faz boas contratações, tem uma boa equipe de base
e um excelente técnico"
, enumera.
Fanática pelo time, a moça diz que não perde um jogo e cita os jogadores que mais
gosta: Jorge Henrique e Lúcio Flávio. "Quando quero ir ao Maracanã posso ir,
mas também gosto de assistir em bares com os amigos e em casa com meu pai que é
roxo pelo time. Sobre o último jogo, achei que o primeiro tempo foi muito bom
para o alvinegro, mas que o segundo tempo foi mesmo do Flamengo. O Jorge Henrique
me decepcionou com sua atuação na disputa"
, afirma.
Pouco menos entendedora do assunto, a estudante Nêmora Maiara (foto ao lado) diz
que torce pelo Botafogo há uns três anos. "Não gosto de futebol carioca, mas desde
que entrei na faculdade comecei a torcer pelo Fogão por causa das minhas amigas.
No entanto, meu namorado fica muito bravo com a minha opção, porque ele é
flamenguista de carteirinha"
, comenta.
O namorado Thiago Farias (fotos abaixo, à esquerda e direita) afirma que Nêmora fez uma escolha
muito ruim e que, no fundo, ele sabe que ela é torcedora do urubu. "Foi muito
divertido ver a final entre os nossos times. Fui ao Maracanã e ela não quis ir
comigo, mas foi emocionante demais estar lá e ver o meu time vencer. Quando cheguei
de viagem perturbei a Nêmora e as amigas por causa do resultado"
, lembra.
O resultado de 3 a 1 que deu ao Flamengo o 30º título de campeão carioca fez com
que o flamenguista, há 25 anos, festejasse e convencesse a namorada de pendurar
uma bandeira na sacada do apartamento. "A gente mora junto, não pude brincar
muito com ela sobre a derrota senão ela me expulsava de casa, mas preguei a
bandeira do meu timão na janela e ela nem reclamou"
, afirma.
A escolha do time pode prejudicar alguns relacionamentos, seja entre amigos,
entre familiares ou entre namorados, mas o casal comenta que é preciso muita
seriedade e respeito. "A gente pode não torcer para o mesmo time, mas o mais
importante é que brincamos um com o outro, mas sem exageros para não magoar
ninguém. Até porque sei que no fundo o time da Nêmora é o Mengão"
, comenta Farias.
*Renata Solano é estudante de Comunicação Social na UFJF