Esporte

"Amigos, amigos. Times à parte" Escolher um time é mais do que vestir a camisa, é assumir as conseqüências da escolha e aceitar a "zoação" dos amigos e dos familiares

Renata Solano
*Colaboração
06/05/2008

Futebol! Uma paixão nacional que transforma desconhecidos em melhores amigos, mas que tornam amigos e pessoas queridas em rivais. O esporte atrai milhões de torcedores e movimenta a economia nacional, principalmente durante os principais campeonatos. E torcer por um time é mais do que vestir a camiseta com o emblema, é assumir a paixão mesmo com a derrota.

O torcedor Mário Lúcio Guerra (foto abaixo) comenta que escolheu seu clube em 1948. "Meu pai era botafoguense, mas meu irmão era vascaíno. A decisão do campeonato de 48 foi entre os dois times e eu escolhi o vitorioso para ser a equipe para a qual eu iria torcer. Hoje, independente dos resultados sou alvinegro de coração e nunca vou largar esse meu time", afirma.

Guerra comenta que a equipe do Vasco, na época, era melhor que a do Botafogo. "Tanto que em 1950 a seleção Brasileira era composta em sua maioria por atletas do cruzmaltino. Mas eu tinha apenas seis anos de idade e o que me importava era ver o time campeão", lembra.

Foto de Mário Lúcio e Raquel com camisa do Botafogo Atualmente, ele comenta que adora futebol, mas não somente o que passa na televisão, mas também quando está com a bola nos pés dentro de um gramado. "Participo de todos os campeonatos do clube que sou associado. Jogo todas as quarta-feiras, os sábados e os domingos e acompanho o desempenho de diversos times, não somente do meu fogão".

Guerra diz que escolher um time é muito simples de acordo com os critérios que se leva em conta. A pessoa pode simpatizar com algum jogador ou com o dirigente, a pessoa pode escolher o time por causa da família, dos amigos ou mesmo do namorado. "Quando todo mundo da família torce por um mesmo clube fica mais unida e mantém sempre a harmonia", acrescenta.

Talvez seja por isso que sua filha mais nova, Raquel Guerra (foto acima) tenha escolhido o Botafogo para torcer. "É legal porque assisto aos jogos com meu pai e quando era mais nova a gente ia no Maracanã juntos. Além disso, por ser do mesmo time dele, fica mais fácil ganhar camisas e brindes do time", comenta.

Mas o motivo não é só esse. Raquel comenta que adora o alvinegro por causa de sua garra e credibilidade. "Amo torcer pelo Botafogo, não trocaria por nada no mundo. É um clube com dirigentes honestos, um time que trabalha muito e que sempre se dedica ao máximo. O Botafogo faz boas contratações, tem uma boa equipe de base e um excelente técnico", enumera.

Fanática pelo time, a moça diz que não perde um jogo e cita os jogadores que mais gosta: Jorge Henrique e Lúcio Flávio. "Quando quero ir ao Maracanã posso ir, mas também gosto de assistir em bares com os amigos e em casa com meu pai que é roxo pelo time. Sobre o último jogo, achei que o primeiro tempo foi muito bom para o alvinegro, mas que o segundo tempo foi mesmo do Flamengo. O Jorge Henrique me decepcionou com sua atuação na disputa", afirma.

E quando a história é diferente?

Foto de Nêmora Pouco menos entendedora do assunto, a estudante Nêmora Maiara (foto ao lado) diz que torce pelo Botafogo há uns três anos. "Não gosto de futebol carioca, mas desde que entrei na faculdade comecei a torcer pelo Fogão por causa das minhas amigas. No entanto, meu namorado fica muito bravo com a minha opção, porque ele é flamenguista de carteirinha", comenta.

O namorado Thiago Farias (fotos abaixo, à esquerda e direita) afirma que Nêmora fez uma escolha muito ruim e que, no fundo, ele sabe que ela é torcedora do urubu. "Foi muito divertido ver a final entre os nossos times. Fui ao Maracanã e ela não quis ir comigo, mas foi emocionante demais estar lá e ver o meu time vencer. Quando cheguei de viagem perturbei a Nêmora e as amigas por causa do resultado", lembra.

O resultado de 3 a 1 que deu ao Flamengo o 30º título de campeão carioca fez com que o flamenguista, há 25 anos, festejasse e convencesse a namorada de pendurar uma bandeira na sacada do apartamento. "A gente mora junto, não pude brincar muito com ela sobre a derrota senão ela me expulsava de casa, mas preguei a bandeira do meu timão na janela e ela nem reclamou", afirma.

A escolha do time pode prejudicar alguns relacionamentos, seja entre amigos, entre familiares ou entre namorados, mas o casal comenta que é preciso muita seriedade e respeito. "A gente pode não torcer para o mesmo time, mas o mais importante é que brincamos um com o outro, mas sem exageros para não magoar ninguém. Até porque sei que no fundo o time da Nêmora é o Mengão", comenta Farias.

Foto de Thiago Foto de galera no Alto dos Passos Foto de Thiago

*Renata Solano é estudante de Comunicação Social na UFJF


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