O atleta além dos músculos Professores da UFJF lançam livro sobre a psicologia no esporte para suprir uma lacuna deixada pela literatura do gênero
Colaboração*
06/05/2008
Com o objetivo de contribuírem tanto para a comunidade acadêmica quanto para toda e qualquer pessoa envolvida no processo de formação do atleta, os professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Maurício Bara Filho e Renato Miranda (foto abaixo), escreveram o livro Construindo um atleta vencedor - uma abordagem psicofísica do esporte.
Segundo Miranda, a idéia partiu da crítica ao fato de que os livros relacionados
à psicologia no esporte tinham direcionamento exclusivamente acadêmico. "O esporte
é um assunto de usufruto muito amplo, envolve o relacionamento de federações, confederações,
atletas, pais de atletas, técnicos e não pode ficar restrito à comunidade científica.
Esse tema tem que ser levado a público para o melhor desempenho dos nosso atletas"
,
justifica-se.
O livro faz uma abordagem científica de temas como estado psicológico do atleta,
esporte infanto-juvenil entre outros, intercalados com o que os autores chamaram
de "cenas esportivas"
.
Trata-se de fatos vivenciados pelo esporte e/ou pelos
próprios escritores que servem para exemplificar a teoria. Tudo isso é exposto por
meio de uma linguagem simples e acessível a todos que se interessam por esporte
de alguma maneira.
Os aspectos abordados por Miranda e Bara Filho têm relevância na formação do atleta
e, segundo Miranda, são temas bastante em voga no meio esportivo nos dias de hoje,
envolvem iniciação científica e rendimento do atleta. "Construindo um atleta
vencedor vem para suprir a carência de estudos densos e, ao mesmo tempo,
acessíveis a esportistas de modo geral"
, dizem.
Ano olímpico
Miranda acredita que o livro tem bastante relevância para o esporte nacional, em
especial, nessa época em que as Olimpíadas se aproximam. "As Olimpíadas são um
momento muito importante para o esporte e para os atletas. É preciso preparo psicológico
para sustentar a pressão da competição"
, avalia.
O professor explica, ainda, que esse é o evento sócio-cultural de maior impacto
no mundo e o comportamento esportivo, o desempenho do atleta têm que ser exemplares
porque vão servir de parâmetro para as futuras modificações no esporte. "Tudo o
que é feito hoje, fica registrado na história e, no ciclo de quatro anos, vai ser
reavaliado, reformulado"
.
Segundo o professor, as Olimpíadas são um marco de transformação e evolução do esporte em todos os aspectos: regras, infra-estrutura, vestuário, metodologia. Tudo o que acontece de novo no esporte a cada quatro anos, nasce da observação minuciosa do que foi feito durante os jogos olímpicos, por isso, o atleta tem que ter um suporte psicológico forte para saber lidar com a situação sem sucumbir às pressões do meio.
"O comportamento esportivo, o desempenho físico, muscular são conseqüência do
aspecto psicológico, da formação humana do atleta. Não adianta querer separar vida
pessoal de vida profissional porque não tem jeito. O que o atleta é fora de campo
reflete no que ele faz dentro das quatro linhas. Isso serve para todos os esportes"
,
ressalta.
O psicológico
Comentando o recente escândalo envolvendo o jogador de futebol Ronaldo Nazário
e três travestis, no Rio de Janeiro (leia o artigo de Ailton Neves sobre o tema), Renato Miranda acredita se tratar do reflexo
de uma má formação psicológica, ou seja, de falta de suporte por parte de pais
e técnicos. "Não quero fazer juízo de valor desse caso específico, mas o que
acontece com os atletas, de uma maneira geral, é que o sucesso acaba não sendo
bem administrado e eles caem em algum tipo de distúrbio social em função de não
terem sido orientados de forma adequada na infância"
, analisa.
Construindo um atleta vencedor propõe que a formação psicológica e
esportiva do atleta não se restrinja só ao esporte. "É preciso que, ao ingressar
na vida esportiva, o jovem tenha ciência de que se trata de um período muito curto
da vida. Um atleta fica no ápice por dez, 12 anos, no máximo"
, explica. O livro,
segundo seu autor, sugere um caminho para evitar essas intercorrências sociais,
assim, o atleta de hoje pode servir de modelo às futuras gerações.
Miranda destaca que toda profissão tem seu ônus e quando um esportista diz não
suportar a pressão de ser um ícone está fazendo um discurso irresponsável e imaturo.
O professor acredita que o livro vai auxiliar na formação de um atleta que tenha
bom desempenho esportivo e, ao mesmo tempo, seja seguro e maduro o suficiente para
entender que toda profissão tem seu ônus. Ele cita o exemplo do jogador de vôlei
Giovani Gávio. "Ele não nasceu bom, quando fui seu professor. Ele não
tinha a melhor técnica do time, era o mais baixinho, mas sabia ouvir e hoje é
um atleta de sucesso e um homem íntegro"
.
Ponto alto
Miranda acredita que o grande destaque de sua obra está na "dinâmica entre teoria
e prática"
, que se dá através das cenas esportivas. Além disso, os capítulos
Experiência do fluir no esporte, Estado psicológico do atleta e
Esporte infanto-juvenil são as "meninas dos olhos do autor", por seu caráter
de originalidade. "Esses temas nunca foram trabalhados em um capítulo inteiro e
são de total importância para os estudos da área bem como para pessoas envolvidas
com o esporte, sejam atletas, técnicos, pais de atletas, professores ou mesmo
jornalistas esportivos"
, orgulha-se.
* Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF
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