O Campeonato Mineiro acabou para o Tupi, o feito que poderia ser comemorado com a quarta colocação no Estadual foi até certo ponto abafado pelo "motim", declarações de jogadores, dirigentes e a insatisfação da torcida, que não aceitou esse clima num momento importante para o Clube.
Quase uma semana depois da "reunião", o rebuliço parecia ter acabado. Porém, o zagueiro Cézar, considerado, por muitos, como o pivô da "crise" antes da partida contra o Cruzeiro, procurou a imprensa para contar a sua versão sobre a greve dos jogadores, caso não recebessem valor da premiação pela passagem à semifinal da competição.
No apart-hotel onde estava hospedado até a manhã desta quinta-feira, dia 26 de abril, ele desmentiu as declarações do então diretor de futebol do Tupi Alemão que disse que ele e mais quatro jogadores haviam se recusado a viajar para Belo Horizonte.
"O Alemão falou na entrevista, sexta feira, que alguns jogadores se recusaram a
viajar para o jogo contra o Cruzeiro e isso foi mentira. Todo grupo
voltou atrás, eu não tinha mesmo como viajar porque estava suspenso.
Mas só que ele não quis que Samuel, Chicão, Felipe, por serem do Tita, e Juninho
viajassem. Por que então ele aceitou os outros jogadores que disputaram o módulo
II e não os que o Tita trouxe?"
, questiona.
Contactado por nosso equipe, o diretor, Alemão, por telefone, respondeu aos argumentos
do zagueiro: "Eu chamei todos
para conversar, todos tiveram a mesma oportunidade. Chamei o grupo que não quis
viajar por três vezes, mas eles estavam irredutíveis.
Quando eles viram que todos tinham voltado atrás e que haviam perdido o controle,
eles falaram que viajariam. Reuniram os cinco no vestiário para dizer "se o
restante for, nós também vamos", porém com as recusas anteriores já havíamos
fechado o grupo"
, explicou o dirigente.
Na entrevista, que durou cerca de 50 minutos, Cézar também comentou sobre o
possível "racha" que havia no grupo.
"O grupo tinha divisão, principalmente depois que o ex-treinador foi embora.
Então ficou ainda mais nítido. Jogadores do Tupi, do Alemão e do Tita"
.
"Quando Tita saiu ele deu declarações no jornal que o treinador nos privilegiava. Isso é mentira, nós éramos os mais cobrados", diz.
O meia Gílson (foto) não quis comentar muito as declarações do jogador.
"Ele foi infeliz. O problema é que sobrou para ele e agora ele quer descontar
nos outros"
. Já, o diretor Alemão ironizou:
"É melhor ele perguntar quem gostaria de jogar com ele"
.
Na entrevista, Cézar elogiou o trabalho do treinador Zé Luiz mas disse que o mesmo
sofria interferência no trabalho. "Ele tinha o trabalho interferido, eu sentia
isso. Ele está começando, é uma pessoa de boa conduta, digna, mas deixou se
influenciar pelo Alemão"
.
O treinador que levou o Tupi à primeira divisão e classificou o alvinegro para as semifinais do Estadual disse que "o zagueiro tomou outra atitude infeliz".
"Nunca ninguém interferiu no meu trabalho. Consegui levar o Tupi a semifinal
com ética, profissionalismo e
ele quer ofuscar o meu trabalho. Coloquei ele como capitão, o Alemão quis renovar o contrato
dele, isso mostra que não tinha nada a ver ele ser jogador do ex treinador.
Ele deve estar sendo influenciado por algumas pessoas. Ele
não é essa pessoa e se ele não tivesse feito tudo
isso poderíamos estar na final".
Sobre as declarações que ele seria o "pivô" das desavenças, Cézar se defendeu
e disse que sempre honrou a camisa do Tupi e que só se arrepende de ter tomado à
frente dos jogadores
na reunião que cobraram o pagamento da premiação.
"Fui um dos jogadores que mais jogou, joguei machucado, tomava anestesia no dedo para
jogar, estou com calo e não tinha condições. Fiz isso porque queria ajudar,
tenho certeza que ajudei, sai com a cabeça erguida"
.
"O médico do clube Cézar Esteves confirmou, por telefone, as
declarações do jogador, mas deixou claro que com os tratamentos o zagueiro tinha
condições de atuar.
"Ele realmente se queixava de dores. Mas os tratamentos
possibilitaram que ele atuasse, como foi o que aconteceu"
.