Geralmente eles não são altos. Equilíbrio e força são características essenciais; e aliado a anos de treinamento contribuem ainda mais para o sucesso. Tudo isso, para em poucos segundos, numa corrida, num salto, atingirem a perfeição. Assim, ginastas de Trampolim (modalidade que será disputada pela primeira vez em Jogos Panamericanos) de Juiz de Fora têm feito bonito nas competições disputadas Brasil afora.
Trata-se de um esporte olímpico novo que foi disputado pela primeira vez nas Olimpíadas de Sidney, em 2000 e é dividido em três modalidades: Trampolim, Duplo Mini e Tumbling, sendo o primeiro a única olímpica. Recentemente, nove atletas juizforanos conseguiram índice para o Campeonato Mundial, que será disputado em Quebéc, no Canadá, no final do ano.
Para o Pan, o Brasil contará com três atletas, dois masculinos e uma ginasta feminina,
que será representada por Giovanna Bastos. As vagas masculinas ainda não foram
definidas. "Ela está muito bem preparada. A expectativa é excelente e esperamos
conseguir o pódio"
, diz, por telefone, a Coordenadora técnica de Ginástica de
Trampolim da Confederação Brasileira, Edimara Colombo.
Em Juiz de Fora, os irmão Déber (conheça o atleta)
e Wanderson Zambelli (foto ao lado à direita)
têm ganhado destaque. O primeiro é treinador do Vianna Júnior e do Sesi e Wanderson
defende as cores do Colégio Academia de Comércio. Ao definir o esporte, Wanderson resume:
"Nem sempre o melhor vence,
é muito o momento"
.
Os dois treinadores podem ser considerados os maiores incentivadores desse esporte na cidade. Além dos treinamentos e de garimpar novos talentos, eles trabalham com a organização do Campeonato Mineiro da modalidade e faz com que Juiz de Fora seja sempre uma opção para sediar a competição. Esse ano pode ser a sexta competição realizada em solo juizforano, desde o ano de 2000.
A nossa organização é perfeita, mas é complicado organizar, temos que correr
atrás de muita coisa"
, diz Déber. "Eu gosto quando ele organiza, porque enquanto
isso eu estou treinando a minha equipe"
, brinca Wanderson, já que os dois treinadores
possuem atletas que disputam uma mesma modalidade.
Quando o assunto é patrocínio, a conversa ganha novos rumos. Os gastos com os uniformes e viagens que na maioria das vezes são pagos pelos próprios pais dos atletas, não fica barato. Fatores que podem fazer com que os atletas quer conseguiram índice para o Canadá não consigam viajar para a disputa.
"Para ter ido ao Mundial na Holanda precisamos de 15 patrocinadores. Às vezes,
muitos pensam que pelos alunos estudarem em escolas particulares, eles têm condições
e isso atrapalha. Todos os meus atletas considerados de ponta vêm de escolas públicas
e agora estudam com bolsa"
, diz Déber.
Os irmãos têm planos diferentes para o futuro. Enquanto Wanderson tem como objetivo maior treinar novos atletas para que em um futuro próximo possam ser também treinadores, Déber pensa em construir um Centro de Treinamento na cidade.
*Guilherme Oliveira é estudante de Comunicação Social da UFJF.