Especialistas asseguram que a adrenalina é um hormônio diretamente relacionado ao estresse, mas muitas pessoas apostam nesse hormônio como alternativa para fugir da rotina dos grandes centros. É o caso dos adeptos do trekking, um esporte que surgiu no Brasil no ano de 1992, trazido por amantes da natureza que resolveram adaptar as regras dos enduros de moto e jipe à caminhada ecológica.
O trekking ou caminhada é uma atividade física que tem como cenário belas paisagens a um baixo custo o que contribui para o crescimento do esporte entre pessoas de todas as idades. Por não exigir nenhum tipo de habilidade específica e possuir vários níveis de dificuldade, trata-se de um esporte bastante democrático.
Segundo o médico André Arrigoni, "qualquer pessoa pode praticar o trekking,
desde que respeite suas limitações"
.
E acrescenta:
"antes de começar a se praticar o esporte é preciso uma avaliação cardiológica
e bom senso. Não se deve começar por uma trilha pesada demais"
.
Arrigoni alerta que os cuidados com os pés são importantíssimos na prevenção de lesões que podem comprometes o passeio, o que inclui um tênis apropriado para o esporte, além do uso de cremes para hidratá-los. Entre os benefícios para a saúde, o médico destaca a diminuição do ritmo cardiovascular e a prevenção de hipertensão e diabetes.
Por ter vários níveis de dificuldade, as provas abrangem todo o tipo de
pessoa. Para Leonardo Bonoto (foto abaixo), que estreiou no esporte há
apenas quatro meses. Mais do que melhorar o condicionamento físico,
o trekking lhe trouxe uma
consciência ecológica muito maior.
"É muito triste você perceber que as pessoas vão a esses lugares
e deixam seu lixo lá. Nosso grupo já juntou muita garrafa pet e saco plástico
em lugares como Ibitipoca e Humaitá"
.
Leonardo participa de um grupo de pessoas de todas as idades, que se reúne a cada 15 dias no bairro Manoel Honório, na companhia de um personal trainer, e parte para algum paraíso mineiro a fim de viver uma aventura saudável.
Ele
conta que a maior aventura que o grupo já passou tem um quê de ironia.
"Nós fomos para Humaitá e, para não perder o ônibus de volta pra casa,
subimos a Montanha da Capelinha em um ritmo muito mais acelerado do que
estávamos acostumados. Chegamos lá e tivemos cinco minutos para apreciar
a paisagem e retomar o fôlego, descemos novamente em ritmo acelerado...
e o ônibus atrasou 40 minutos. Foi uma loucura, mas eu faria isso de novo,
com toda certeza!"
Para o rapaz, o grande mérito do esporte está no seu 'caráter divino'.
"Estar em contato com paisagens tão belas, é estar mais próximo de Deus"
,
afirma.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF