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Quem dera ser um peixe... Natação é um dos esportes mais praticados e um dos mais indicados também. Para todas as idades, de antes de um ano a mais de 80

Ricardo Corrêa
Repórter
22/03/2006
Veja o que diz dona Cleonice de Castro Neves, que tem 83 anos e pratica natação desde os 73. Ela começou porque queria aprender a nadar, e hoje não falta a uma aula nem mesmo quando está doente.

Veja!

pessoas
praticando natação pessoas
praticando natação pessoas
praticando natação

Há quem diga que vivemos no planeta água. E, com dois terços do planeta coberto pelo líquido, não é nada anormal pensar assim. Embora o homem tenha preferido a parte menor, o pouco mais de 30% de território seco, é inegável que sua relação com a água é mais que estreita e inseparável. Foi na água a origem da vida e ela representa 70% do nosso corpo. E ela pode ser, mais do que um bem absolutamente necessário para nossa sobrevivência, a saída para a cura de doenças e o condicionamento físico. Quando aliada à prática de um esporte é assim. E o mais famoso dos esportes que usam a água como suporte é a natação.

Pratica-se natação por vários motivos. As escolas do esporte estão cheias e com um público absolutamente amplo. Crianças, adultos, idosos. Homens, mulheres. Não há distinção. E, propalado como o esporte completo, a natação, quando bem praticada, traz uma série de benefícios ao corpo humano.

Na academia que Karla Carvalho gerencia, existem alunos de todas as idades. Dos mais novinhos, com um ano de idade, aos mais experientes, de mais de 80. A aluna mais velha tem 89, segundo Karla, que explica porque tanta gente de perfis diferentes opta por praticar essa modalidade de atividade física.

foto da professora de natação Carla, em sua mesa

"É indicado para todo mundo, independente de idade. Tem gente que busca a parte estética, tem gente que quer saúde. E a natação ajuda a melhorar a parte cardiorrespiratória, o trabalho muscular de um modo geral. Na água o corpo fica mais leve. É diferente da musculação por exemplo. É o praticante de natação que faz seu ritmo, que controla a intensidade", explica a professora, que deixa claro que os benefícios não são apenas físicos.

"E tem a questão da sociabilização. As pessoas ficam mais alegres, perdem o medo. É um desafio e isso é bom para o lado psicológico. As pessoas adquirem auto-estima e isso ajuda nas outras coisas", analisa Karla Carvalho.

Dando aula na mesma escola, a professora Joseane Padoan concorda. "Existe a liberação de substâncias que vão levar o indivíduo às sensações boas. Então ele fica bem. É uma atividade prazerosa e a pessoa se sente muito bem depois que pratica", explica Karla.

crianças na piscina fazendo aula

Em relação aos benefícios físicos, Joseane explica que, nos adultos, uma das questões que mais aparece logo no início é em relação à mobilidade. Com alguns meses de aula os praticantes já sentem alguma diferença.

"São coisas simples que as pessoas percebem. Elas falam que agora conseguem amarrar o sapato que não conseguiam. Pegar uma panela, abaixar no chão e voltar. Claro que não é em um mês que essas coisas vão mudar. Em um mês ninguém consegue nada, mas com o tempo os resultados aparecem", explica Joseane.

Karla Carvalho ressalta a parte cardiorrespiratória. Os praticantes melhoram a resistência. "Quem fuma se incomoda com o fumo e usa a natação para trabalhar a resistência. Logo nos primeiros meses já sente que está respirando melhor. Tem facilidade para subir escadas, correr para pegar ônibus. Tem também a questão da perda de peso, mas isso vai de cada pessoa", conta Karla.

Ela ressalta que cada um dos quatro estilos ensinados possuem benefícios particulares. "No crawl são usados muito braço e perna. No costas é o tríceps, coxa femural. O peito é o peitoral mesmo. Bastante. E o golfinho é o peitoral, a ondulação", explica a professora.

Bom para começar
foto de uma criança boiando na piscina

Não é provável que exista um esporte que possa começar a ser praticado tão cedo. A natação pode fazer parte das atividades de uma criança logo no início da vida. Com alguns meses já existem crianças na água. Na academia em que Karla e Joseane trabalham, elas começam com um ano. Isso porque é a idade em que já tomaram todas as vacinas e correm menos riscos de alguma doença. E, no caso das crianças, existe um trabalho todo especial.

"Nós trabalhamos com uma divisão de estágios. Primeiro tem a adaptação ao líquido, a sustentação. Depois disso a criança pode ficar em uma parte mais funda que ela não vai afundar. Depois que já sabe começamos a passar toda a técnica, ensinar os estilos", explica Karla, que tem que ter paciência e atenção redobrada para cuidar dos meninos e meninas dentro d'água. Mas lidar com crianças tem suas vantagens.

"Dizem que criança aprende mais rápido porque vem sem medo. O adulto às vezes já passou por alguma coisa. A criança não. Vem sem traumas, nunca tomou um caldo na praia. E a criança é mais disponível", lembra Karla.

