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Juiz de Fora, 08/09/2008

Tupi tenta decisão pela terceira vez Clube de Juiz de Fora não faz uma partida decisiva do Estadual há 20 anos

Henrique Ribeiro
Pesquisador do Campeonato Mineiro
Texto enviado ao Portal ACESSA.com
11/04/2007

O Tupi tenta, este ano, pela terceira vez em sua história, avançar para uma final de Campeonato Mineiro. Curiosamente, o time terá pela frente o Cruzeiro que o eliminou das finais de 1985 e 1987. Além disto, ainda pesa para o lado do galo de Juiz de Fora um tabu de 20 anos sem vencer o time da Capital. A última vitória do alvinegro aconteceu no dia 12/07/1987, em Juiz de Fora, pelo placar de 2 a 1, com gols de Careca para o Cruzeiro e Amarildo e Jorge Luiz para o Tupi. De lá pra cá foram 13 confrontos com 9 vitórias cruzeirenses. No entanto a campanha do Tupi em 2007 já entra para a história com o time voltando a disputar jogos decisivos após 20 anos.

Em 1985 o Tupi teve a chance de conquistar uma das vagas para as finais do Campeonato Estadual quando se classificou para o quadrangular final do 1º turno contra os três grandes da Capital. O Tupi liderou o quadrangular, junto com o Cruzeiro, após duas vitórias importantes por 1 a 0 sobre o América e o Atlético, além de um empate sem gols contra o Cruzeiro, mas na penúltima rodada, o time da Capital venceu o jogo decisivo por 2 a 1, no Mineirão, em 22/09/1985 e com um empate sem gols contra o rival Atlético na última rodada garantiu a vaga para a final.

Em 1987 o Tupi teve outra chance de disputar uma final de Estadual, quando decidiu o 2º turno em partida única contra o Cruzeiro, que jogou pela vantagem do empate no tempo normal e na prorrogação por ter tido a melhor campanha. O alvinegro de Juiz de Fora foi, mais uma vez, eliminado pelo esquadrão cruzeirense após um empate sem gols em 120 minutos de partida, no Mineirão, em 26/07/1987.

Primeiro vice-campeão mineiro
No entanto a melhor campanha do Tupi não aconteceu nestes dois anos, mas no primeiro Campeonato Mineiro, em 1933, quando conquistou o vice-campeonato. Naquele ano a Federação Mineira promoveu a unificação dos dois campeonatos disputados no estado, o de Belo Horizonte e o de Juiz de Fora e colocou em disputa o título de "campeão mineiro", pela primeira vez.

O time do Tupi vice-campeão de 1933 teve a seguinte formação: Adinho, Oliveira, Bellozi, Tirolito (Caiana), Coruja, Magalhães (Onestaldo), Geraldino (Paixão) (Lima), Miro, Lage, Néri e Rolando.

A campanha histórica do Tupi
02/07/1933 – Siderúrgica 0 x 0 Tupi
16/07/1933 - Retiro 4 x 3 Tupi
23/07/1933 – Tupi 5 x 2 Atlético
13/08/1933 – Tupi 4 x 2 Sport
20/08/1933 - Tupi 1 x 3 Villa Nova
27/08/1933 - Cruzeiro 1 x 1 Tupi
03/09/1933 - América 3 x 5 Tupi
24/09/1933 – Tupi 6 x 2 América
01/10/1933 – Atlético 3 x 1 Tupi
08/10/1933 – Tupi 4 x 3 Cruzeiro
25/10/1933 - Tupi 3 x 0 Siderúrgica

Não há registro do resultado da partida em que o Tupi venceu o Tupinambás, no 1º turno. Em 15/10/1933, o Villa Nova vencia o Tupi por 3 a 0, quando a partida foi suspensa aos 15 do 2º. Como o Villa já era o virtual campeão, as equipes não se interessaram em disputar os minutos restantes e o resultado de 3 a 0 não foi considerado. Em 05/11/1933 o Tupi venceu o Tupinambás por 3 a 2, mas a Associação Mineira de Esportes de Juiz de Fora anulou a partida que não foi, novamente, disputada.

36 anos depois
O Tupi só voltaria a disputar o campeonato estadual 36 anos depois, pois a unificação dos certames de Belo Horizonte e Juiz de Fora foi considerada deficitária e a Federação resolveu promover a partir de 1934 a disputa pelo título de “campeão mineiro” numa melhor de três entre os campeões de cada cidade, que também foi considerada deficitária e jamais disputada por falta de interesse dos clubes.

O Tupi e os demais clubes de Juiz de Fora permaneceram disputando o seu campeonato da cidade por mais 20 anos, quando o certame se expandiu englobando os times das cidades da zona da mata e da mantiqueira ganhando o status de "Divisão Especial" por parte da Federação que ainda passou a jurisdição de ambas as regiões do estado a Liga de Juiz de Fora. Curiosamente, o Campeonato dessa divisão tornou-se um certame regional à parte dentro do estado. Os clubes da "Divisão Especial" não se interessaram pela lei do acesso e do rebaixamento que passou a vigorar no Campeonato Mineiro a partir de 1961 com a criação do Campeonato da 1ª Divisão – que foi um certame regional disputado pelos times das regiões centro e do triângulo.

O Tupi só voltaria a disputar o Estadual, após a extinção das divisões Especial e Primeira em 1968, quando foi um dos três clubes convidados (os outros foram o EC Democrata, de Valadares e o Sete de Setembro) para a disputa do Campeonato Mineiro de 1969. O convite veio na "canetada" pelo presidente da Federação Mineira, José Guilherme.

Classificações do TUPI no Campeonato Mineiro:
1933 (2º); 1969 (8º); 1970 (11º); 1971 (6º); 1972 (11º); 1980 (19º); 1981 (10º); 1982 (12º); 1984 (6º); 1985 (4º); 1986 (10º); 1987 (3º); 1988 (10º); 1989 (6º); 1990 (16º); 1991 (10º); 1992 (23º); 1993 (18º); 1995 (12º); 2002 (4º); 2003 (4º); 2004 (13º)
  • Estréia no Campeonato Mineiro: 02/07/1933 – Siderúrgica 0 x 0 Tupi, em Sabará
  • Maior goleada: 24/09/1933 – América 2 x 6 Tupi (Paulista e Hugo para o América; Lage 4, Miro e Lima para o Tupi)
  • Maior goleada sofrida: 22/02/1969 – Cruzeiro 8 x 0 Tupi (Zé Carlos 3, Dirceu Lopes 2, Hilton Oliveira, Natal e Tostão marcaram para o Cruzeiro)
  • Jogadores do Tupi que se sagraram artilheiros do Estadual: Lage em 1933 com 13 gols, Luisão em 1987 com 12 gols e Marcelo em 2002 com 8 gols

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