Esporte

Voando alto, bem perto do céu... Saiba mais sobre o pára-quedismo. O esporte classificado como o mais radical do planeta e que libera a maior quantidade de adrelina para o organismo

Fernanda Leonel
Repórter
28/06/2006

Olhar o mundo do alto, enxergar as casas pequenininhas lá em baixo e simplesmente achar isso o máximo. Se você é amante dos esportes radicais e curte liberação de adrenalina, o pára-quedismo foi feito para você.

O esporte é antigo, apesar de ter se desenvolvido e se profissionalizado muito nas últimas décadas. Datam de 1495, as primeiras experiências com saltos e também a invenção de uma espécie de "pré-modelo" do que conhecemos hoje como pára-quedas.

O desenvolvimento desse esporte radical esteve muito atrelado ao desenvolvimento militar. O equipamento foi o meio mais utilizado para colocar tropas e material em locais distantes e desprovidos de pistas de pouso. Além de auxílio militar, o pára-quedismo é até hoje um apoio para muitos pilotos, que encontram necessidade de abandonar suas aeronaves depois de algum problema.

Porém, maior que os muitos desdobramentos práticos, está a paixão compreensível dos muitos pára-quedistas pelo esporte. Como destaca o instrutor e praticante, Luiz Cláudio Ribeiro Santiago, mais conhecido como Dim (foto), "o salto é uma experiência indescritível, que proporciona uma sensação de liberdade fantástica".

Visivelmente apaixonado pelo esporte, que hoje ocupa vários finais de semana da sua vida, Dim acrescenta que é "só praticando" que se consegue ter a verdadeira noção do quanto o esporte é benéfico para o corpo e para a mente.

De acordo com o instrutor, o pára-quedismo é conhecidamente o esporte mais radical do planeta. Ele explica que esse conceito de "radicalismo" é definido a partir da quantidade da adrenalina que o organismo libera na prática da atividade, e que, nesse quesito, o pára-quedas é imbatível.

A liberação de adrenalina nos níveis do "esporte do salto" cria no corpo uma sensação de prazer e de satisfação pouco encontrada em outra atividades físicas. Além disso, é cientificamente comprovado que pessoas que praticam a atividade, ganham, ao longo do tempo, maior equilíbrio emocional e também aprimoram seus reflexos.

Para viver essa emoção é preciso ter no mínimo 15 anos e, para o caso de menores de idade, levar a autorização dos pais ou responsáveis.

Isso porque, a Confederação Brasileira de Pára-quedismo, considera essas regras como indispensáveis para um salto seguro e de qualidade. Para os "duplos", ou seja, saltos onde o instrutor acompanha o esportista na hora da queda, a idade mínima é de sete anos, valendo as mesmas regras de autorização das outras modalidades.

Quem decidir pular também vai precisar fazer uma exame clínico de rotina, para detectar possíveis problemas com batimentos cardíacos e pressão, por exemplo. O exame é rotineiro, mas, como destaca Dim, muito importante para um salto consciente.

Lá no alto em Juiz de Fora
Juiz de Fora possui dois para-clubes para quem queira aprender o esporte radical. Porque mais que radical, o pára-quedismo precisa ser um esporte de consciência. Quem quer ver o mundo há até 5.000 metros de altitude, precisa ficar atento para não confundir aventura com risco.

Os cursos da cidade possuem estágios teóricos e práticos. Cada para-clube tem a liberdade de entender qual a necessidade de horas/aula de cada módulo de aprendizagem, mas todos intensificam o conhecimento dos passos básicos da navegação (essa é a expressão utilizada para denominar o momento que o pára-queda é aberto até a hora que ela pousa) e ensinam procedimentos para casos de emergência.

Como destaca Dim, a cidade forma, em média, 30 novos profissionais por ano, que passam a ficar aptos a prática do esporte radical. A maioria deles, no entanto, continuam a procurar pelos para-clubes, já que possuir equipamento próprio para saltos, pode acabar ficando um pouco "salgado" demais.

O Brasil não possui fabricantes de equipamentos para a prática do esporte. O que encarece ainda mais os utensílios indispensáveis. Pular do alto de um avião, usando pára-quedas próprio, pode custar até 5.000 dólares.

Como destaca Dim, em Juiz de Fora, os saltos são todos realizados no Aeroporto da Serrinha, já que, a própria definição do pára-quedismo, precisa dos aviões para poderem acontecer. Na cidade, de acordo com a estrutura dos aviões encontrados e disponíveis para levar o praticante até o céu, o salto chega há no máximo 10.000 pés, ou seja, aproximadamente 3.000 metros de altitude.

Número máximo que é geralmente praticado pelos profissionais e pessoas com alguma experiência no esporte da cidade. Para os iniciantes, que ainda não estão acostumados com a queda livre que o pára-quedista que pula há alturas maiores acaba tendo que vivenciar, a altura recomendada é de 1.700 metros.