Bom para recomeçar
foto de Dona Cléo, de 83 anos, treinado na beirada da piscina

Assim como as crianças merecem uma atenção especial, os idosos também. É como dona Cleonice de Castro Neves que, sozinha recebendo aula da professora Joseane, mostra disposição de quem está começando. Só que ela já tem 83 anos. E nada desde os 73. Um pouco gripada, a professora recomendou que ela não fosse à aula, mas não tem jeito. Ela quer mesmo entrar na água. E demora a sair. Depois da natação faz também hidroginástica. Mudam os professores, os colegas e a atividade, mas ela literalmente permanece dentro da piscina. Dona Cleonice faz outros esportes, como a ioga, mas quando perguntada sobre qual esporte prefere, não tem dúvidas: natação.

"Eu comecei por vontade de aprender. Ficava vendo o pessoal batendo perna na beira da piscina e ficava com inveja. Então comecei. Primeiro eu fiz hidroginástica, durante uns três anos. Depois fiz natação e as duas coisas juntas", explica Cleonice, interrompida pela professora que explica as fases de aprendizado no caso de pessoas mais idosas, assim como com as crianças.

foto da professora Jose, na psicina, dando aula para Dona Cléo "Ela aprendeu a flutuar, adaptação, abrir o olho, soltar borbulhas, movimentar", explicou a professora. No início, dona Cleonice tinha dificuldades, que hoje lembra rindo.

"Aprendi muito. Mas no início eu não conseguia ficar em pé dentro da água. Eu já conseguia nadar de um lado para o outro, mas não ficava em pé. Chegava do outro lado e agarrava no professor pra não cair. No dia em que eu aprendi eu até dei uma festinha lá em casa", explicou dona "Cleo", como é conhecida. Nadar aos 83 anos é algo tão raro, que ela se inscreveu para a disputa de um campeonato master, realizado em Juiz de Fora, e venceu sem disputar. "Ganhei uma medalha, mas não disputei com ninguém porque não tinha ninguém da minha idade", explicou a simpática senhora.

Bom para ganhar confiança

imagem de criança boiando dentro da piscina Crianças e adultos são alunos especiais. Mas não são os únicos. Karla Carvalho conta histórias de pessoas para os quais "nadar" é a principal forma de se movimentar.

"Tivemos aqui pessoas com problemas de saúde como uma menina que sofreu com um problema de AVC (Acidente Vascular Cerebral) no parto. Ela não anda, mas nada. Claro que é uma natação adaptada. Ela pode nadar, dentro das limitações. Ela pode dizer: 'aqui eu não ando, mas lá dentro eu ando'", diz a professora, ressaltando que a aluna não é a única com características especiais.

"Já tivemos pessoas com casos de Síndrome de Down, e muitos com AVC. Alguns são assim. Nem andam mas se sentem confortáveis dentro da água. Por isso não só podem fazer como devem. É indicado porque eles ficam com auto-estima elevada".

Os riscos

Os riscos da natação são calculados e mínimos. Ou seja, não existem riscos para quem segue orientações e pratica a atividade sem ultrapassar seus limites. É como em outros esportes. Não existem contra-indicações, mas é sempre necessário que se procure um médico antes de começar a atividade. A professora Joseane Padoan explica, inclusive, que são pedidos atestados médicos para quem quer praticar. A academia conta com fisioterapeuta que faz o acompanhamento dos trabalhos.

Joseane explica que só se evita entrar na água quando a pessoa está com febre, ou muito gripado. O risco de lesões também é pequeno, porque a água amortece os impactos. O praticante deve ter cuidado é para não forçar apenas uma parte do corpo, usando palmar ou nadadeiras, por exemplo, ou praticando apenas um estilo o tempo inteiro. Também é importante, para os hipertensos, medir a pressão regularmente, para evitar que ela se eleve muito durante a atividade física.

Os benefícios

foto Os próprios exemplos e explicações sobre o esporte mostram quais os benefícios da natação. Elencados, podem ser apontados como aumento da coordenação de movimentos, resistência cardiovascular, o que significa dizer que permite um aumento da circulação de oxigênio e a grande movimentação dos músculos de todo o corpo, sem causar tanto problemas em articulações e ligamentos, já que a água amortece o impacto. Por esse impacto reduzido, auxilia no tratamento de pessoas que estão se recuperando de lesões dos membros inferiores.

Serve também para manter a forma, pois o gasto calórico é bem intenso quando bem praticado. Os resultados, no entanto, são melhores quando combinados com outros esportes. O cálculo que se faz é o de que se queima aproximadamente 460 calorias em uma hora de natação, em ritmo acelerado.

foto de Dona Cléo de 80 anos, nadando A natação também melhora a postura, alongando e fortalecendo a musculatura, melhora a resistência do organismo e ajuda na prevenção e recuperação de doenças como asma, bronquite e problemas ortopédicos, além, é claro, de combater o stress.

Mais do que dados científicos, é a frase de dona "Cleo", do alto de seus 83 anos, que explica os benefícios do esporte mais praticado dentro da água.

"Faz bem pro corpo. Faz bem pra cabeça. Faz bem pra ganhar amizades".



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